Foto: CM Torres Novas

O Convento do Carmo (re)abre oficialmente as portas esta sexta-feira, dia 21, e o momento é assinalado ao longo de três dias com mais de 20 iniciativas culturais. Exposições, instalações artísticas, workshops, fotografia, teatro, dança, vídeo mapping e música, entre outros, podem ser encontrados nos diversos espaços do edifício requalificado e acrescentam novas histórias a uma História de cinco séculos.

A inauguração oficial está marcada para a tarde de sábado, mas o público é esperado a partir da manhã de sexta-feira com a abertura das exposições “O Hipogeu do Convento do Carmo – Uma história de Ouro”, que recupera memórias perdidas do local e das suas gentes, das fotografias de Augusto Brázio tiradas nas suas visitas ao Convento do Carmo durante a reconstrução, e “Andy Warhol/Andy Warhol visita a cidade”, de Ricardo Falcão e a Coleção Norlinda e José Lima, que relembra o artista norte-americano associado à Pop Art.

As duas primeiras exposições ficam patentes no Convento do Carmo e a última na Sala Projeto Educativo, onde Ricardo Falcão assegura também momentos lúdico-pedagógicos (mediação) às 11h15 e 23h00 de dia 21 e às 15h15 e 22h45 de dia 22. As três podem visitadas até domingo, entre as 10h00 e as 00h30, tal como quatro das cinco instalações artísticas criadas em vários recantos, sendo que a de arte urbana de Lara Seixo Rodrigues com o projeto LATA 65 pode ser encontrada no Jardim Exterior e no Rooftop da StartUp nos dias 21 e 22.

A arte de The Empty Belly surge na parede da StartUp. Foto: DR

A arte urbana assinada por The Empty Belly, cujo trabalho é associado à natureza humana, surge na parede da StartUp enquanto a Amarelo Silvestre propõe aos habitantes eternizar as suas memórias do local em post-its e audio com “Memória Post It e Memória Microfone”, no Convento do Carmo. Interativas são, igualmente, as instalações “Labirinto de Chronos II” (Convento do Carmo), do engenheiro das artes eletrónicas André Sier, e “Gamelão de Porcelana e Cristal” (Claustros), da Companhia de Música Teatral e o projeto Opus Tutti (dirigido por Paulo Maria Rodrigues), inspirada no milenar gamelão japonês e na música experimental.

O “Hospital Velho” pode ser (re)visitado durante os três dias na companhia do artista plástico Miguel Horta n’“A Visita”, uma performance com a colaboração do Serviço Educativo do Teatro Virgínia que inclui depoimentos em vídeo de mulheres que nasceram ou mães que deram à luz no antigo hospital. Estas visitas guiadas realizam-se às 10h30, 14h30 e 16h00 de dia 21, às 19h15 de dia 22 e às 14h30 de dia 23.

A arte urbana e a música têm como elemento comum os workshops que integram o programa. O primeiro, LATA 65 – Workshop de Arte Urbana para idosos, está marcado para as 14h00 e 18h00 de dia 21 no Convento do Carmo com Lara Seixo Rodrigues. O segundo é orientado pela Companhia de Música Teatral às 11h30 e 16h00 de dia 22 e às 11h30 de dia 23 nos Claustros, no âmbito do projeto de investigação artística “Gamelão de Porcelana e Cristal” realizado em parceria com a Universidade de Aveiro e a Vista Alegre Atlantis.

Entre os workshops encontra-se o de Lara Seixo Rodrigues com o projeto LATA 65 – Workshop de Arte Urbana para idosos. Foto: DR

Outra parceria, mas desta vez entre a Amarelo Silvestre e o Teatro Virgínia (Teatro Maior de Idade e Teatro Juvenil) deu lugar aos dois momentos teatrais associados a “Memória Post it e Memória Microfone”, marcados para as 17h00 dos dias 21 e 22. Em separado surgem as propostas de dança de Beatriz Pereira na escadaria exterior, de Leonor Mendes no Rooftop da StartUp, de Patrícia Borralho no corredor da entrada, de Mercedes Alves no Espaço Artistas Emergentes, de Carolina Cabaço nas Salas Interiores e de António Liberato no jardim exterior / entrada principal.

Beatriz Pereira explora a sua noção de coreografia em “Movimentos descontínuos ou sem descontinuidade?” às 20h30 de dia 21, 20h45 de dia 22 e às 16h45 de dia 23. Leonor Mendes apresenta “Uma peça para palco” inspirada na bailarina e coreógrafa Trisha Brown às 20h45 de dia 21, 21h15 de dia 22 e 16h30 de dia 23. Patrícia Borralho parte das palavras de Steve Paxton em “Your Body, My Body”, que partilha às 23h15 de dia 21, às 23h00 de dia 22 e às 17h00 de dia 23.

Martha Graham empresta a técnica e o apelido os espetáculo “Graham”, de Mercedes Alves, a partir das 23h30 dos dias 21 e 22 e das 17h30 no dia 23. Carolina Cabaço, por seu lado, forma o “Triangulum” (Triângulo) composto por três corpos, um véu e o sentido de liberdade às 23h45 dos dias 21 e 22 e às 19h00 de dia 23. O movimento apresentado por António Liberato em “Lebensreform” às 21h00 de dia 22 e às 16h00 de dia 23 tem como referência Friedrich Nietzsche e Rudolf von Laban.

O Choral Phydellius é um dos nomes locais que integram o programa. Foto: DR

As propostas para os três dias ficam incluem a música que pode ser encontrada, sobretudo, ao ar livre. O Jardim Exterior recebe os concertos de Noiserv, a “one-man band” de David Santosa, às 22h00 de dia 21, de Benjamim, o cantautor que reflete sobre as pessoas com quem se vai cruzando, às 21h30 de dia 22. O Choral Phydellius também atua no local, às 18h30 do mesmo dia, depois de ter apresentado o repertório que abrange diversos géneros musicais e séculos de História na escadaria principal às 21h00 de dia 21.

Também no Jardim exterior e no sábado, o vídeo mapping de João Martinho Moura e a música da Banda da Sociedade Velha Filarmónica Riachense juntam-se nos espetáculos agendados para as 22h30, 23h15 e 00h00 na fachada do Convento do Carmo. O artista e investigador de arte digital assina a sonoplastia e a composição musical nos primeiros minutos dos três momentos em que a banda centenária é dirigida pelo Maestro Pedro Andrade.

O programa de três dias que assinala a inauguração do Convento do Carmo com mais de 20 iniciativas culturais fica completo com uma paragem na Sala Artistas Emergentes, que recebe as sonoridades folk, rock e pop de Joana Guerra. As composições musicais da artista sganham forma no concerto de dia 23, às 18h00, através da voz, violoncelo e loopstation.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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