A partir deste ano, a Festa Templária, realizada pelo Município de Tomar em parceria com o IPT e Convento de Cristo, vai passar a realizar-se no segundo fim-de-semana de julho, evocando o cerco de 1190, promovido pelas tropas do rei de Marrocos, Almansor, anunciou a Câmara de Tomar.
Este evento, durante os primeiros anos realizado no final do mês de maio, sem ligação a uma data histórica, fica a partir deste ano ligado ao facto historicamente reportado de, em 1190, as forças muçulmanas terem efetuado um forte contra-ataque, fazendo recuar os portugueses, desde o Algarve até ao rio Tejo.
Nessa grande investida, conquistaram e saquearam castelos e povoações por todo o Alentejo e Ribatejo. A 13 de Julho, novecentos guerreiros árabes chefiados por Almansor cercaram o Castelo Templário de Tomar. Lá dentro, cerca de duas centenas de defensores eram comandados por um velho guerreiro, de 72 anos, o Mestre Gualdim Pais.
Os invasores saquearam os campos do vale do Nabão e durante seis longos dias cercaram o castelo, fazendo várias tentativas para o conquistar. Chegaram a conseguir transpor a porta de Almedina que, nesse tempo, dava acesso à povoação dentro das muralhas.
Os cavaleiros templários foram ao seu encontro e lograram repelir o ataque, mas o combate foi tão violento que, a partir daí, a porta de Almedina passou a chamar-se Porta do Sangue.
Foi em Tomar que se travou o contra-ataque árabe de 1190, graças à valentia de Mestre Gualdim e dos seus cavaleiros, sendo este o mote para a Festa Templária, que este ano se realizará entre 7 e 10 de Julho.
Para a concretização desta grande Festa, a autarquia apela ao empenho das freguesias do concelho de Tomar, bem como de inúmeras associações, “parceiros” base da sua realização, de forma a garantir o tradicional desfile Templário de sábado à noite, sendo que este ano será em homenagem ao Mestre Gualdim na sua igreja matriz de Santa Maria dos Olivais. A Feira terá início no dia 7, quinta-feira.
A recriação do assalto à porta de Almedina, a realizar no domingo da Festa Templária, inclui as evocações já realizadas em 2010 e 2015, com a promoção e participação do Município e do Convento de Cristo, da Associação Templ’anima e da ADIRN, que recordaram a todos a importância que teve, para a consolidação da nacionalidade portuguesa, este último cerco muçulmano.
De acordo com a autarquia, “a nova Festa Templária concretizará a estratégia, desenvolvida pelo Município, de criação da rede europeia de cidades Templárias, em que Troyes (França), Ponferrada (Espanha), Monzon (Espanha) e brevemente Perugia (Itália), são já parte deste vasto mundo de saberes ancestrais, onde Tomar é um dos seus símbolos maiores”.
