População de Tramagal acolheu peregrinação fluvial da Senhora dos Avieiros em manifestação de cultura e fé. Foto: mediotejo.net

Cedo se começaram a juntar muitos populares no Porto da Barca que, apesar da ameaça de chuva, não deixaram de dizer presente à passagem da Senhora dos Avieiros e do Tejo, dando um outro colorido ao espaço ribeirinho. O local, que tem beneficiado de investimentos continuados, apresenta-se limpo e convidativo à fruição e usufruto ribeirinho.

População acolhe peregrinação fluvial da Senhora dos Avieiros em manifestação de cultura e fé. Foto: mediotejo.net

O calor humano também não faltou, com a junta de freguesia de Tramagal a providenciar comes e bebes para os convivas, onde não poderia faltar o peixe do rio, a que se juntaram escuteiros, associações e uma pequena cerimónia religiosa, enquanto alguns jovens pintavam o rio com as suas canoas. Antes de chegar ao cais, a imagem passou em caravana pelas ruas da freguesia, acompanhada de automóveis e motos.

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O calor humano também não faltou, com a junta de freguesia de Tramagal a providenciar comes e bebes para os convivas, onde não poderia faltar o peixe do rio, a que se juntaram escuteiros, associações e uma pequena cerimónia religiosa, enquanto alguns jovens pintavam o rio com as suas canoas. Antes de chegar ao cais, a imagem passou em caravana pelas ruas da freguesia, acompanhada de automóveis e motos.

António José Carvalho, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, destacou a importância da peregrinação fluvial pelo aproximar a população ao rio Tejo, num evento que junta fé, cultura, turismo, e também alerta para preocupações ambientais. João Serrano, da Confraria do Tejo, por sua vez, disse ao mediotejo.net que as populações ribeirinhas se apropriaram do evento, que cumprem a sua IX edição, e que agora não perguntam se a peregrinação se realiza para o ano. “Agora já não perguntam isso. Dizem antes, até ara o ano!”, afirmou, tendo feito notar a importância de ter “um rio vivo e vivido”.

Em ano de seca e com o Tejo a sofrer com os baixos caudais, os barcos que integram o IX Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo, III Cruzeiro Ibérico, têm sido movidos a fé pela participação calorosa das populações ribeirinhas e contornado as rochas e os bancos de areia graças ao apoio dos marítimos locais. Este domingo, o caudal do rio até seguia generoso apesar dos bancos de areia e rochas que a comitiva tem encontrado pelo percurso e que sabe que vai ter de lidar, com a ajuda dos pescadores locais.

Nada que apoquente a organização e retire força ao espírito de missão, que arrancou no dia 19 de maio, em Espanha, e vai descer o Tejo, até à foz: “as dificuldades existem para serem ultrapassadas e com a ajuda de Nossa Senhora dos Avieiros vamos chegar a Lisboa” no próximo dia 18 de junho, assegurou João Serrano, da Confraria Ibérica do Tejo, que não escondia a satisfação pela apropriação das comunidades ribeirinhas de um evento que se tornou uma tradição e que é esperado ano após ano em mais de 60 localidades.

Este fim de semana cumpriram-se mais três etapas, numa viagem rio abaixo que terminará no dia 18 de junho, em Lisboa. A nona edição desta manifestação cultural e religiosa é a mais longa de todas, com 16 etapas e paragem em 60 localidades ribeirinhas, num total de cerca de 300 quilómetros.

Populares em Alvega recebem com cânticos e flores a Senhora dos Avieiros nas margens do Tejo

O Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo entrou na manhã de sábado no concelho de Abrantes, tendo sido passado o testemunho entre a freguesia de Ortiga, no concelho de Mação, e Alvega. Algum tempo antes da hora prevista, já Nossa Senhora dos Avieiros atravessava o Tejo entre margens, para atracar no cais de Alvega, junto da Estação de Canoagem.

Ali já a esperava alguma população, peregrinos e membros da organização deste Cruzeiro “de fé e afetos”, além do pároco Manuel Mendonça e o presidente de Junta, António Moutinho.

Num momento de fé e religiosidade, a passagem desta peregrinação fluvial foi celebrada, de forma modesta mas sentida pela comunidade. A imagem de Nossa Senhora de Fátima foi trazida à beira-Tejo desde a Igreja de São Pedro, fazendo o acolhimento e encontro entre as duas imagens do divino.

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Numa celebração religiosa com oração e cânticos, e onde também o andor de Nossa Senhora dos Avieiros foi embelezado e renovado com oferta de flores frescas de tons quentes por parte de membros da paróquia, o povo desceu ao cais para se encontrar com a padroeira dos Avieiros e o rio Tejo.

Na ocasião, foi lembrado que este é um cruzeiro feito ao longo do rio Tejo, sendo este o “fio condutor” de um convívio que se quer fraterno entre as comunidades ribeirinhas, numa peregrinação que se vai desenhando e unindo as margens e concelhos vizinhos.

Também se abordou o significado da imagem de Nossa Senhora dos Avieiros, em que um casal no seu barco apela, com fé, ao auxílio da padroeira perante as dificuldades e as tormentas do dia-a-dia.

O casal, aos pés da Sra. dos Avieiros, pede ajuda, e esta, de mão levantada aos céus, faz o apelo para interceder junto da divindade. O pescador ali representado traz a mão junto do coração, agradecendo o auxílio prestado.

A imagem tem aos pés um casal de pescadores que apela ao auxílio da padroeira. Foto: mediotejo.net

É de preces e agradecimentos, e destes ajuntamentos populares, que se fazem as receções ao longo das várias etapas e à medida que se chega a cada um dos portos.

De Alvega, o Cruzeiro prosseguiu a peregrinação para Mouriscas (12h00). Durante a tarde seguiram-se passagens por novos pontos do concelho de Abrantes, nomeadamente o Pego (16h30) e Rossio ao Sul do Tejo, onde chegou cerca das 19h00, com acolhimento e pernoita na localidade.

Este domingo, dia 28 de maio, a 5ª etapa principiou no Porto da Barca, em Tramagal, às 09:30, seguindo para Rio de Moinhos (10:00), Amoreira (11:30), Constância (13:00), Praia do Ribatejo (14:30), Arripiado (17:30) e Tancos (Vila Nova da Barquinha), onde chegou cerca das 19:00.

A 6ª etapa começa no sábado, dia 3 de junho, com partida de Tancos às 09h00, e chegada a Vila Nova da Barquinha às 09:15, seguindo depois por Pinheiro Grande (11:30), Porto das Mulheres, em Chamusca (13:30), Azinhaga, na Golegã (16:30), Alpiarça, ao Patacão, (18:00) e a chegada a Vale de Figueira/Barreira da Bica, Santarém, cerca das 20:00, local onde pernoitará, seguindo viagem no domingo, dia 4 de junho, rumo a Valada do Ribatejo e Escaroupim.

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