Foto: DR

O município de Tomar prossegue com a demolição dos edifícios restantes na zona do Flecheiro, tendo recentemente avançado com a demolição das antigas instalações da Artom e da serração de mármores, bem como de mais quatro barracas, naquele que é “mais um passo importante” para a concretização do projeto de três milhões de euros para a reabilitação do Flecheiro que a Câmara de Tomar pretende realizar, disse ao nosso jornal Hugo Cristóvão (PS), vereador e vice-presidente da autarquia.

“Depois de um processo que tem vindo a ocorrer, em que fomos adquirindo estes edifícios para ir demolindo – estes dois representam isso mesmo, representam os últimos edifícios, e na verdade são os maiores – que agora são demolidos. Conjuntamente, são demolidas mais quatro barracas, que estavam precisamente contíguas a estes edifícios e entretanto também já devolutas, no sentido em que também já tínhamos retirado as famílias que as ocupavam. Portanto, este é, no fundo, mais um passo muito importante para esvaziar todo o espaço do Flecheiro, nomeadamente na zona que pretendemos intervir, e se correr bem cujas obras começarão ainda este ano”, disse Hugo Cristóvão ao mediotejo.net

Vereador Hugo Cristóvão (PS), explica os trabalhos agora realizados.

Fica ainda a faltar a demolição de dez barracas, ou seja dez agregados familiares (cerca de 30 pessoas) que ao longo das próximas semanas também irão sair e ser realojadas.

Paulatinamente, o município tomarense foi procedendo ao realojamento de 250 pessoas que habitavam em barracas na zona do Flecheiro. Atualmente faltam realojar cerca de 30. Foto: DR

O plano originalmente traçado pelo município previa que esta ação de realojamento estivesse concluído até ao final deste verão/início de outono, mas o processo “provavelmente arrastar-se-á um bocadito”, revelou Hugo Cristóvão, tendo feito notar que a autarquia não quer ultrapassar muito essa data.

“É verdade que neste momento estamos um pouco em cima mas, enfim, de facto arranjar soluções de habitação para todas estas pessoas não tem sido sempre fácil”, afirmou o autarca, recordando que todo o processo “foi feito sem apoios de qualquer ordem que não o Orçamento Municipal”, e que o mesmo envolve recuperação de casas nos bairros sociais e aquisição de outras habitações fora dessas localizações, uma vez que é também objetivo não colocar estas pessoas realojadas todas no mesmo sítio.

Autarca fala sobre o “timing” e o realojamento das pessoas.

Hugo Cristóvão explicou que parte da intenção do processo também tem sido sempre a de “não deslocar meramente as pessoas de sítio e de não as colocar todas no mesmo local, antes pelo contrário, repartir por vários locais”, enfocando as vantagens dessa ação, especialmente no que respeita às crianças:

“Porque não é apenas uma questão de habitação, há toda uma questão social a montante e a jusante, e essa demora mais tempo e vai ser trabalhada, para que estas crianças cresçam com outras crianças, com outros horizontes de vida, e para que isso aconteça é muito importante que não estejam todos juntos mas que estejam diluídos na comunidade em geral”, explicou o eleito socialista.

Embora conceda que não tenha sido “assim tão fácil” encontrar as soluções de habitação necessárias, Hugo Cristóvão revelou que o processo está prestes a ficar concluído, sendo que as soluções habitacionais para as dez famílias remanescentes “estão praticamente todas encontradas”, mas que ainda demorarão algum tempo, uma vez que o município se encontra a terminar algumas obras, bem como ainda está em processo de aquisição de, pelo menos, duas habitações.

Este grande empreendimento levado a cabo pelo município de Tomar visa assim “dois grandes objetivos”, destacou Hugo Cristóvão, desde logo pela vertente social e para “limpar esta nódoa da nossa cidade que era ter duas centenas e meia de pessoas a residir em barracas num enorme gueto, às portas da cidade, que era também para além da questão social, um péssimo cartão de visita para quem nos visitava e para todos nós tomarenses”, bem como para reabilitar “um espaço muito nobre da nossa cidade”. Portanto, “transformar as barracas do Flecheiro no jardim do Flecheiro”.

Hugo Cristóvão explica os dois “grandes objetivos” do empreendimento.

“Portanto o que queremos fazer, e é o que está projetado, é uma grande zona verde, um espaço ribeirinho, que vai permitir a toda a população e a quem nos visita, poder fruir desse espaço e realmente transformar-se numa grande zona de lazer na nossa cidade”, concluiu Hugo Cristóvão, que relembrou que o projeto – que contempla também a criação de uma grande bacia de escoamento de águas para o caso de uma cheia – já foi aprovado e tem financiamento está garantido, sendo que, entretanto, vai decorrer o concurso para a empreitada.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comentário

  1. Obrigado pela oferta de poder comentar, pois me parece já tarde todo este processo vir a acontecer
    mas nunca é tarde, penso que este espaço será uma excelência depois de preenchido com espaços verdes comercio tipo Vasco da Gama, Campera, e outros espaços que existem no pais só isto
    Obrigado

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