A dupla Jonas&Lander vai levar ao palco do Teatro Virgínia no sábado, dia 5 de fevereiro, o espetáculo Bate Fado. Esta é uma proposta de revitalização do fado enquanto expressão boémia, a sua raiz original aliada também à dança, que se perdeu no início do século XX. Jonas e Lander fizeram uma investigação em torno das origens do fado e apresentam em palco um trabalho dedicado a essa matriz que promete surpreender os espetadores.
Não é do conhecimento geral, mas há uma relação entre o fado e a dança, sabendo-se que o passado do género incluía palmas, sapateado e movimento. Partindo desta tradição esquecida do fado batido, a dupla Jonas&Lander construiu uma peça de dança contemporânea.
“Bate Fado agarra na história do género e traz para o palco um espetáculo híbrido, entre a dança e o concerto, que abre novos horizontes sobre a forma como nos relacionamos com uma das mais vincadas das heranças culturais portuguesas”, adianta nota de imprensa.
“Não é para confrontar, mas para alargar o espetro do que já existe” que criaram este trabalho, comenta a dupla em declarações ao mediotejo.net. Os coreógrafos Jonas e Lander recuperaram a história do fado e a sua relação original à dança. O fado do século XIX era “mais festivo, com mais padrões, com mais erotismo, com mais sensualidade”.
Esta é pois “uma proposta de reinterpretação desse universo e dessa dança”, numa transposição para os nossos dias, sugerindo-se uma forma de sapatear o fado, explica Jonas.
“Fizemos uma busca em torno das caricaturas dos jornais da altura”, adianta Lander, constatando por este género o espírito do tempo e o “bater do fado” como “algo comum”, que se perdeu algures em 1910.
“Na verdade não temos descrições sobre as características rítmicas ao detalhe”, constata, sabendo-se apenas que era uma dança “lasciva”, “erótica”, “saltitante” e “improvisada”.
“É um campo inexplorado no fado”, reitera Jonas, que se perdeu algures com a entrada na I Guerra Mundial, a partida dos homens e as mulheres que ficaram a chorar a sua perda. Para a dupla este espetáculo original é uma continuação do seu trabalho, explorando diversas dinâmicas que têm feito parte da sua criação artística. Foi o resultado assim de uma investigação em torno de um ambiente musical que desapareceu da memória coletiva.
Num palco juntam-se nove performers: quatro bailarinos, quatro músicos e um fadista, também ele bailarino.
O ambiente é inspirado nas referências das caricaturas de Bordalo Pinheiro. Pautado por elementos de humor, característicos nas criações da dupla Jonas&Lander, Bate Fado revela-se como o primeiro passo para o resgate da dança que o fado perdeu.

Jonas&Lander, dupla de coreógrafos portugueses, têm contribuído para o imaginário um do outro desde 2011 quando iniciam a sua colaboração. Destacam-se com Cascas d’Ovo, obra que os levou a vários palcos nacionais e internacionais. Desde então, até 2017, criam e apresentam também Matilda Carlota, Arrastão e Adorabilis. Foram distinguidos como “Aerowaves Priority Company” em 2014 e 2017.
Em 2019, estreiam Lento e Largo, espetáculo coproduzido pela Rede 5 Sentidos, Teatro do Bairro Alto e Teatro Freiburg (AL), nomeado pela SPA para a categoria de Melhor Coreografia de 2019, e Coin Operated, em coprodução com a BoCA – Biennial of Contemporary Arts.
Em 2021, Jonas&Lander propõem-se a resgatar as danças perdidas do Fado, num espetáculo híbrido entre a música e a dança, Bate Fado, acompanhado por uma exposição sobre a investigação que precedeu o período de criação, Gabinete de Curiosidades.
