“Todos os Rostos que Amo se Parecem”, oriundo do Brasil, é um dos filmes que vai estar em concurso no Festival Planos, em Tomar. Foto: DR

A sexta edição do Planos – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Tomar vai tomar conta do Cine-Teatro Paraíso, em Tomar, entre os dias 23 a 27 deste mês, apresentando 39 curtas-metragens, 25 das quais a concurso. O mediotejo.net falou com Paulo Graça, um dos organizadores desta iniciativa, que explica como o Planos pretende continuar a cruzar olhares e culturas – no fundo, ser uma “espécie de janela diferente para olhar o mundo”.

O festival nasceu em 2016 – depois de um convite do município de Tomar – e apresenta-se agora para uma nova edição, sempre com uma “perspectiva de crescimento” em relação às edições anteriores.

“Acho que começámos muito pequeninos – e em parte ainda considero que somos um festival pequenino, apesar de sentir que somos grande em conteúdo – e a pouco a pouco temo-nos vindo a afirmar como um evento para celebrar o culto do cinema em curta-metragem, no Interior do país”, considera Paulo Graça. O objetivo, diz, é continuar a cativar cada vez mais públicos, mais sessões e mais e melhores conteúdos.

Paulo Graça e Pedro Caldeira, organizadores do festival. Foto: Tripé

Todos os anos são acrescentadas novidades (sessões especiais ou dedicadas aos mais pequenos) e este ano não é exceção, desde logo pelo próprio lançamento do festival, em que a inauguração vai ser feita com um concerto do artista Rapaz Improvisado (alter-ego de Leonel Mendrix), que improvisa musicalmente a projeção de imagens.

“Desafiámo-lo a fazer uma coisa diferente. Em vez de serem as imagens que ele normalmente projeta, serem filmes que marcaram a história do festival até agora. Portanto ele basicamente vai estar em palco, vão ser projetadas imagens de filmes que venceram algum prémio em edições anteriores do festival ou que de algum modo marcaram a história do festival, e ele vai improvisar sobre essas imagens. Vai ser um concerto único, que é irrepetível, pois estas coisas nunca acontecem da mesma forma”, frisa Paulo Graça.

Outra das novidades é que o “Planinhos”, dedicado aos mais pequenos, chega este ano em dose dupla: “Sentimos que a adesão foi tão boa no ano passado – tivemos 400 crianças presentes – que vamos também tentar dobrar esse número. E acho que para as crianças é sempre uma sessão fantástica, e é incrível porque, à semelhança do que aconteceu no ano passado, também este ano vamos iniciar muitas dessas crianças na prática do cinema. Portanto, a primeira vez que a maioria destas crianças vai ao cinema será no Planos, para ver curtas-metragens, que é uma coisa que não há no [cinema] convencional, e acho que é importante por causa disso”, considera Paulo Graça, designer gráfico de profissão e cineasta/realizador nas horas vagas.

Vão ser 25 as curtas-metragens a concurso. Imagem: Planos

Este é também um dos grandes motes do festival, a possibilidade de o público assistir a curtas-metragens, tendo em conta a sua pouca disponibilidade em sala. Conforme refere também um dos criadores do festival, quem quiser ver curtas tem de ir a festivais de cinema, ou assistir através da Internet ou em serviços de streaming, tendo em conta que não existe uma grande oferta comercial.

“E é aí que o Planos também entra, para tentar colmatar essa falta de oferta que muitas vezes existe no cinema de curta-metragem. Vamos por esse caminho e mostramos algo diferente às pessoas, que não estão tão acostumadas a ver. É preciso também mostrar coisas diferentes às pessoas, para as enriquecer em termos culturais. Acho que é um bocado o objetivo do Planos”, explica ao nosso jornal.

“Ao mesmo tempo, também é uma maneira de nós mostrarmos um pouco mais do mundo – porque não temos apenas uma perspetiva comercial, como o cinema de Hollywood, não é esse o objetivo – pelo que aqui existe uma abrangência cultural enorme também em termos de países, e o Planos surge mesmo como esta espécie de janela que olha o mundo, que cruza diversos olhares e mostra várias culturas e identidades a que muitas vezes o espectador nunca teria acesso numa sala de cinema normal”.

Para isso, o festival vai contar com 39 curtas-metragens – embora só 25 estejam em competição, sendo as restantes apresentadas em sessões especiais – oriundas de 13 países. Mas não foram 39 as películas candidatas recebidas, foram centenas, embora este ano o número tenha reduzido ligeiramente, situação que Paulo Graça considera ter sido provocada pela pandemia.

Este ano o “Planinhos” conta com duas sessões. Foto: Paulo Martinho

No entanto, o número é “bastante grande”, o que acaba por envolver uma curadoria “enorme” numa seleção que dura “ainda uns bons meses” até se chegar ao número final, neste caso 25 curtas-metragens, explica Paulo Graça.

De 2016 para cá, a organização sente um “crescimento saudável”, possível através de “pequenos degraus” que fizeram com que o festival fosse crescendo, sendo que “todos os anos conseguimos bater recordes de público, e esperemos que este ano aconteça novamente”, diz.

A marca do festival, essa é indelével. Nas últimas cinco edições foram mais de 180 filmes em representação de mais de 40 países, os que foram mostrados em Tomar, o que são “números ótimos, em representação daquilo que gostamos de dar à cidade, no panorama cultural, naquilo que tentamos implementar na cidade”, considera Paulo Graça.

“Mas também é incrível ver que muitas destas obras estrearam-se em festival através do Planos. Lembro-me que na primeira edição quase todos os filmes internacionais eram estreias nacionais e isso continuou a ser assim. Este ano temos também muitas estreias nacionais na seleção, e isso é ótimo”, acrescenta ainda o designer gráfico.

Outro destaque é a parceria que perdura há vários anos, praticamente desde a primeira edição, com o Leiria Film Fest – mais visível através de uma sessão especial no dia 26 – sendo que Paulo Graça considera que também “é necessário haver esta irmandade entre dois festivais de cinema que estão num nível talvez acima da média, e é ótimo ver isto a acontecer e ver estas sinergias a funcionar”.

O Cine-Teatro Paraíso tem cerca de 400 lugares, à disposição entre 23 e 27  de novembro de todos aqueles que queiram ir conhecer novas visões e culturas através da “espécie de janela que olha o mundo”. As entradas são gratuitas.

Pode encontrar mais informações AQUI.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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