Foto: Arsénio Cristovão

Na sequência de uma entrevista do treinador Wilson Leite ao mediotejo.net, Arsénio Cristóvão, antigo vereador à época da construção do campo de futebol municipal em piso sintético na freguesia de Montalvo, escreve-nos acrescentando informação que entende relevante para compreender a situação difícil em que se encontra o futebol de formação em Constância, frisando “o voluntarismo desinteressado” que Wilson põe “na nobre virtude de ensinar, neste caso o futebol e a cidadania”.

Depois de analisar a entrevista feita pelo mediotejo.net ao treinador Wilson Leite relativamente ao título em epígrafe, leva-me em primeiro lugar, a demonstrar toda a minha solidariedade  para com a pessoa em questão e também para elogiar a coragem que teve em tocar num assunto muito criticado pelos munícipes devido ao impasse a que chegou o processo da aquisição de contentores para servirem de balneários do campo de futebol municipal.

Quando o Wilson denuncia o estado atual do futebol em Montalvo,  fá-lo num estado de desespero, sentindo que o seu limite estava a chegar ao fim, vendo no apelo às entidades oficiais e com responsabilidade em todo o processo de aquisição dos contentores a solução para que finalmente os balneários fossem colocados a funcionar.

Foca de uma forma clara e sem tabus quem são os verdadeiros responsáveis pelo estado caótico a que chegou o futebol de formação no concelho de Constância. 

Aborda a falta de apoio que a escola de formação está sujeita e, por inerência, ele também, dando como exemplo a ausência constante tanto do presidente da Câmara Municipal como do respetivo vereador do pelouro. 

Vai tendo como companheiros de luta às segundas e quartas feiras, e quando existem jogos amigáveis aos fins de semana, quatro dos pais de miúdos que o ajudam na concretização dos treinos. 

Atualmente, o numero de miúdos que frequentam a escola de formação, cerca de 20, podendo-se aumentar esse número, bastando para tal voltar ao ano 2014 onde haviam cerca de 90 miúdos distribuídos por diversos escalões, só que esse número só era possível porque a autarquia cedia o mini autocarro às terças e quintas feiras para o transporte dos miúdos de e para os treinos, oriundos das aldeias vizinhas do concelho de Constância, sendo essa a forma encontrada para se conseguir o numero focado anteriormente. 

Com a entrada do novo executivo, o transporte foi abolido, os contentores/balneários foram adquiridos e esperaram no local cerca de dois anos ou mais até se iniciarem os trabalhos para se proceder à ligação de água, energia elétrica e esgotos, para além da vedação e parque para a equipa de arbitragem. 

Sem transporte para os treinos e com os balneários novos inativos, foi visível a partir daí ver o número de praticantes, principalmente os de fora do concelho, a deixarem de frequentar a escola de formação, e em consequência de tudo isso o numero de escalões diminuiu paulatinamente, ano após ano, o futebol de formação foi-se esfumando e hoje é aquilo que vemos. 

Entendo, afirmando mesmo, ser condição indispensável que o Wilson deveria ter alguém para lhe prestar o apoio logístico que não tem. Não devia ser ele a ter que fazer esse trabalho. A ele compete-lhe preparar os treinos, treinos que ao nível do escalão que trabalha é muito exigente e daí ser urgente destacar um funcionário da autarquia para preencher a lacuna que o técnico aborda.

Tudo aquilo que aponta como necessário para desenvolver o trabalho que desenvolve com a formação é somente apoio e maior envolvimento da Câmara Municipal de Constância e da Casa do Povo de Montalvo para poder potenciar os cerca de vinte jovens desportistas, futuros homens do amanhã, tendo em atenção que é necessário rentabilizar uma infraestrutura onde se investiram mais de meio milhão de euros.  

Um sintético que foi classificado pela UEFA e FIFA com cinco estrelas, encontra-se neste momento em algumas zonas cujas cerdas estão queimadas pelo sol, situação incompreensível uma vez que se fez um investimento de trinta mil euros num sistema de rega, que segundo consta foi usado somente duas vezes. 

Ao nível da vedação, existem painéis soltos ou presos por arames, principalmente por detrás das balizas de futebol de sete. Os portões que deviam estar fechados quando não está a ser utilizado o campo sintético, encontram-se abertos 24 horas por dia, sendo muitas vezes utilizado por indivíduos sem calçado adequado para o piso. Um dos portões, o que fica a norte, está inclinado para o interior do campo, fruto do prumo que o suporta estar tombado. As fechaduras não funcionam.

Creio que o próprio treinador se apercebe das situações que acabo de referir, e sem se ter especificado na entrevista, creio que sente que de facto aquele espaço caiu no esquecimento, que foram abandonados e que existe ali muito desleixo e negligencia.

Quanto ao papel da Casa do Povo de Montalvo em todo este processo, foi visível na época anterior e continuado na atual época um abandonar do projeto iniciado à alguns anos, deixando de acompanhar o futebol na sua globalidade, fruto talvez do cansaço provocado pela falta de empenho/ajuda por parte da autarquia. 

Uma das lacunas com que se debate o futebol de formação é a falta de técnicos credenciados, situação caricata tendo em conta que há alguns anos atrás a Casa do Povo de Montalvo pagou o curso de monitores/treinadores a um conjunto de pessoas com o intuito de ficarem a treinar os diversos escalões de futebol. 

Pela análise que efetuei, creio que o único monitor/treinador que ainda se mantém fiel ao compromisso assumido é o Wilson, porque os restantes passaram por lá e hoje treinam outros clubes, sem terem ressarcido a CPM do investimento que fez com eles. – ARSÉNIO CRISTÓVÃO

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