A assinatura do protocolo realizou-se a 21 de julho na sede da Nersant, em Torres Novas. Fotografia: mediotejo.net

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) vai lançar o CR Inove -Catalisador Regional de Inovação do Centro, que pretende “promover um processo estruturado de cooperação entre as Comunidades Intermunicipais, as Entidades do Sistema Regional de Inovação e as Associações Empresariais”. A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) foi a primeira das oito sub-regiões da região Centro a assinar o protocolo de cooperação, numa sessão que decorreu na Nersant, em Torres Novas, no dia 21 de julho, onde a união e o trabalho conjunto foi o aspeto reforçado por todos.

Por ora, na sub-região do Médio Tejo, foram mobilizadas a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, a NERSANT, a TAGUSVALLEY – Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Tecnopolo do Vale do Tejo, o Instituto Politécnico de Tomar e o CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro.

Jorge Rosa, ex-presidente executivo da Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), em Tramagal, no concelho de Abrantes, vai ser o dinamizador sub-regional, responsável por trabalhar como facilitador e construir as “pontes” entre as instituições, papel que vai desempenhar pro bono.

Numa sessão que contou com a presença de autarcas de todos os municípios do Médio Tejo (com exceção de Vila de Rei), Domingos Chambel, presidente da Nersant, expondo algumas das dificuldades que se vivenciam e vislumbram – referindo, por exemplo, que para se fazer face à inflação a economia tem de crescer 8% e que não estamos preparados para os cortes de gás e subida do preço da energia –, defendeu que todos têm de estar unidos numa política comum para alavancar a economia, o desenvolvimento e o bem-estar da região.

ÁUDIO | Domingos Chambel, presidente da Nersant
Os autarcas da região do Médio Tejo estiveram presentes em peso na sessão. Fotografia: mediotejo.net

Anabela Freitas, presidente da CIM do Médio Tejo, esclareceu que o protocolo eleva “a um patamar mais formal aquilo que são as relações que de alguma forma estas instituições já por si faziam” de forma informal.

A também presidente da Câmara Municipal de Tomar defendeu a necessidade da transferência do conhecimento das instituições de ensino superior para os empresários, uma vez que são os empresários que criam riqueza e são as instituições de ensino superior que criam conhecimento, pelo que é necessário apostar na inovação para que a região possa ser competitiva.

ÁUDIO | Anabela Freitas, presidente da CIM do Médio Tejo.

“Não está em cima da mesa financiamentos, aquilo que resulta do nosso trabalho, que é o trabalho de todos nós, é que pode resultar em financiamentos, em projetos, mas é importante que tenhamos sempre como objetivo final elevar a inovação e a competitividade do nosso território, por isso hoje estamos aqui a celebrar de forma formal aquilo que é uma rede informal que temos vindo a trabalhar ao longo dos anos”, disse Anabela Freitas, mostrando disponibilidade total por parte da CIM a que preside e dos municípios que a compõem.

Assinatura do protocolo, em Torres Novas. Fotografia: mediotejo.net

Na sua intervenção, Eduardo Anselmo de Castro, vice-presidente da CCDRC, destacou três conceitos: juntos, futuro e ciência.

Para justificar o conceito de “juntos”, relembrou que Portugal não é mais que uma cidade na China, pelo que a região Centro é um bairro, e se a divisão ainda for maior passa-se a ser um quarteirão chinês. É fundamental trabalhar em conjunto, sendo que a sub-região do Médio Tejo tem de estar ligada ao Instituto Politécnico de Tomar mas também ao de Leiria, instituições de Coimbra, Covilhã, entre outras.

ÁUDIO | Eduardo Anselmo de Castro, vice-presidente da CCDR Centro

Quanto ao futuro, Anselmo Crespo defendeu que este tem de ser preparado com antecedência, pelo que a ciência assume um papel preponderante no desenvolvimento económico e das empresas, uma vez que estas, para pagarem melhor, precisam da tecnologia de modo a serem competitivas.

O vice-presidente da CCDR Centro explicitou ainda que esta é uma iniciativa da instituição que vice-preside, mas que é uma intenção, não podendo ir mais além em termos legais enquanto o processo da descentralização não avançar, sendo financiada por fundos próprios da CCDRC, que vai contratar uma pessoa a tempo inteiro para cada uma das sub-regiões da região Centro.

“Podemos constatar que as ligações entre a ciência, a tecnologia e as empresas, embora existam, estão muito abaixo daquilo que seria desejável, e aquelas que existem são de base local, na zona de influência, e são geral de médias e grandes empresas”, empresas que já têm uma ligação com essas instituições, tendo em conta que parte dos seus quadros são pessoas que fizeram formação superior na própria instituição com que a empresa colabora, defendeu Anselmo Crespo, afirmando que “é preciso ir mais longe e que esta interação seja feita à escala da região”.

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Por sua vez, Isabel Damasceno, presidente da CCDR Centro e responsável por encerrar a sessão, reforçou que em todos os estudos e trabalhos realizados é taxativo que a transferência de conhecimento entre o sistema científico e as empresas é essencial para a criação de riqueza e de emprego e para o desenvolvimento de toda a região.

ÁUDIO | Isabel Damasceno, presidente da CCDR Centro

Relembrou ainda que esta questão não se coloca ao nível das grandes empresas (pouco numerosas em Portugal), uma vez que essas têm capacidade de investimento e de investigação, afirmando que muitas das pequenas e microempresas, que compõe a maioria do tecido empresarial da região, não sabem onde procurar, pelo que é “esta tradução e aproximação” que este protocolo visa promover.

Isabel Damasceno sublinhou também a importância das autarquias, e de cujo envolvimento depende o sucesso do projeto, agradecendo a presença da esmagadora maioria dos autarcas da região.

Pelos parceiros é assumido o compromisso de desenvolver, de forma concertada e participada, iniciativas conjuntas em temáticas relevantes para o processo de promoção da inovação, a sistematização e atualização de informação e competências das entidades do Sistema Regional de Inovação pertencentes à sub-região, a criação de mecanismos de partilha e divulgação de informação, promoção dos conteúdos de desenvolvimento, instrumentos e metodologias de capacitação de atores e transferência do conhecimento e de tecnologias.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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