Torres Novas e Escola Prática de Polícia homenageiam agente Fábio Guerra na passagem de cortejo fúnebre. Foto: mediotejo.net

Foram cerca de mil os formandos da Escola Prática de Polícia (EPP), em Torres Novas, que ao grito “Fábio Guerra” responderam “presente” e se colocaram em sentido durante a passagem do cortejo fúnebre do agente da PSP formado naquela escola, numa breve mas sentida e emotiva homenagem, marcada também pelo soar das sirenes da polícia, a que se seguiu um minuto de silêncio.

Fábio Guerra, que morreu na sequência de agressões à porta de uma discoteca de Lisboa, frequentou o 15º curso de Formação de Agentes (ano de 2019/2020), pelo que a transladação do seu corpo, desde o Instituto de Medicina Legal de Lisboa para a cidade da Covilhã, sob escolta de honra do Comando Metropolitano de Lisboa, fez uma curta paragem junto à EPP, onde foi homenageado por atuais formandos, colegas, representantes do Comando Distrital de Santarém, autarcas torrejanos e sociedade civil. 

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No final da cerimónia, e já tendo na última reunião de Câmara deixado uma nota de condolências à Escola Prática de Polícia, à PSP e à família do agente que morreu na segunda-feira, Elvira Sequeira, vereadora da autarquia de Torres Novas, disse emotivamente ao mediotejo.net que “a escola Prática de Polícia, que é a Escola Mãe da PSP, é uma parte fundamental também daqueles que estão connosco em Torres Novas.

“E ter aqui um aluno que frequentou esta escola e que tombou porque cumpriu a sua missão, para nós é o sentido último daquilo que é o servir o próximo e é isso que temos de homenagear aqui neste momento”, afirmou. 

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Já Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, afirmou estar ainda incrédulo com o sucedido.

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“Um jovem com 26 anos, que nesta escola recebeu a melhor formação para criar caminhos de segurança, para um Portugal que ele nem sabia onde é que poderia ser colocado – podia ficar aqui em Torres Novas como podia ir para Vila Real de Santo António ou para outro lado qualquer – e que entendeu, no seu espírito, que numa altura em que devia atuar para criar segurança, e ao criar segurança acabou por morrer às mãos de alguém que merece ser estudado… e merece uma interrogação a nível nacional, também, como é que estas coisas acontecem”, disse o autarca.

O presidente do município torrejano, afirmando que fica a interrogação de como se chegou a um ponto destes, disse que não podia fazer mais nada além de “enaltecer” a Escola Prática de Polícia, “uma escola de formação de homens, homens especiais que criam segurança para os outros, e que no meio da criação de segurança para os outros acabam por falecer, como foi neste caso”.

“É inadmissível, merece uma reflexão, e merece um castigo também profundo para que sirva de exemplo, para que mais situações como esta não aconteçam”, afirmou.

Presidente da República diz que agente Fábio Guerra nasceu “para servir os outros”

O Presidente da República deslocou-se na terça-feira à Covilhã para visitar a família do agente da PSP morto na sequência de agressões à porta de uma discoteca, definindo-o como uma pessoa que nasceu “para servir os outros”.

“Ele era uma pessoa verdadeiramente excecional, sempre em tudo, atleta, árbitro, militar, polícia, familiar. Há pessoas que nascem para servir os outros e ele era um desses exemplos”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, à saída da casa da família, no Bairro dos Penedos Altos, onde esteve cerca de 50 minutos.

Torres Novas e Escola Prática de Polícia homenageiam agente Fábio Guerra na passagem de cortejo fúnebre. Foto: mediotejo.net

Numa curta declaração, enquanto entrava no carro, o Presidente da República considerou o agente da PSP o exemplo de uma pessoa formidável.

“É uma família formidável, o Fábio Micael era formidável. Era e é, porque continua o exemplo dele, que era ser formidável”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa.

O agente Fábio Guerra, de 26 anos, morreu na segunda-feira, no Hospital de São José, em Lisboa, devido às “graves lesões cerebrais” sofridas na sequência das agressões de que foi alvo.

O chefe de Estado visitou também ontem a esquadra da PSP de Alfragide para apresentar as condolências aos colegas do agente, enaltecendo a forma como “cumpriu a sua missão”.

Agente Fábio Guerra trasladado para Covilhã pela PSP com percurso de homenagem

O corpo do agente Fábio Guerra, que morreu na sequência de agressões à porta de uma discoteca de Lisboa, foi esta quarta-feira trasladado para a Covilhã, de onde é originário, num percurso que a PSP quer que seja uma homenagem.

De acordo com um comunicado da Polícia de Segurança Pública (PSP), o corpo do agente foi trasladado pelas 14:00, hora a que saiu do Instituto de Medicina Legal em direção ao Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em Moscavide, e daí para a Covilhã, com passagem pela Escola Prática de Polícia, em Torres Novas.

“A PSP convida toda a sua família policial e todos os nossos concidadãos a homenagear o nosso camarada falecido, marcando presença ao longo do percurso indicado ou junto à sede do Comando Metropolitano de Lisboa”, na Avenida de Moscavide, nº. 88, onde a escolta fará uma breve paragem, lê-se no comunicado da PSP.

Esta força policial adianta ainda que o velório na Covilhã será reservado aos familiares do agente, havendo uma missa agendada para quinta-feira, na Igreja de são José, na Rua dos Penedos Altos, Covilhã.

O corpo será depois escoltado pelo Comando Metropolitano de Lisboa da PSP para o Cemitério da Covilhã, adianta o comunicado.

A PSP reitera “o seu profundo pesar, solidariedade e dor aos familiares e amigos do Polícia Fábio Guerra e aos demais polícias e pessoal sem funções policiais que com ele tiveram o privilégio de diretamente trabalhar”.

Fuzileiros suspeitos da morte de agente da PSP ficam em prisão preventiva

Os dois fuzileiros suspeitos do homicídio do agente da PSP Fábio Guerra, na madrugada de sábado, vão ficar em prisão preventiva, decidiu hoje o juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).

Cláudio Coimbra, 22 anos, e Vadym Hrynko, 21, foram sujeitos à medida de coação mais gravosa e vão permanecer detidos no estabelecimento prisional de Tomar.

O juiz Carlos Alexandre justificou a prisão preventiva com o perigo de perturbação do inquérito e da ordem pública e também com o perigo de continuação da atividade criminosa.

O advogado de defesa dos dois arguidos saiu do tribunal sem prestar declarações.

C/LUSA

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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