Vila Nova da Barquinha revoga declaração de interesse municipal a bioparque. Foto ilustrativa: DR

“A Câmara aprovou por unanimidade revogar a declaração de PIM ao projeto Bark – Bioparque Barquinha e decidiu submeter à Assembleia Municipal, que vai reunir-se agora no dia 21 [sexta-feira], a revogação do interesse municipal, e o projeto cai”, disse à Lusa o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, argumentando com a falta de entrega de garantias financeiras por parte do promotor do investimento.

Segundo Fernando Freire, a qualificação do PIM “é uma prorrogativa da Assembleia Municipal”, conforme previsto na lei.

O projeto do Bioparque foi apresentado em 2019, ano em que se desencadeou o processo, prevendo-se um espaço com mais de 250 animais distribuídos por 43 hectares, em diferentes habitats, num investimento de 70 milhões de euros.

Pensado como “centro de conservação de espécies em vias de extinção”, deveria criar “150 postos de trabalho diretos e receber 450 mil visitantes no primeiro ano”, revelou naquele ano o promotor do investimento. Em 2022, o empresário e promotor, João Rodrigues, concedeu uma entrevista ao mediotejo.net, que pode ler AQUI, onde se mostrava confiante no arranque do projeto naquele ano.

Hoje, o presidente do município afirmou que, com a revogação do interesse municipal, o projeto cai por “falta de evidências financeiras”. O estatuto permitiria “facilitar e ajudar” na sua concretização.

Vila Nova da Barquinha revoga declaração de interesse municipal a bioparque. Foto ilustrativa: DR

ÁUDIO | FERNANDO FREIRE, PRESIDENTE CM V BARQUINHA:

“Implicava, nomeadamente, a venda de um terreno de 37 hectares que tinha um valor de 10 milhões de euros por cerca de 500 mil euros, ou seja, uma redução significativa no preço, e, por outro lado, também uma isenção de IMT [Imposto Municipal sobre a Transmissão onerosa de imóveis], uma isenção de IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis] e outras mais-valias, como a qualificação de um projeto de candidatura a fundos comunitários, fundamental para a empresa”, declarou.

“Por parte do promotor, não houve a capacidade [de concretizar]. Na vida, às vezes, temos sonhos e não conseguimos concretizar. A vida é isto”, declarou, falando de uma “nova zona industrial” para o terreno em causa.

Pensado também como centro de conhecimento, o Bark pretendia juntar a investigação científica com o desenvolvimento de programas ambientais, com o acolhimento de animais provenientes de centros de reprodução e parques semelhantes em quatro áreas: Arquipélago Indonésio, Pantanal, Peneda-Gerês e Savana Africana.

Teria ainda vários equipamentos de apoio ao visitante como um hotel de quatro estrelas com 130 quartos, um restaurante com 300 lugares sentados, um centro pedagógico e 397 lugares de estacionamento.

O autarca recordou outro projeto que caiu no concelho, lançado em 2003 – o Galaxy Park, projetado para o mesmo local. O plano terminou em 2008, sem concretização.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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