Foto: Rafael Ascensão/mediotejo.net

Foi rodeados pela beleza da arte sacra da Igreja de Nossa Senhora da Graça que músicos e público presente – e em peso, com os lugares esgotados – desfrutaram em conjunto de um momento musical onde as notas tiradas pelos instrumentistas do grupo francês, que atuou sozinho durante algum tempo no início do espetáculo, se uniram às vozes de Daniela Matos (Soprano), Nélia Gonçalves (Alto), Fernando Guimarães (Tenor), Paolo Davolio (Tenor), Miguel Maduro-Dias (Bass), sob a batuta de Brian MacKay.

No final deste concerto integrado na Temporada Portugal França 2022, Miguel Maduro-Dias disse ao nosso jornal que o concerto foi “fantástico”, também pela casa cheia, mas que neste festival, em que participa há já alguns anos, sente sempre que o público acolhe os artistas de uma forma “muito calorosa”, tal como sucedeu.

“E da nossa parte, ainda que seja um bocado parte deste festival fazer estes muitos pequenos momentos – às vezes com menos ensaios do que aqueles que nós gostaríamos de fazer – mesmo assim a entrega é total de toda a gente, e acho que o concerto correu muito, muito bem”, disse também o músico.

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Tendo em conta o seu historial de participação neste festival, Miguel Maduro-Dias diz que a mistura entre músicos com muita experiência como os instrumentistas do grupo francês e outras pessoas como as do ZAVE que “ainda nem se quer chegaram aos 20 anos”, é de facto a “magia” deste evento.

O cantor deixou ainda um duplo convite, tanto a todos para assistirem aos concertos que ainda estão por decorrer nesta edição do festival, onde o reportório “é muito diferente, música clássica, é certo, música erudita, mas ainda assim muito diferente e muito distinta”, como para participarem para o ano no festival, afirmando que, mesmo que sejam mais amadores, “há sempre espaço aqui e é um festival de convívio, de fazer música, alegria, é mais valia para toda a gente, e portanto se gostarem de ouvir, de estar aqui connosco, de certeza que iriam gostar também de participar para próximas edições”, deixa o repto.

Com um conceito que combina a pedagogia com a cooperação entre músicos internacionais e a apresentação de performances de alta qualidade ao público, o ZêzereArts, que realiza este ano a sua 12ª edição, vai assim continuar a oferecer (literalmente) concertos em locais emblemáticos de Tomar, Batalha, Ferreira do Zêzere e Ourém, como o Convento de Cristo ou as igrejas centenárias de Dornes, até 31 de julho.

Festival de música erudita ZêzereArts realiza-se em Tomar, Batalha, Ferreira do Zêzere e Ourém. Créditos: ZêzereArts

Festival de música erudita marca há 12 anos agenda cultural da região

O festival, que tem marcado a agenda cultural de verão na região há 12 anos, regressa nesta edição ao formato habitual depois dos condicionamentos sofridos em 2020 e 2021, devido à pandemia da covid-19.  

Criado em 2011 pelo maestro irlandês Brian MacKay, em Ferreira do Zêzere, o festival, desde o início focado na formação de estudantes de música, jovens músicos e amadores, foi alargando a sua área de intervenção, chegando este ano pela primeira vez ao concelho de Ourém.

Todos os espetáculos e apresentações são de entrada gratuita e resultam “da forte aposta na formação de músicos com professores altamente qualificados nacionais e internacionais”, salienta a organização.

O Convento de Cristo vai receber “dois grandes concertos”, o primeiro, no dia 22, às 22:00, “Nordic Sun”, programa coral do Maestro Kaspars Putninš, e o segundo, de coro com orquestra, no dia 23, às 19:00, no Claustro D. João III, “Te Deum Laudamus”, o célebre hino litúrgico de Charpentier, um dos concertos integrados na Temporada Portugal França 2022, fruto da parceria da produtora Musicamera, acrescenta. Ainda para Tomar estão marcados para o Cineteatro Paraíso os concertos “Violoncelo no Coro”, a 27 de julho, e um recital de cordas, no dia seguinte.

Na sua estreia no festival, Ourém vai acolher, no dia 24, no Teatro Municipal, a apresentação do novo projeto Estágio Orquestra Jovem, para jovens músicos (dos 9 aos 18 anos), sobretudo locais, sob direção de João Paulo Fernandes.

No dia 29, o “belíssimo castelo” de Ourém receberá o Ensemble de Violoncelos e um Sexteto com os professores do ZêzereArts, acrescenta.

No âmbito da formação, o Curso Profissional de Direção Coral, Canto Lírico e Coral, este ano, além de Brian MacKay, conta com Geert Berghs e Kaspars Putniņš como professores convidados, decorrendo os Cursos de Cordas de 23 a 31 de julho, com os músicos Eliot Lawson, Luís Pacheco Cunha, Catherine Strynckx e Adriano Aguiar, e o maestro Stephen Bryant.

O Concerto de Gala com a Orquestra do ZêzereArts vai realizar-se no dia 30 de julho, às 21:00, na Igreja Matriz de Areias, no concelho de Ferreira do Zêzere, estando o concerto final marcado para o dia seguinte, às 19:00, no Claustro D. João III, no Convento de Cristo, em Tomar.

A programação completa da edição deste ano pode ser consultada AQUI.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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