O Dia da Cidade de Tomar começou com a habitual celebração na Praça da República, com homenagem a Gualdim Pais, fundador de Tomar, por via da fundação do Castelo Templário há 863 anos atrás.
Alguma população veio juntar-se à cerimónia, no despertar da cidade, na presença de diversas forças militares, de segurança, corpo de bombeiros, grupo de escuteiros, representantes de coletividades e demais entidades e instituições concelhias e regionais, tendo-se dado seguimento à tradicional deposição de coroa de flores junto à estátua de Gualdim Pais.
A cerimónia contou com honras militares, em parada e depois desfile coordenado pela praça, com bandeiras hasteadas nos Paços do Concelho pelo executivo municipal e representante do Exército Português, e ao som do Hino Nacional.
O programa prosseguiu com as homenagens a um conjunto de pessoas e entidades do concelho na sessão solene da Assembleia Municipal, no Cine-Teatro Paraíso.
A plateia este ano estava mais vazia que o habitual, e entre os convidados constavam as personalidades e empresários, além dos dois títulos de imprensa local homenageados este ano com a Medalha do Município de Tomar.
Coube ao presidente da Assembleia Municipal conduzir os trabalhos, fazendo o discurso de abertura da sessão do órgão deliberativo tomarense.
Hugo Costa referiu-se aos “863 de História que muito engrandece os tomarenses e com a qual devemos aprender para construir e projetar o futuro”, acrescentando ser para si uma honra ser presidente da Assembleia Municipal de Tomar, pelo percurso histórico que encerra, e notando ser o primeiro presidente daquele órgão deliberativo que nasceu após abril de 1974.
“Escolho direcionar o meu olhar para as perspetivas de inovação e desenvolvimento futuro nesta minha intervenção”, começou por mencionar. “Defendo um concelho para todos e sem discriminações; um concelho de tolerância e conhecimento. Um concelho que deve aproveitar o melhor das suas instituições, mas deve colocar a cooperação entre todas como um objetivo. Ninguém em nenhuma instituição, ninguém em nenhum concelho, é uma ilha. Só juntos conseguimos ir mais longe”, prosseguiu.
O presidente da Assembleia Municipal disse crer que Tomar “deve aproveitar as suas potencialidades, caraterísticas e capacidades únicas” e “capaz de não ficar parado em antigos paradigmas e aproveitar o seu património em prol do desenvolvimento”, e aqui sublinhou o investimento que decorre atualmente no Convento de Cristo.
Lembrou a importância do Politécnico de Tomar para a coesão territorial, e o facto de hoje ser permitido aumentar a sua oferta educativa conferindo grau de doutoramento.
Não esqueceu “o regresso de uma guerra às fronteiras da Europa, uma guerra brutal onde quem sofre em primeiro lugar são as populações, nomeadamente as mais indefesas”, e relevou o apoio dado por Tomar ao povo ucraniano.

Com isto, fez ainda menção à crise inflacionista que se alastrou depois, trazendo “dificuldades acrescidas para os cidadãos, sendo que os municípios, assim como todas as instituições, assumem uma responsabilidade acrescida para mitigar esses efeitos junto, nomeadamente, dos mais desfavorecidos”.
Terminou a sua intervenção fazendo um balanço do seu mandato enquanto presidente da Assembleia Municipal, relevando que “tudo tem sido feito para aproximar eleitos dos eleitores”, tendo destacado dois pontos do trabalho realizado, sendo a realização de duas sessões de Assembleia Municipal descentralizadas, bem como debates temáticos sobre a Justiça e Saúde.
“Vamos continuar a trilhar juntos esse caminho, porque o impossível não existe”, notou, referindo-se à Assembleia enquanto “espaço rico e plural, e aberto à tolerância e ao debate”.
Nas comemorações do Dia da Cidade e do Concelho de Tomar, neste 1º de Março, a edil Anabela Freitas lembrou o ano passado, aquando as comemorações da efeméride da fundação tomarense, que coincidiu com o rebentar da guerra na Ucrânia.
Relevou a mobilização de todos os tomarenses para prestar auxílio a quem necessitava, e notou que a missão foi além do acolhimento de refugiados.
Anabela Freitas fez um agradecimento público “aos trabalhadores do Município de Tomar, António José das Neves Cerejo, Marco António Pereira Alves e Pedro Miguel Cardoso de Almeida, bem como ao cidadão Tarás Kulyk a sua total disponibilidade, desde o momento em que foram chamados para no autocarro da Câmara municipal irem até à Polónia buscar quem da guerra fugia”.
Anabela Freitas prosseguiu o seu discurso abordando a constituição de uma nova região que Tomar passará a integrar, salientando que os 36 municípios que integram “possam construir uma estratégia própria e comum, alocando recursos específicos para essa estratégia e centrados na resolução dos problemas do território e na criação de oportunidades”.
“Apesar de parecer algo muito distante, algo que nada diz às nossas empresas, às nossas instituições e famílias, é realmente uma alteração de paradigma, que existia desde 2003, do relacionamento de Tomar quer com o Governo central, quer com os organismos da Administração Pública”, notou, referindo que o reconhecimento da nova região representa o primeiro de muitos passos para que se efetive e cumpra os objetivos para que foi criada, notando que “é um desafio com sete anos”.
Para a autarca, “os concelhos não vivem isolados uns dos outros e os investimentos realizados num concelho também podem ser bons para o nosso concelho”, e logo fez referência à possibilidade de construção de um novo aeroporto na região, o Aeroporto de Santarém, defendendo que “também aqui devemos estar em consonância e tudo fazer para o mesmo se torne realidade”.

