Todos os dias movimenta entre 700 a 800 crianças e jovens. Fundada a 28 de março de 1877, a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais de Tomar (SFGP) alcança este ano um número redondo: 140 anos. Para assinalar a data, a instituição realiza uma sessão solene, esta terça-feira, 28, a partir das 21 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar… mas não só.

“Não vamos cingir o aniversário à sessão solene e tudo o que fizermos até setembro vai ter a chancela dos 140 anos da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais”, refere Alexandre Antunes, o atual presidente da direção da SFGP. O responsável promete muitas surpresas e trazer as memórias à cidade do que foi a SFGP no passado.

Sede da coletividade, onde decorrem a maioria das atividades Foto: mediotejo.net

Este ano, a associação já promoveu um concerto de Carnaval a fazer lembrar os bailes que antigamente se faziam na Gualdim Pais. “Apesar do espaço estar ocupado pelos trampolins conseguimos, nestes últimos tempos, com muita imaginação da direção, dos funcionários e dos professores,  transformar o Pavilhão Desportivo num espaço em que dá para fazer concertos, juntar os sócios e ter uma ambiência desses bailes”, refere.

A situação financeira, garante, está mais estabilizada, fruto do cumprimento da tutela em relação às verbas que mensalmente são transferidas para a instituição, o que nem sempre aconteceu no passado. “Não quisemos parar nem sacrificar, em demasia, os professores e os funcionários e contraímos alguns empréstimos que, neste momento, são o que nos pesa. A restruturação financeira da Gualdim Pais tem sido feita lentamente mas acreditamos que com as medidas que temos tomado e com o número de alunos e atletas a aumentar conseguimos recuperar o que nos dá o alento extra”, atesta.

Alexandre Antunes, atual presidente da direção da SFGP (ao centro) na festa dos 139 anos Foto: mediotejo.net

O orçamento anual da Gualdim Pais ronda os 900 mil euros. A instituição emprega 80 funcionários, entre professores e pessoal administrativo e auxiliar.

O responsável acrescenta ainda que todos os dias passam pela instituição 700 a 800 jovens e crianças, fruto do grande leque de atividades que é oferecido desde dança a trampolins, música ou natação. “É muita gente. Mais do que toda a dinâmica é de realçar o nosso corpo docente e de funcionários que aguentaram durante cinco ou seis anos o barco mesmo com insegurança de saber se iam ou não receber ordenado”, atesta, considerando que o Ensino Artístico foi muito maltratado pelo anterior governo.

Aulas de Música são apenas uma das ofertas de ensino artístico da Gualdim Pais Foto: SFGP

Alexandre Antunes considera que “é gratificante” pertencer à direção da SFGP “uma instituição que é acarinhada por todos tomarenses, independentemente de serem sócios ou não”. Refere que até as rivalidades com outras coletividades, como a Nabantina ou o Canto Firme, são um fenómeno “interessante e giro de observar”.

As valências da instituição estão a consolidar-se. Por exemplo, as escolas de Dança e de Música  não só são para manter como estão a desenvolver novos projetos. “Estamos a tentar com o Agrupamento Nuno Santa Maria desenvolver o secundário de dança, que não existe na zona centro”, exemplifica.

Em relação ao Pavilhão Polivalente que está na gaveta há muitos anos, Alexandre Antunes refere que este projeto é uma necessidade para o crescimento da Gualdim Pais embora não seja possível executá-lo neste momento. “Com tanta atividade desportiva e cultural, a SFGP não tem um espaço para mostrar de forma regular o que faz ou ensina”, refere, tendo observado que a associação tem que recorrer a espaços cedidos pela autarquia ou pelo politécnico.

“A Gualdim Pais sente-se prejudicada, de alguma maneira, pela autarquia porque queríamos ter um espaço próprio e não temos mais apoio. Esta seria uma sala de espetáculos aberta a Tomar. Todas as semanas havia atividades para o público. Não devemos ir pelo diapasão de só dizer mal e, quando queremos fazer alguma coisa pedimos ajuda, genericamente, o município tem-nos ajudado a Gualdim Pais e também sabemos que os espaços têm que ser cedidos a outras coletividades”, refere.

Jovens podem aprender natação, através da escola de natação da SFGP, no Complexo Desportivo Municipal Foto: SFGP

Na parte desportiva, a SFGP assume que tem um problema comum a outras associações e que passa por aliciar os jovens a inscreverem-se em algumas ofertas que dispõe. Nos trampolins há adesão, tal como na ginástica.

