Foto: CM Torres Novas

Numa altura em que já se começam a fazer contas para o Orçamento Municipal de 2023 e depois de questionado sobre a possibilidade de gratuitidade dos TUT (Transportes Urbanos Torrejanos), Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, afirmou que existe essa “vontade” mas que a questão tem de ser analisada, sendo que esta é “a pior altura possível” para “gratuitidade e fazer descontos”, adiantando que só em revisão de preços, os custos para a autarquia vão aumentar mais de um milhão de euros em relação ao que estava previsto no orçamento para 2022.

Foi o deputado municipal Roberto Barata (BE), quem questionou na sessão de Assembleia Municipal de 9 de setembro se o executivo camarário ia ter em conta a recomendação da assembleia que aprovou por unanimidade uma proposta do Bloco de Esquerda quanto à gratuitidade dos TUT.

Intervenção de Roberto Barata (BE).

Mais tarde, também Júlio Clérigo (PS), presidente da Junta da União das Freguesias de Torres Novas –  São Pedro, Lapas e Ribeira Branca, abordaria o tema, afirmando que não gostaria que esta posição fosse tomada antes de se precaverem os transportes das aldeias, referindo que todas as aldeias do concelho não têm transporte, mesmo que seja a pagar, situação que não considera justa.

Intervenção de Júlio Clérigo (PS), presidente da Junta da União das Freguesias de Torres Novas –  São Pedro, Lapas e Ribeira Branca.

“Isto é uma questão que deve ser posta em simultâneo e nunca por em execução a gratuitidade na cidade sem que os outros problemas estejam resolvidos, somos todos munícipes, todos pagamos e temos os mesmo direitos”, afirmou Júlio Clérigo.

O presidente da Câmara Municipal começou por responder que está a ser feito um estudo preparatório do orçamento, fazendo também menção a um contrato de 36,5 milhões de euros ao nível dos transportes urbanos, celebrado entre a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e a Rodoviária do Tejo para os próximos oito anos.

Resposta de Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas.

Quanto à efetiva gratuitidade dos TUT, Pedro Ferreira afirmou que “tudo isto tem de ser bem cruzado, feitas bem as contas, numa altura em que para fazer gratuitidade e fazer descontos é a pior altura possível, e não vale a pena esconder”, adiantando o autarca que “só em revisão de preços” os custos da Câmara de Torres Novas vão aumentar mais de um milhão de euros em relação ao previsto no início do orçamento.

“Portanto uma coisa é o desejo de corresponder a uma coisa tão boa como esta (…) mas tem também de haver o equilíbrio das coisas, e só pode ser com equilíbrio. Mas a vontade há, estamos a analisar, falaremos com os partidos na altura própria, e, portanto, vamos ver o que é que é possível fazer em relação ao orçamento 2023”, deixou em aberto o líder do município torrejano.

Relembre-se que em março deste ano a autarquia aprovou a gratuitidade do passe para os antigos combatentes, tendo a vereação da oposição (Movimento P’la Nossa Terra e PSD) pedido mais, nomeadamente a gratuitidade geral dos transportes a toda a população, ou pelo menos à terça-feira, dia de mercado municipal. 

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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