Trilho Panorâmico do Tejo em Vila Nova da Barquinha, um percurso rico tanto em património natural como histórico. Foto: Maria Esteves

É através de um trilho ribeirinho, ao longo do rio Tejo, que também agora se unem as vilas de Constância e de Vila Nova da Barquinha. Ansiosamente aguardado pelos amantes da natureza e não só, este percurso linear de cerca de 10,5 quilómetros, leva os caminhantes e ciclistas a descobrir paisagens deslumbrantes e vários locais de interesse histórico. Realizado com a ambição de ser um dos principais produtos turísticos do concelho, este novo trilho tem o rio Tejo como fiel companheiro e o Castelo de Almourol como o imponente vigilante.

O trajeto dispõe de passadiços, corrimões, miradouros e áreas de lazer ao longo de toda a extensão, sendo que as intervenções foram feitas de modo a preservar ao máximo a natureza e o património natural. As estruturas de apoio foram colocadas em locais indispensáveis para ajuda e segurança dos aventureiros.

O investimento realizado pelo Município da Barquinha no Trilho Panorâmico do Tejo foi na ordem dos 300 mil euros, sendo que 85% do montante foi comparticipado por fundos comunitários. 

Agora dotado de maior segurança, o trilho original entre Constância e Vila Nova da Barquinha, feito e utilizado pelo Grupo de Cicloturismo Barquinhense, dá assim a conhecer paisagens deslumbrantes como aquela que se vislumbra sobre a a Vila Poema, o local de confluência entre os rios Zêzere e Tejo, a ponte de Praia do Ribatejo, ou, claro está, o Castelo de Almourol, ex-libris do concelho barquinhense. As paisagens verdejantes são constantes ao longo do trajeto.

E foi isso mesmo que todos aqueles que conseguiram garantir o seu lugar foram descobrir ou redescobrir. Pouco tempo após ser divulgada, logo ficou esgotada a caminhada de inauguração do Trilho Panorâmico do Tejo, a qual decorreu sábado, dia 26 de fevereiro.

A manhã apresentava-se fresca desde o primeiro momento, mas essa não foi uma condicionante capaz de alterar o ânimo que se sentia entre os participantes. Primeiro partiu um grupo de ciclistas, seguindo-se depois várias pessoas que, divididas em cinco grupos, se apresentaram para a caminhada para assim poderem desfrutar deste percurso que foi pautado por diversos apontamentos históricos ao longo do trajeto.

Recebidas por Fernando Freire, presidente do município de Vila Nova da Barquinha, logo no início do percurso, perto do Centro Náutico no Fluviário da Foz do Zêzere, no Centro Náutico de Constância, que fez uma pequena exposição das dificuldades que foram sentidas para a concretização deste trilho.

Começando pela deslumbrante paisagem que o trilho oferece sobre a vila de Constância – constando no local um miradouro que foi utilizado para uma breve representação sobre a Ponte das Barcas e a sua importância no atraso das invasões francesas – e pela emblemática zona onde o rio Zêzere vai desaguar no Tejo, o percurso seguiu por baixo da ponte de Praia do Ribatejo (primeira ponte ferroviária em Portugal) e das antigas serrações, contando para isso com a companhia de diversas cegonhas, aves que detêm vários ninhos na zona. Fez-se depois uma breve pausa no Cais Pai-Avô, local marcante para a população da freguesia de Praia do Ribatejo e que está agora requalificado (em conclusão).

A caminhada passou depois pela fonte da Galiana, local histórico da Praia do Ribatejo, que outrora servia para lavar a roupa e também de “rede social”, até ao antigo convento de Nossa Senhora do Loreto, onde foram degustados produtos endógenos da região.

A cereja no topo do bolo deste percurso passa provavelmente pela vista fabulosa que o trilho oferece sobre o Castelo de Almourol – símbolo maior do concelho – pelo que seguiu depois para a freguesia de Tancos, nomeadamente para o seu cais, onde os presentes puderam presenciar a recriação de uma cena de combate entre templários, com a localidade de Arripiado como pano de fundo, na margem oposta, seguindo depois os aventureiros até Vila Nova da Barquinha.

Trilho Panorâmico do Tejo em Vila Nova da Barquinha, um percurso rico tanto em património natural como histórico. Foto: Maria Esteves

No final, ao mediotejo.net, Fernando Freire disse que este é um trilho de fácil percurso, completamente limpo e que permite, “de sobremaneira”, apreciar a paisagem e sentir o território, até porque “só se ama aquilo que se conhece”.

Prevê-se que este trilho funcione também como um fator complementar de atratividade de turistas para outras estruturas como a Igreja Matriz de Tancos, o Parque de Escultura Contemporânea, o Centro de Interpretação Templário ou o Fluviário Foz do Zêzere.

O percurso, que pretende vir a ligar-se com outros ao longo dos concelhos de Constância e Abrantes até à Rota das Pesqueiras e Lagoas do Tejo, insere-se numa iniciativa intermunicipal, o projeto Rotas e Percursos do Médio Tejo, da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

A autarquia barquinhense tem ainda em curso a conclusão do PR1 VNB – No rasto dos templários, naquele que é um percurso de 18 quilómetros que vai ligar a localidade de Cafuz à das Limeiras e à zona da foz do rio Zêzere.

Conforme referiu Fernando Freire, o objetivo é “dotar o território com mais potencialidade em termos turísticos e para que também se convidem as pessoas a passear, a exercer exercício e a viver os territórios”.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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