Na reunião de Assembleia de Freguesia onde foi primeiramente aprovada esta pretensão, estiveram presentes cerca de cem pessoas. Foto: DR

A vontade popular de um grupo de cidadãos de Junceira foi o rastilho, a aprovação em Assembleia de Freguesia a faísca necessária: as localidades de Serra e Junceira iniciaram a luta pelo retomar da sua independência e para poderem voltar a ser de novo freguesias independentes. A proposta popular de desagregação foi aprovada por maioria (5 votos a favor e 4 abstenções) na Assembleia de Freguesia realizada a 20 de outubro, numa sessão que contou com perto de uma centena de cidadãos.

“Esta proposta nasce da vontade popular e foi construída por um grupo de cidadãos da Freguesia da Junceira, pois verificam que no seu dia-a-dia existe um descontentamento generalizado com a situação dos últimos anos da evolução da Freguesia  pelo que, apoiados e motivados pela população local, independentemente de serem recenseados ou não na Freguesia da Junceira, são residentes e, clamam pela desanexação, agindo todos numa voz comum em que se clama para que a Junceira volte a ser Freguesia”, lê-se no comunicado enviado ao nosso jornal.

Na prática, este grupo de cidadãos pretende reverter a agregação à freguesia de Serra, feita na reforma administrativa de 2013, e que se proceda à desagregação dos lugares de Balancho, Cardelas, Carril, Casal do Arroz, Casal de São José, Celão, Fonte Dom João, Hortinha da Junceira, Junceira, Matacão, Maxial, Monte Novo, Moinho da Costa, Outeiro de Pai Mouro, Paixinha, Poço Redondo e Vales, de modo a que estes, no seu conjunto, voltem a ser a Freguesia de Junceira.

Foto: DR

“Querem os Junceirenses, nascidos, recenseados, residentes habituais ou habitantes sazonais, que a Junceira retome a ser uma Freguesia independente, de plenos poderes e direitos, dona do seu destino, recuperando a sua Dignidade e a sua Essência, tal como o têm feito há centenas de anos, em que se comemora o seu aniversário de Freguesia autónoma e independente”, lê-se no documento recebido pelo mediotejo.net.

Sobre o elevado número de pessoas presentes, refere-se na informação enviada ao nosso jornal que se pode ter presenciado um “momento histórico na Junceira”, tendo em conta que “terá sido a primeira vez em que tanta população se reuniu com um único objetivo, verificar se os seus representantes defendiam a sua população, ou seja, o escrutínio popular esteve presente e, saiu satisfeito com o resultado alcançado em função da manifestação de vontade da população aos seus eleitos”.

Para o futuro, o qual irá passar por levar esta pretensão à Assembleia Municipal de Tomar e, posteriormente, à Assembleia da República, o grupo de cidadãos mostra-se confiante:

“Na área da Freguesia da Junceira, a descentralização administrativa e o reforço do papel do Poder Local, é um vetor estratégico de desenvolvimento, pelo que a unificação foi muito negativa e prejudicial às populações da antiga freguesia da Junceira, com esse foco a mesma uniu-se e apresentou a sua vontade popular aos seus representes, vontade esta que irá continuar o seu caminho e, tendo por base os principio e valores democráticos de respeito por esta vontade, estamos certos que os próximos patamares de decisão democrática, Assembleia Municipal de Tomar e Assembleia da República, não nos vão desiludir, nem quebrar a confiança na democracia alicerçada na vontade popular”.

Tendo em conta os Censos de 2011 a freguesia de Junceira contava com 889 habitantes, enquanto Serra era habitada por 1191 cidadãos (total de 2080 entre as duas freguesias). Já segundo os Censos de 2021, a União de Freguesias de Serra e Junceira tem no seu território 1971 habitantes.

Esta vontade de desagregação de freguesias agora expressa em território tomarense ocorreu também recentemente em alguns locais do Médio Tejo, como Abrantes, na União de Freguesias de Alvega e Concavada, e em Alcanena, em específico na União de Freguesias de Malhou, Louriceira e Espinheiro:

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comentário

  1. Juntas de freguesia é tão século passado.
    Municípios é tão século passado.
    Abaixo as duas.
    Viva apenas as regiões administrativas que cuidam de centenas de milhares de pessoas com menos pessoas a meter o bedelho nas decisões.

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