Depois de a autarquia já ter reconhecido que a maioria da água do Carril está a ser usada na agricultura “sem controlo”, e com uma utilização “abusiva”, e defendido a urgência de intervenção na gestão desta barragem, a resolução do problema pode estar mais perto tendo em conta esta reclassificação, que “tem fundamento na necessidade de adequar o modelo de gestão à complexidade e importância socioeconómica da obra, salientando -se, designadamente, “o interesse de âmbito local da obra, com uma área beneficiada não muito extensa e com impacte económico e social a refletir -se sobretudo ao nível do município”, refere-se em Diário da República.
No documento é ainda assinalado “o elevado impacte coletivo decorrente da mais-valia associada à disponibilidade de água para rega e do potencial de utilização associado à albufeira; a complexidade associada à exploração e conservação da barragem; as exigências de gestão associadas à exploração e conservação de um sistema de rega em pressão” e ainda “o carácter público da obra e a possibilidade de aceder ao regime de concessão (…)”.
Em declarações ao mediotejo.net, Anabela Freitas, presidente da autarquia, salientou desde logo que a Câmara Municipal não tem qualquer tipo de competência junto da barragem mas que “está empenhada” em concertar um modelo de gestão para a mesma, tendo até em conta que “estamos em ano de seca e que a água é um bem escasso, e portanto importa ter aqui uma gestão eficiente da água”.
A líder do município nabantino revelou ainda que esta situação já está sinalizada junto do Ministério da Agricultura e que se está tentar concertar agendas para ser marcada uma reunião entre o município e o referido Ministério no sentido de “ser colocado em cima da mesa que tipo de gestão é que pode ser feita naquela barragem”, sendo que “depois o município logo vê se participa ou não nessa gestão, ou se será lançada uma concessão ou outro tipo de gestão única e exclusivamente privada”, disse.
“Continuar aquilo que tem acontecido é que não pode ser. Há aqui vários modelos de gestão e é isso que nós vamos discutir com o Ministério da Agricultura: que modelos de gestão é que o Ministério preconiza e se algum deles for vantajoso para o município de Tomar, o município de Tomar também entrar nessa gestão”, afirmou Anabela Freitas.
A barragem do Carril desempenha assim duas funções: uma “que está a ser cumprida mas sem regras”, que é a função do regadio, e outra de armazenamento de água, “algo que também é muito necessário no país – haver sistemas de armazenamento de água, seja ela para consumo humano ou para outros fins”, explicou a autarca.
Dependendo daquilo que forem os estudos da barragem e as formas de gestão colocadas como possibilidades, “poderão ser associados outros projetos que visem, quiçá, se houver até essa possibilidade, termos ali no caso de Tomar, mais um ponto de abastecimento de captação de água para consumo humano, e portanto não estarmos dependentes apenas de dois pontos de duas captações. Mas isso tem que ser falado à mesa com o Ministério da Agricultura”, adiantou ainda Anabela Freitas.
Segundo dados de 2020 da DRAP (Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro), a barragem do Carril em Tomar (cuja obra ficou concluída em 2001 e a rede de rega em 2004) beneficia uma área total de 398 hectares, englobando 958 prédios rústicos (com uma área média de 0,8 hectares), 614 proprietários e 550 explorações agrícolas.

O município não tem nada a ver com a barragem do Carril.Como boa xuxa quer mandar e se possível taxar água que é usada para rega
A Tejo Ambiente é em parte da CMT perde por roturas mais de 2 M € de água por ano que foi captada bombada e tratada para abastecimento humano.
Esta mulherzinha não tem mais nada para se ocupar?