Foto: mediotejo.net

“A principal lição que tiramos de todos estes anos é que somos mais fortes quando unidos”, afirmou hoje Carlos Coelho, ex-eurodeputado, na sua participação na conferência que debateu a Europa e a participação democrática, no Convento do Carmo, em Torres Novas. O político disse que a Europa deve permanecer unida de forma a superar o desafio da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, para a qual entende não ter havido prevenção. Por outro lado, defendeu, e por uma questão de dependências, a Europa deve voltar a industrializar-se e a produzir alguns bens dos quais desistiu por serem mais baratos no estrangeiro.

Sobre a questão da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e reconhecendo que a Europa está a enfrentar problemas relacionados com a sua segurança e defesa, Carlos Coelho reiterou a importância de a Europa permanecer unida: “A Europa não pode permitir divisões quando enfrentamos desafios tão sérios”, referiu o ex-eurodeputado, que acrescentou que a base da União Europeia passa muito por “valores comuns”.

Quando questionado sobre o assunto, o político afeto ao PSD defendeu que não foi feita uma “prevenção” na questão ucraniana, dizendo que é “mau” quando a segurança é minada em prol de negócios, fazendo menção aos gasodutos Nord Stream e às dependências económicas e industriais da Europa.

Neste campo, e após ser referido esse país na questão que lhe foi colocada, o político referiu não só a Rússia mas também a China, argumentando que a Europa deve voltar a industrializar-se e a produzir alguns bens dos quais desistiu por serem mais baratos no estrangeiro.

“Mas não é só uma questão de preço, de custos, é uma questão de dependências. E de forma a manter a nossa soberania, temos de fazer isso, investir em industrialização novamente, que foi uma lição que retirámos do Covid”, disse Carlos Coelho. 

Tanto Carlos Coelho como Margarida Marques marcaram presença na conferência por vídeo.

Eurodeputado em vários mandatos, Carlos Coelho aproveitou o início da sua intervenção para relembrar que atualmente, mais do que cidadãos nacionais, os habitantes dos países da Europa são cidadãos europeus, pelo que, para estabelecerem essa cidadania comum, têm de estar informados e ser participativos, algo que considera notório quando as pessoas vão trabalhar e estudar para países europeus, onde não são “estrangeiros” ou “emigrantes” mas sim “cidadãos” que têm direitos e liberdade de movimentos, naquele que é o “principal sucesso do projeto europeu”. 

Na conferência participou também Margarida Marques, atual eurodeputada no Parlamento Europeu (Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu) e vice-presidente da Comissão de Orçamentos, que defendeu que a participação dos cidadãos nas decisões políticas pode e deve ser aumentada.

A ex-deputada na Assembleia da República e ex-secretária de Estado dos Assuntos Europeus referiu que é necessário identificar quais são as ambições exatas dos cidadãos para o futuro da Europa e “transformá-las em iniciativas políticas”, uma vez que, mais do que se dizer que se ouve os cidadãos, é necessário demonstrar que essas ambições são tidas em conta e concretizadas.

Quando questionada, Margarida Marques disse que a União Europeia “tem de estar” preparada para ouvir a voz dos cidadãos, acrescentando que, pela sua experiência, as instituições e organizações europeias estão “abertas” a ouvir e respeitar os pontos de vista dos cidadãos.

As participações dos dois portugueses com experiência no Parlamento Europeu podem ser vistas através da transmissão em direto no Facebook do projeto European Academy Network:

As referidas intervenções inseriram-se numa conferência, realizada em Torres Novas, onde debater a Europa e a participação democrática dos cidadãos foi o fio condutor, integrada na programação do evento “Construindo a Europa – Encorajar a participação democrática à escala da União Europeia”. O encontro contou assim com as participações da atual eurodeputada Margarida Marques (PS) e do ex-eurodeputado Carlos Coelho (PSD), bem como com a apresentação de alguns projetos de diferentes países da Europa.

Elvira Sequeira (PS), vereadora da Câmara Municipal de Torres Novas presente na sessão, referiu que o concelho tem feito parte de vários programas e projetos europeus “no sentido de tentar fazer com que as nossas comunidades tenham noção do que é que é a Europa, de quais são as instituições europeias que governam as nossas vidas, que é de todos os países europeus, e como é que nós, enquanto cidadãos europeus, podemos participar de forma mais ativa na construção desta Europa”.

Segundo a autarca, este objetivo pretende ser perseguido não apenas com as duas comunicações referidas, mas também com “as simulações, que fazemos muito neste tipo de projetos – que são simulações da forma como funcionam algumas das estruturas e instituições europeias, para que as pessoas percebam exatamente o que é que se faz em termos de organização da Europa e como é que nós, efetivamente qualquer cidadão, pode participar nessa organização”, naquela que é para Elvira Sequeira “a parte importante”, a de “perceber como funcionam as instituições e organizações, para depois saber como chegar até elas”.

Foto: mediotejo.net

Portugal, Bélgica, Bulgária ou Hungria, foram alguns dos países representados neste encontro realizado em formato misto, tanto presencial como online, e que contou com cerca de uma trintena de participantes em cada uma das modalidades.

O evento foi dinamizado pelo European Academy Network, projeto liderado pela Bulgária que pretende assim possibilitar o envolvimento dos cidadãos em simulações que permitam experienciar e entender o funcionamento das instituições europeias, de forma a conferir as ferramentas necessárias para que se envolvam no processo democrático europeu.

A sessão contou com a participação de países como a Bulgária, Itália, Bélgica, Espanha, Malta, Eslovénia, Hungria, Croácia, Áustria, Montenegro, Polónia, Letónia e Portugal, neste caso representado pelo município de Torres Novas.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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