O Castelo de Almourol foi o primeiro local dos Caminhos do Ferro onde a Radar 360º apresentou o “Baile dos Candeeiros” no âmbito da rede de itinerância cultural que percorre o Médio Tejo desde o dia 11 de abril. Aceitámos o convite para ir ao baile na noite desta sexta-feira, dia 14, e encontrámos muito mais do que um espaço iluminado para dar um “pézinho” de dança.
O convite para o baile da Companhia Radar 360º dizia “dia 14 de abril de 2017, pelas 21h30”. Metemo-nos a caminho pelos Caminhos do Ferro e chegámos minutos antes da hora marcada ao Castelo de Almourol. Sabíamos que o evento teria candeeiros, mas fomos recebidos pela escuridão e os comentários de quem teve a mesma pontualidade fortaleciam a dúvida se teríamos trocado as datas.
Iluminado encontrámos o café onde os visitantes fazem pausa para verem as fotos tiradas na torre de menagem com vista para a aldeia de Tancos. O mesmo acontecia com a fortificação militar que celebra 106 anos de Monumento Nacional no próximo dia 16 de junho. O anfiteatro ribeirinho, local anunciado para a realização do baile, continuava mergulhado na penumbra.

É impossível ficar indiferente ao cenário associado à bravura da Reconquista Cristã e ao misticismo dos Templários e ainda olhámos para as muralhas na esperança de vislumbrar D. Ramiro a pedir clemência à filha e ao genro pelas crueldades cometidas. Não encontrámos as personagens da lenda na ilhota do rio Tejo e pouco depois de nos sentarmos foram as memórias inspiradas no Baile dos Cinco Candeeiros que começaram a iluminar-se.
O motivo dos encontros realizados na década de 60 na foz do rio Douro, Porto, não era a dança e os candeeiros de então faziam sombra aos olhos do Estado Novo, dissimulando a tristeza das despedidas de quem partia para a guerra. Os cinco candeeiros que surgem da escuridão em espaços inusitados desde a estreia no Festival “Se esta rua fosse minha” (Porto, 2008) são diferentes.
As luzes que se acendem e apagam por aqui e por ali são alimentadas pela energia de Filipe Caco, Julieta Rodrigues, Filipe Moreira, Mariana Amorim e António Oliveira. O último é, igualmente, responsável pela direção artística do espetáculo que conjuga dança transdisciplinar, teatro físico, performance e instalação que, neste caso, tanto tem de plástica como de elétrica.

A cadência do clique dos interruptores controlados pelos elementos da associação cultural fundada em 2005 ajusta-se a cada local e a cada música. Em Vila Nova da Barquinha, os movimentos multiplicaram-se ao longo de 45 minutos para contar histórias que somam décadas num cenário que soma séculos. Tempos que não chocam com o dos figurinos e adereços vintage, dos quais sobressaem os abajures coloridos que resguardam a luz branca junto dos rostos de quem dança.
A mesma luz foi revelando as expressões de surpresa do público sempre que era convidado para participar por um dos cinco candeeiros com personalidades diferentes. Ali, não se sentiu o peso das despedidas dos anos 60 e, para muitos dos presentes, o “adeus” representou um “amanhã à mesma hora” pois o “Baile dos Candeeiros” ilumina a Praça Salgueiro Maia, no Entroncamento.
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