O ginásio existente no Estádio Municipal de Torres Novas está protocolado para utilização da União Desportiva e Recreativa da Zona Alta (UDRZA) até novembro. No início do ano, na sequência da associação ter decidido abandonar os escalões de alta competição na ginástica artística, criou-se uma nova associação, o Clube de Ginástica de Torres Novas, que acolheu estes atletas, entre os quais Joel Catarino, uma promessa na modalidade, com ambições de chegar aos Jogos Olímpicos de 2020.
Na ausência de espaço adequado para treinar, e mediante alegada falta de consenso com a UDRZA, o jovem tem ido treinar a Lisboa. O Clube de Ginástica foi assim à reunião camarária de 28 de maio, terça-feira, pedir ao município que intervenha na situação.
Um grupo de elementos do Clube de Ginástica de Torres Novas esteve presente na reunião, tendo deixado uma extensa declaração sobre o problema. Em nome do grupo, a presidente do clube, Sílvia Santos, explicou ao executivo municipal o porquê da criação do clube a meio da época, alegando que se deveu à ausência de uma resposta imediata para os jovens de alta competição que têm que estar devidamente preparados para as competições e onde um ano de paragem pode ditar o fim do percurso desportivo.

A declaração entregue pelo grupo e a exposição que se seguiu deu conta que os problemas terão surgido com a saída do treinador de alta competição da UDRZA, sendo que a nova associação não possui protocolo para utilização do ginásio e não conseguiu chegar a entendimento com a UDRZA, que detém o usufruto e continua a treinar ali os seus atletas de formação.
O grupo apelaria assim ao município que permita a partilha do espaço e as mesmas isenções de taxas que aos restantes clubes, constatando que a grande promessa concelhia ao nível da ginástica artística, Joel Catarino, tem estado a treinar em Lisboa, com todos os problemas que as deslocações constantes acarretam.
O executivo municipal de Torres Novas estava ao corrente da situação – sendo que a declaração entregue pelo clube dá conta de vários contactos com o município desde o final de 2018 – mas o presidente Pedro Ferreira (PS) constatou que o caso resulta sobretudo de litígios internos entre os dois clubes e que o município possui um contrato-programa com a UDRZA que tem que ser, legalmente, cumprido até novembro.
“Estamos tão empenhados quanto vós para resolver este problema que é incómodo”, afirmou o autarca, referindo que o município tem procurado encontrar uma solução junto da UDRZA.
No âmbito do debate que se seguiu, esteve no centro da discussão o estatuto de alto rendimento de Joel Catarino e o facto desta instabilidade colocar em causa os bons resultados e as expetativas internacionais que têm recaído sobre o atleta de ginástica artística nos últimos anos.
O treinador dos ginastas e coordenador técnico do clube, Diogo Soares, argumentaria que o ginásio municipal tem excelentes condições tendo feito notar que esperar por novembro para se resolver o problema da partilha de espaço não se coaduna com o calendário desportivo, cujo nível de competição exige preparação contínua.
Uma proposta de solução para o caso partiu do vereador do PSD, jurista de profissão, João Quaresma de Oliveira, que alegou existirem cláusulas no contrato-programa com a UDRZA em torno da utilização do ginásio para reivindicar o interesse público da partilha do espaço.
Já Helena Pinto (BE) constatou que não ouvira a perspetiva da UDRZA sobre a situação, lamentando a falta de consenso entre os clubes. Concordaria ainda com a abordagem jurídica do colega de vereação em torno do interesse público.
