Nas últimas semanas adensaram-se as críticas a respeito da cedência gratuita do antigo edifício da Caixa Geral de Depósitos (CGD), propriedade do Município de Torres Novas, à empresa Medical Knowledge Academy (MKA), para instalação de um Centro de Estudos e Observação em Saúde naquele espaço.
Primeiro, fez-se ouvir a concelhia do Bloco de Esquerda de Torres Novas, que manifestou veemente a sua discordância e incompreensão face a tal decisão, questionando os benefícios concedidos a uma entidade privada, que não pertence ao concelho torrejano.
“Rejeitamos em absoluto que a Câmara Municipal utilize o dinheiro público para adquirir um imóvel e de seguida o entregue a privados, sem qualquer encargo, para realizarem o seu negócio, seja ele qual for”, defendeu o BE.
António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra) arrependeu-se de ter votado favoravelmente a proposta de protocolo entre a CMTN e a MKA, prevendo “uma desgraça anunciada”.
Por sua vez, Tiago Ferreira (PSD-CDS/PP) que havia “confiado” no presidente [Pedro Ferreira], recuou nas certezas e manifestou-se preocupado, pedindo especial atenção ao processo em causa.

Entretanto, o BE volta exigir explicações ao executivo camarário, depois de se descortinar que afinal a MKA resulta da junção de três empresas consultadas para um projeto apresentado durante a pré-campanha eleitoral para as autárquicas de 2021, o qual foi entregue a uma delas, acabando o contrato por ser resolvido por incumprimento.
“Não se detetou que esta empresa era propriedade das três empresas consultadas para a implementação do projeto EVA? Não se teve em conta a experiência, que tudo indica negativa (incumprimento do contrato), com uma delas? Se, apesar de tudo, decidiram assinar o protocolo, exige-se saber porquê”, refere o BE.
As dúvidas das diferentes forças políticas quanto à idoneidade da MKA foram ganhando eco, o que terá influenciado a decisão agora tomada pela empresa, desistir do protocolo com a CMTN.
“Tudo isto caiu por terra. A MKA informou a Câmara que pretende desistir de imediato da instalação daquele projeto no edifício da CGD”, confirmou Pedro Ferreira ao mediotejo.net, tendo garantido que o protocolo anteriormente celebrado fica sem efeito.
ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS:
“Uma ligação direta com o município através deste protocolo, já caiu por iniciativa da própria empresa, sob pressão das entidades com quem está relacionada”, disse o autarca, fazendo menção, a título de exemplo, às “ligações da MKA com a Universidade do Minho”.
“Lamento imenso e espero que um dia não venham a acusar este município de ter perdido este projeto. Porque, não fomos nós que o perdemos. Quem o perdeu, foi quem se levantou para evocar questões em relação ao mesmo”, afirmou Pedro Ferreira, denunciando “intenções maléficas, com interesses políticos” por parte das forças partidárias que se manifestaram contra a instalação daquela empresa no edifício da CGD.
ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS:
Assim, sem a MKA na equação, o destino a dar ao antigo edifício da CGD volta a aproximar-se da intenção inicial. Instalar ali a StartUp Torres Novas.