A Natação, que é a modalidade desportiva mais recente, movimenta cerca de 600 pessoas sob a alçada da SFGP. Também, na competição, começam a aparecer resultados a nível nacional. Mas é no Judo que a SFGP tem a sai maior glória através de Patrícia Sampaio que, em 2016, foi vice-campeã da Europa de Cadetes, a melhor classificação de sempre de um judoca português.

“Ser número 2 da Europa na idade dela, não é de somenos importância”, destaca Alexandre Antunes.

Judoca da SFGP, Patrícia Sampaio, sagrou-se vice-campeão da Europa em 2016 Foto: D.R.

O responsável refere que, para fazer face às lesões dos atletas, a SFGP tem vindo a desenvolver alguns protocolos com médicos e fisioterapeutas para ajudar recuperar mais depressa quem precisa. O presidente da direção da SFGP refere que o judo, neste momento, é uma modalidade que  – contrariamente ao vaticinado quando abriu a secção de Judo do Sporting de Tomar – está em crescimento.

“Temos uma vantagem porque temos a melhor sala de judo do distrito de Santarém, as melhores instalações. Temos feito uma grande aposta nos aparelhos de manutenção. E depois temos os judocas que são excecionais e trazem outros amigos”, atesta.

“A Gualdim Pais está no centro da cidade e há muita gente que não a conhece. Passem nas nossas instalações. É uma coletividade que está viva, sempre a mexer. Estou convencido que se os tomarenses passarem na sede, facilmente se tornam sócios da Gualdim pais e esse é o contributo que  precisamos”.

O facto de existirem outras coletividades centenárias no concelho é, para Alexandre Antunes, “saudável” sendo que atualmente já atuam conjuntamente em certas ocasiões, sem grandes pruridos. “Quando há 140 anos as pessoas abandonaram a Nabantina para virem fundar a Gualdim Pais, a Nabantina também sobreviveu”, exemplificou, recordando o célebre episódio de rivalidade ocorrido na Ponte Velha, onde músicos da Gualdim Pais andaram à pancada com músicos da Nabantina, com instrumentos a irem parar ao rio Nabão.

Trampolins é uma das atividades mais procuradas pelos jovens Foto: D.R.

A Banda Filarmónica continua a ser o pilar da Gualdim Pais. “É o que mais nos orgulha, é a cara da Gualdim Pais. É com muito orgulho que, cada vez que a banda sai e eu vou à frente, sinto o carinho dos tomarenses porque as pessoas não ficam indiferentes.

Quando a banda passa, as pessoas vão atrás”, refere, acrescentando que a “qualidade é reconhecida”.  Alexandre Antunes recorda que fizeram a oferta de um concerto da Gualdim Pais em cada uma das freguesias do concelho o que foi bem recebido pelos autarcas.

Em relação às surpresas prometidas, e sem querer desvendar muito, o responsável da Gualdim Pais realça que vão passar pela organização de torneios a nível desportivo, uma iniciativa que vai ser organizada em parceria com as outras bandas filarmónicas e recriações históricas, inclusive a da picardia entre a banda da Gualdim Pais e Nabantina, entre outras iniciativas de índole desportiva e cultural.

Creche e Jardim-Escola da Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, situada no Casal dos Frades, Choromela foi inaugurada em março de 2009 Foto: D.R.

Em relação à área social, a SFGP oferece as valências de creche, jardim-de-infância e ATL, respostas sociais que estão lotadas. “Temos um corpo de educadoras e auxiliares muito ativo, com vontade de fazer coisas e temos apostado muito na formação e qualificação dos nossos funcionários e corpo docente o que se reflete nas crianças, até mesmo no ATL que é quase como uma fábrica de ideias”, indica.

Para o nosso interlocutor, a melhor prenda de aniversário para a Gualdim Pais seria mais tomarenses fazerem-se sócios desta associação, desfrutando das valências da mesma. “A Gualdim Pais está no centro da cidade e há muita gente que não a conhece. Passem nas nossas instalações. É uma coletividade que está viva, sempre a mexer. Estou convencido que se os tomarenses passarem na sede, facilmente se tornam sócios da Gualdim pais e esse é o contributo que todos precisamos dos tomarenses”, convida.

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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