Fértil em barro, a freguesia rural de Asseiceira tem uma história secular ligada à olaria. Considerada uma das mais antigas indústrias, a oficina de oleiro atingiu o seu auge no período neolítico, quando as civilizações passaram a recorrer ao barro como principal matéria prima para confecionar objetos e, assim, revolucionaram a forma de armazenamento dos produtos. Já foram dezenas os oleiros em Asseiceira. Hoje contam-se pelos dedos de uma mão, sendo o mestre Zé Miguel um dos artesãos
Durante a reunião de executivo, o presidente da Câmara, Hugo Cristóvão, sublinhou o valor singular desta tradição, afirmando que o fabrico de talhas “tem um caráter único e específico”.
A vereadora da com o pelouro da Cultura, Filipa Fernandes, lembrou, por sua vez, que o município tem procurado “salvaguardar” aquilo que são as artes tradicionais, muitas delas ligadas à Festa dos Tabuleiros, “para revitalizar aquilo que era essencial para a realização da mesma, na área da cestaria, da olaria, da latoaria, da confeção de flores e de rodilhas”.
“Mas não nos ficamos por aqui. Tentamos, de alguma forma, alargar aquilo que é o nosso trabalho de salvaguarda do nosso Património Cultural Imaterial e, neste caso, faz-nos sentido que este processo, o fabrico das talhas de barro vermelho da freguesia da Asseiceira, que tem cerca de três séculos de existência, seja de alguma forma preservado e que tenha um olhar mais atento e mais cuidado por parte do nosso município e, quem sabe, até a nível nacional”, acrescentou a vereadora.
A autarca destacou ainda que se trata de “um saber-fazer artesanal enraizado na nossa tradição popular”, justificando a classificação “pela questão do valor cultural e histórico, uma vez que a tradição local do fabrico de talhas representa uma memória viva da comunidade rural do concelho de Tomar”.
Filipa Fernandes frisou também a singularidade desta arte. “Relativamente à identidade e continuidade, constitui um saber-fazer único local, com umas características bastante distintas daquilo que é feito a nível nacional. O fabrico pelo nosso conhecido artesão Zé Miguel é único e por isso mesmo merece, de alguma forma, este interesse municipal também pelo caráter de urgência e salvaguarda. O número de artesãos que trabalham esta técnica encontra-se em declínio e, portanto, também aqui esta preocupação para salvaguardar esta arte”.
A vereadora sublinhou ainda o potencial turístico desta tradição. “Queremos fazer a valorização e a divulgação desta prática para ter, de alguma forma, reflexos práticos na área do turismo cultural e uma promoção de identidade local e de autenticidade do município de Tomar”.
Ainda durante a reunião do executivo, Filipa Fernandes anunciou que está em curso a requalificação da Escola da Charneca da Peralva, que servirá para “uma futura escola de olaria, um museu de olaria e também um encontro dos nossos artesãos locais, quer na arte mais tradicional, quer na arte mais criativa”.
A autarca revelou ainda que o município está a trabalhar num livro sobre a olaria, mais centrado no território de Paialvo, dedicado ao artesão Celestino Marques, “muito conhecido no nosso território”.