Por outro lado, partilhou uma “preocupação” da autarquia perante “dificuldades que muitas famílias, instituições, sobretudo do setor social, e empresas estão a passar”, pelos baixos salários, pelo impacto da subida do crédito à habitação, pela inflação nos preços dos bens essenciais.
“Uma situação que todos nós sabemos quando e como começou, mas não sabemos como acaba”, indagou, frisando que quer “que vejam na autarquia um aliado, para dentro daquelas que são as nossas competências, vos possamos ajudar”.
Enumerou ainda obras a decorrer no concelho mencionando que em pleno século XXI ainda se constrói redes de saneamento, além da requalificação urbana e renovação dos sistemas de água e saneamento. “Creiam que ninguém mais do que nós gostaria que as mesmas decorressem de forma mais rápida”, notou.
Indicou que durante o mês de março estarão reunidas as condições para iniciar a obra de requalificação do Flecheiro, “intervenção que sem dúvida vai alterar a vivência de todos nós com o rio Nabão”.
Quanto ao rio, disse que a autarquia continua “a tudo fazer para obter financiamento no atual ciclo de financiamento comunitário, para executar a segunda fase de intervenção da despoluição da bacia do rio Nabão”.
As últimas palavras foram dedicadas à Festa-maior do povo tomarense, a Festa dos Tabuleiros, que este ano se voltará a cumprir. Anabela Freitas relevou “uma festa que é só nossa, que só quem vive por dentro da festa tem o privilégio de ter uma experiência única na vida”.
“Tal como a partilha é o seu espírito, também todos nós queremos partilhar a festa com quem não é de Tomar. Muitos de nós estão já há vários meses a trabalhar para que este ano seja um sucesso. E que a todos nos deixa orgulhosos de sermos tomarenses”, disse.
Deixou uma “palavra de grande apreço a todos os homenageados que nas suas mais diversas áreas contribuem para a construção de Tomar e levar Tomar mais longe”.
“Viva a Festa! Viva Tomar!”, terminou.

Da parte dos deputados da Assembleia Municipal, representantes dos partidos políticos com assento naquele órgão deliberativo autárquico, desde os Independentes do Nordeste, ao CDS-PP, ao PSD, ao CHEGA, ao Bloco de Esquerda, à CDU e ao Partido Socialista, os discursos serviram para enaltecer a História e a fundação da cidade de Tomar, mas também para apontar críticas sobre o rumo da governação, além de alertas e sugestões para tomada de medidas e políticas em prol do desenvolvimento do concelho e para se projetar um futuro mais risonho e próspero.
Voltou a falar-se da desertificação e do envelhecimento populacional, da urgência de medidas que incentivem um maior desenvolvimento socioeconómico e maior valorização do património histórico e cultural, bem como dos seus recursos naturais. Também a valorização do território e das freguesias rurais e na promoção das diversas potencialidades e caraterísticas foi focada.
Mas como o dia se referia à fundação de Tomar, cidade e concelho, houve tempo para enaltecer as qualidades, a história e a tradição tomarenses e aplaudir as personalidades e empresários que pelos seus feitos e percursos contribuíram para a elevação da cidade e do concelho enquanto polo cultural, económico e social.
A cerimónia solene fechou a manhã com homenagens a diversas personalidades, empresas e empresários, projetos e também à imprensa local.
Com a Medalha de Honra do Município foram galardoados dois jornais locais, Cidade de Tomar e O Templário. Também a ACITOFEBA (Associação Comercial e Industrial do Concelhos de Tomar, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha) e o Núcleo de Tomar da Liga dos Combatentes receberam esta distinção.
Já a Medalha Municipal de Mérito foi este ano atribuída ao forcado Fernando Hilário e a Medalha Municipal de Valor Desportivo ao piloto de automóveis Jorge Sirgado.
Relevadas neste rol de homenagens foram também empresas que contam mais de meio século de atividade, tendo sido agraciadas com a Medalha Municipal de Mérito a Residencial União, Residencial Luz, Pensão Residencial Luanda, Hotel Bonjardim, Escola de Condução Moderna de Tomar, Café Paraíso da Comenda, Salão de Cabeleireiros Ferreirinhas de Joaquim Ferreira & Filha, Oficina José dos Santos Câncio, Marante – Materiais de Construção e Decoração, Tomarel – comércio de eletrodomésticos, loja Mundo das Malas, Loja Zézinho, restaurante Pica Pau Amarelo e o restaurante Casa Salgado.
Também foram homenageados com atribuição de diploma os funcionários da autarquia com 25 e 35 anos de serviço ao Município.
O dia encerrou com a cerimónia oficial do 101º aniversário dos Bombeiros do Município de Tomar, no Quartel da corporação.
À noite, Susana Félix, em conjunto com a Orquestra Sinfónica de Tomar, pisa o palco do Cine-Teatro Paraíso para fechar as comemorações da cidade, neste 1 de março, de forma melodiosa.
VÍDEO: Sessão Solene da Assembleia Municipal de Tomar de 1 de março
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