Em Almeirim fabricam-se caralhotas gostosas, no entanto, às vezes a fornada não sai a preceito e aquelas formas de pão recheadas de febra de porco são uma vergonha de caralhotas. Uma impante VERGONHA. Se fosse na Assembleia da República e um deputado quiser abordar o erro na justa medida de a caralhota ser um ex-libris das artes culinárias ribatejanas dever estar a salvo de tal ocorrência por evidentes razões.
O Deputado, segundo o fio-de-prumo linguístico de Ferro Rodrigues, incorre em dupla censura dado a caralhota ser termo indutor de feias virtudes e a duplicação da palavra vergonha traduzir-se numa vergonhosa ofensa contra a honra dos honoráveis deputados.
O recurso ao exemplo da caralhota é derivado de ser conhecida no Ribatejo, longe de pensar em ouvir e ver Ferro Rodrigues brandir o látego. Escrevi noutra crónica a malícia contida em inúmeras receitas, e se o Presidente do Parlamento envereda por esse beco sem saída vai receber um cabaz de críticas, caso os deputados produzam as suas intervenções recorrendo ao receituário culinário tradicional.
A título de exemplo lembro as Cristas de galo, os pitos de Santa Luzia, a mijinha do Menino Jesus, os cocós, os ovos cocotte e a passarinha de porca assada nas brasas. Ele nem sabe onde se meteu, se os deputados dominarem o jargão gastronómico.
Conheço o camarada Féfé desde os tempos na Avenida Dom Carlo. Na altura trovejava recitando a vulgata leninista, ao lado de Augusto Mateus e outros, e defenestrou na Aula Magna os fundadores de maior relevo do MES caso de Jorge Sampaio, Bénard da Costa, Nuno Brederode Santos, João Cravinho e seguidores de uma linha reformista enquadrada no tempo e espaço. Agora, a segunda figura do Estado, ao contrário das mulheres virtuosas que não têm ouvidos, possui insólita susceptibilidade.
Caso o presidente da Assembleia queira degustar alguma das vitualhas enunciadas faça o favor de acompanhar com um dos vários e bons espumosos da denominação TEJO.

