Barragem do Carril. Foto: DRAP

Sobre aquilo que considera ser não um uso mas um “abuso” da água da barragem do Carril, em Tomar, Anabela Freitas, presidente da autarquia tomarense, não se mostra muito confiante de que se consiga chegar a bom porto através de uma associação de regantes, pelo que pediu à DRAPLVT (Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo) para analisar os mecanismos de que a lei dispõe para a constituição de uma figura responsável pela gestão dos caudais da água da barragem do Carril.

Foi a vereadora Lurdes Ferromau Fernandes (PSD) quem questionou na última reunião camarária de 25 de julho sobre o uso incontrolado da água do Carril, a qual estará a ser usada pelos agricultores e pelas pessoas que estão no perímetro de rega e que têm ligações.

“É um recurso como todos os outros e que a qualquer momento também ficará bastante condicionada na sua utilização”, disse a vereadora, relembrando que Anabela Freitas havia dito que ia envidar esforços para reunir com a DRAP e com os presidentes das Juntas de Freguesia para que se confine o perímetro de rega da barragem do Carril.

ÁUDIO | Vereadora Lurdes Fernandes (PSD)

“Em relação à barragem do Carril, eu diria que não é o uso da água do Carril, é o abuso da água do Carril”, começou Anabela Freitas por responder, dando conta de uma reunião com a DRAP no início de julho sobre a questão da seca e do uso da água para agricultura, sendo que “aquilo que está em cima da mesa é arranjar uma data para tentar novamente constituir uma associação de regantes, porque é a única coisa que pode ser feita”, explicou.

“Há um abuso, e as pessoas tem efetivamente de perceber que a água é um bem escasso, mesmo para a agricultura. Todos ouvimos na televisão que grande parte daquilo que é o gasto da água nem é para consumo humano, mas sim para as atividades agrícolas”, disse Anabela Freitas.

ÁUDIO | Anabela Freitas (PS), presidente da Câmara Municipal de Tomar

Segundo dados de 2020 da DRAP, a barragem do Carril, em Tomar (cuja obra ficou concluída em 2001 e a rede de rega em 2004) beneficia uma área total de 398 hectares, englobando 958 prédios rústicos (com uma área média de 0,8 hectares), 614 proprietários e 550 explorações agrícolas.

A presidente da Câmara Municipal nabantina afirmou que a DRAP ficou de agendar e fazer os contactos de modo a que se realizasse uma reunião onde fosse constituída uma associação de regantes.

No entanto, a autarca diz que não lhe parece que seja possível “chegar a bom porto através de uma associação de regantes” – até porque essa tentativa já falhou no passado – pelo que a DRAP ficou de analisar que mecanismos é que a lei dispõe no sentido de se poder ultrapassar a questão da associação de regantes e haver uma figura que assuma a gestão dos caudais da água da barragem, “nem que seja um consórcio entre a Câmara Municipal e a DRAP”, defendeu a autarca socialista.

Esta solução, naquilo que seria uma “posição de força”, acarretaria investimento por parte da autarquia, mas Anabela Freitas não vê outra solução melhor. “Não podemos ter aquele desperdício de água, quando todos nós sabemos o que estamos a atravessar, e se calhar aquilo que vamos atravessar no futuro será igual ou pior”, frisou.

Quanto à produção de eletricidade em Castelo do Bode, questão também levantada por Lurdes Ferromau Fernandes, Anabela Freitas disse que esta continua suspensa, para manter os caudais ecológicos.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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