Brian MacKay, em Tomar. Fotografia: Rafael Ascensão/mediotejo.net

O Festival ZêzereArts está de volta durante este mês de julho para levar os seus espetáculos únicos de música erudita a locais históricos e emblemáticos dos concelhos de Tomar, Batalha, Ferreira do Zêzere e Ourém, como o Convento de Cristo ou as igrejas centenárias de Dornes.

Apesar dos dois anos pandémicos a ditar alterações ao formato, o irlandês Brian MacKay, que criou o festival há 12 anos, lembra que fizeram questão de continuar. “Nunca parámos, fizemos um festival reduzido mas pelo menos foi um festival”, diz. Este ano já será possível a programação voltar em todo o seu esplendor, sendo o retorno da parte coral uma vertente importante.

“É muito bom este ano ter a chance de voltar a convidar e a receber coros e coristas e cantores. Agora podemos ensaiar sem máscara, podemos voltar a cantar, que é uma parte muito importante do festival”, refere o diretor.

Festival de música erudita ZêzereArts realiza-se em Tomar, Batalha, Ferreira do Zêzere e Ourém. Créditos: ZêzereArts

E a vertente coral está mesmo a crescer, sublinha Brian Mackay, dando conta do Curso Profissional de Direção Coral, Canto Lírico e Coral, uma novidade no festival deste ano, que conta com o maestro da Letónia, Kaspars Putniņš, e o professor holandês, Geert Berghs, como convidados para coordenarem o curso onde estão inscritos 12 jovens vindos de várias partes da Europa e de Portugal.

Ainda no que se refere à parte coral, o festival conta com dois coros convidados – “Birdsong” e “Ex Urbe”, ambos de Inglaterra – e o Coro do Festival, um coro sinfónico, que se vai aliar ao Záve (Ensemble Vocal ZêzereArts) e ao Ensemble Pulcinella, naquela que é a Temporada Portugal-França, uma colaboração internacional entre o Governo de Portugal e de França, pelo que vão decorrer três concertos como parte desta colaboração, que acaba por ser um “festival dentro de um festival”, explicou o maestro irlandês ao nosso jornal.

“Normalmente podemos ver no palco jovens de 13 ou 14  anos a tocar com professores e músicos com grande experiência”, frisa o diretor, lembrando que este é um aspeto que desde a génese do projeto foi sempre muito importante.

Brian MacKay considera que esta colaboração entre os dois países é “muito importante”, no sentido de ter “músicos franceses e músicos portugueses a trocar e partilhar reportório português e reportório francês”, destacando o espetáculo que vai decorrer na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Tomar, no dia 20 de julho, quarta-feira (21h), onde será executada música portuguesa, a “Missa em Sol Maior”, de Carlos Seixas.

Mas também a parte instrumentista não é descurada. “Como sempre, temos muitos jovens instrumentistas, de Portugal e da Europa”, refere Brian MacKay, que enaltece a vertente internacional que permite aos jovens músicos estudar com professores de outros países. Este ano vão estar presentes docentes como Eliot Lawson, Jorge Alves, Catherine Strynckx e Ophélie Gaillard, bem como Stephen Bryant, concertino da famosa Orquestra Sinfónica da BBC.

Concerto no Convento de Cristo, em 2017. Créditos: ZêzereArts

Há uma fusão do local com o internacional, “num ambiente com jovens e também com pessoas de mais experiência e mais idade”, diz Brian MacKay. “Normalmente podemos ver no palco jovens de 13 ou 14  anos a tocar com professores e músicos com grande experiência”, frisa o diretor, lembrando que este é um aspeto que desde a génese do projeto foi sempre muito importante.

“[Os alunos] Vêm para estudar, claro, mas não só para estudar, querem participar e ter a chance de tocar com os professores, outros músicos profissionais ou músicos amadores com grande experiência, que são amadores porque querem fazer outras coisas também, mas em que a música ficou sempre numa parte muito importante das suas próprias vidas. Então isso é mesmo uma parte do ambiente do festival que é muito importante”, afirma.

O maestro considera que também para o público isto é muito importante, por verem que “não é uma coisa para mais velhos ou para adultos eruditos, é para toda a família, para todos nós experienciarmos”, diz.

Foto: DR

Aliás, os concertos são todos gratuitos naquela que é também uma maneira de levar este tipo de música erudita até à generalidade da população, embora Brian MacKay prefira não usar a expressão “música erudita”, até porque “música é música”, frisando que para si é também importante a ligação feita com o património.

“A entrada livre é importante, mas criar a atmosfera de portas abertas para quem quer ouvir é ainda mais importante. O festival não é uma coisa para pessoas que já têm algum tipo de educação especial – não, é música. É uma experiência teatral e musical, e posso dizer patrimonial também, experienciar o ambiente do Castelo, do Convento, do Mosteiro, ou da sala ou da Igreja, tudo isto faz parte”, refere o diretor do evento.

“A entrada livre é importante, mas criar a atmosfera de portas abertas para quem quer ouvir é ainda mais importante. O festival não é uma coisa para pessoas que já têm algum tipo de educação especial – não, é música.”

Brian MacKay

Brian MacKay sublinha também que desta forma muitas pessoas vão ouvir música ao vivo que normalmente nunca iriam ouvir, procurando num CD, na rádio ou no Spotify. “Mas ao vivo, num sítio adequado para esta experiência, saem encantados. A música ao vivo é uma coisa muito importante”, considera.

Este ano serão cerca de 150 os alunos participantes no festival. Foto: DR

Em termos de afluência de alunos, esta tem crescido ao longo dos anos, sendo que este ano é de cerca de 150 o total de participantes. Prova disso é também a criação de um novo curso para instrumentistas “ainda mais jovens ou com menos experiência do que aqueles que participam no curso principal”, explica o diretor, pelo que este curso vai acontecer em Ourém, naquela que é uma estreia do festival neste concelho da região.

Esta “Orquestra Júnior ZêzereArts” vai assim ensaiar em terras ourienses com o maestro João Paulo Fernandes e com outros membros da organização, sendo responsável por um concerto no Teatro Municipal de Ourém, no dia 24 de julho (15h).

Brian MacKay é o fundador e diretor artístico do ZêzereArts. Créditos: ZêzereArts

Também em Ourém, mas desta vez no Castelo, vai decorrer um concerto no dia 29 de julho (19h), onde vai atuar o Sexteto de cordas de Joly Braga Santos e George Onslow, seguido de uma apresentação do Ensemble de Violoncelos ZêzereArts, onde atuam Eliot Lawson (violino), Luís Pacheco Cunha (violino), Jorge Alves (viola), Isabel Pimentel (viola), Ophélie Gaillard (violoncelo), Catherine Strynckx (violoncelo) e os estudantes das classes de violoncelo.

Em termos de afluência, Brian MacKay diz que é notória a existência de um público fiel, pelo que espera que o público vá aderir novamente este ano, até pelo “alívio” que se começa a sentir na comunidade.

“Nota-se que agora está a voltar a uma vida na rua, com as pessoas mais relaxadas, mais à vontade umas com as outras, e espero que possam aproveitar esta alegria, que é poder sair de casa e ouvir música ao vivo”, refere o diretor e mentor deste festival nascido há 12 anos em Ferreira do Zêzere, e que acabou por superar as expectativas do seu próprio criador.

A programação completa da edição deste ano pode ser consultada AQUI.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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