O Convento do Carmo, em Torres Novas, foi também ele alvo de profundas obras de reabilitação. Foto: mediotejo.net

O Convento do Carmo foi inaugurado este sábado, dia 22, no decorrer de um programa que celebra o (re)nascimento do “antigo hospital” com mais de 20 iniciativas culturais. O “parto” foi o mais demorado de que há registo no local e Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, assumiu que “não foi fácil”. Quase duas décadas e cerca de cinco milhões de euros depois, o “menino” nasceu e os planos de vida envolvem cultura, empreendedorismo e desenvolvimento social.

As memórias associadas ao antigo hospital de Torres Novas são muitas, mas não há registo de um parto tão demorado nem de uma festa de nascimento tão grande como os do Convento do Carmo, inaugurado este sábado. O anúncio da “gravidez” foi feito pouco depois do encerramento da antiga unidade hospitalar da Santa Casa da Misericórdia, em 2000, e o “recém-nascido” foi recebido com mais de 20 as iniciativas culturais com artistas locais e nacionais.

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Até este domingo, exposições, instalações artísticas, workshops e espetáculos de teatro, dança, vídeo mapping e música comemoram a reabertura das portas à população depois das obras de remodelação que implicaram um investimento global na ordem dos 5,2 milhões de euros. A autarquia suportou 41% (cerca de 2,1 milhões de euros) do valor e o restante foi assegurado por fundos comunitários.

A cerimónia teve início com o hastear das bandeiras ao som do Hino Nacional e o descerramento da placa inaugural acompanhado pelo Hino de Torres Novas, ambos interpretados pelo coro do Choral Phydellius, aos quais se seguiram os discursos. O contributo para a cultura do novo espaço – que também vai receber a Loja do Cidadão e, no próximo dia 27, a Loja Ponto Já – foi destacado por Isabel Damasceno, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

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A intervenção foi feita perante os muitos munícipes, representantes de entidades públicas e privadas e elementos do executivo municipal (com ausência das vereadoras Helena Pinto, do BE, e Filipa Rodrigues, da CDU) que estiveram presentes. Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas fez uma resenha histórica em que não faltou referência à necrópole pré-histórica com 4500 anos descoberta durante as obras de remodelação, ao início da construção da Ermida de São Gregório em 1558 e à inauguração do antigo hospital em 1900.

A aquisição municipal do imóvel à Santa Casa da Misericórdia, com o primeiro objetivo de ali instalar os serviços camarários, e as obras de remodelação – marcados por atrasos e críticas da oposição devido à forma como decorreram – também foram lembrados. Um processo “lento e desgastante”, nas palavras do autarca que assumiu não ter sido “fácil”, mas “valeu a pena”. Para o Convento do Carmo, acrescentou, pretende-se “uma dinâmica imparável” que estimule a “participação cultural e cívica” da população.

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Essa dinâmica será criada com base em três vertentes: a “artística e cultural”, ligada ao pensamento crítico e investigação, a da “educação e incubação criativa e tecnológica”, focada no empreendedorismo e criatividade, e a do “laboratório social”, no âmbito do desenvolvimento social, História e tradições. A estas junta-se uma área transversal, a da “residência artística” criada para acolher “criadores, pensadores e investigadores” nacionais e internacionais.

O local recebeu os primeiros visitantes com as exposições “O Hipogeu do Convento do Carmo – Uma história de Ouro”, de fotografia de Augusto Brázio e sobre Andy Warhol por Ricardo Falcão com a Coleção Norlinda e José Lima. A arte urbana de Lara Seixo Rodrigues com LATA 65 e The Empty Belly integrou as comemorações, assim como as instalações da Amarelo Silvestre, André Sier e da Companhia de Música Teatral. Uma vez fechado o programa da inauguração (21 a 23 de junho), a maioria dos projetos continua patente ao público e pode ser visitada aos sábados.

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Pontuais são a performance de Miguel Horta nas visitas guiadas às memórias do antigo hospital, a peça teatral conjunta da Amarelo Silvestre e do Teatro Virgínia e os espetáculos de dança de Beatriz Pereira, Leonor Mendes, Patrícia Borralho, Mercedes Alves, Carolina Cabaço e António Liberato. No momento do (re)nascimento, o Convento do Carmo também foi embalado pela música de Noiserv, Benjamim, Choral Phydellius, Joana Guerra e da Banda da Sociedade Velha Filarmónica Riachense acompanhada pelo vídeo mapping de João Martinho Moura.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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