Câmara Municipal de Tomar. Foto: mediotejo.net

O vereador Hugo Cristóvão começou por explicar que este é um reinício do procedimento, e que no fundo não existe nada de novo, que os princípios e os objetivos são os mesmos, os de criar uma área empresarial – a qual ficou prevista no Plano Diretor Municipal – mas que “a par com outros mecanismos de gestão do território que temos vindo a mexer e a trabalhar, ainda não conseguiu ganhar mais velocidade. Esperemos que a partir deste ponto o possa fazer. É um plano complexo, porque obriga a um conjunto de trabalhos nomeadamente um estudo de viabilidade económica que vai demorar algum tempo, mas que é realmente muito necessário”, explicou.

Por parte da oposição, a vereadora Lurdes Fernandes (PSD), disse que não se tratava de meros formalismos, sublinhando que se trata de uma “matéria extremamente estratégica do nosso concelho”, naquele que é um plano de pormenor para acolher uma centro empresarial numa área que foi eleita para atratividade das atividades económicas, tendo em conta que a atual zona industrial não tem condições para ser expandida.

A eleita pelo PSD referiu ainda que este plano de pormenor já tinha vindo a reunião camarária em janeiro deste ano, altura em que a vereação da oposição deixou desde logo patente a ideia de que existe “pouco interesse da Câmara em dar continuidade aos procedimentos”, tendo feito notar que, desde o início do plano, em 2019, decorreram três anos sem que se tenha elaborado “qualquer procedimento”.

“Perdemos aqui quatro anos (…) não existe alinhamento entre a urgência da concretização desta área de localização empresarial tão importante e necessária para o concelho, não há alinhamento com a estratégia e os procedimentos que a Câmara nestes últimos anos tem estado ou não estado a determinar”, afirmou ainda a eleita social democrata.

Hugo Cristóvão explicou depois que nestes procedimentos não basta “carregar no interruptor” e que mesmo para se carregar num interruptor existe toda uma rede elétrica que é preciso criar primeiro. “De facto seria fácil se muito deste trabalho tivesse sido feito ao longo dos anos, mas durante vários anos o planeamento esteve parado”, disse o também vice-presidente do município, lembrando que só existem duas técnicas a trabalhar em planeamento, “o que é muito pouco mas é o possível neste momento”.

Não obstante, o autarca desafiou a oposição a encontrar uma Câmara na região e até no país que “nestes últimos anos tenha feito tanto em planeamento” como a autarquia tomarense.

“Avançar com todos estes procedimentos, ainda mais quando estamos dependentes – para todos eles – das diversas e muitas entidades que nos tutelam, consoante as áreas e consoante as opiniões do dia ou do mês ou do técnico que naquele dia nos recebe, não é de facto fácil. E percebo que muitos desistam, nós não temos desistido, continuamos a fazê-lo e continuaremos a querer fazê-lo”, afiançou Hugo Cristóvão.

O autarca fez ainda menção ao trabalho preparatório que foi feito ao nível da análise do território, da identificação de proprietários, naquela que é uma “série de outros trabalhos que são complementares mas que são morosos”. No entanto, em termos de trabalho formal dos documentos “não foi possível avançar muito. As técnicas não estão paradas mas não conseguem chegar a todo o lado”, disse Hugo Cristóvão.

A vereadora social democrata não desarmou e afirmou mesmo que neste momento se voltou à “estaca zero”.

O vereador Tiago Carrão (PSD) interveio igualmente, defendendo que estes prolongamentos no tempo são uma “eternidade” para potenciais investidores, exemplificando depois com o concelho de Ourém, o qual “já avançou ainda este ano com um investimento de quase quatro milhões de euros para infraestruturas numa zona industrial”:

“Isto quer se queira quer não estamos sempre numa lógica de competitividade. É óbvio que também há sinergias e também há parcerias com os concelhos da região e dentro da Comunidade Intermunicipal em particular, mas não deixamos de estar a competir”, sendo que uma empresa que pense em optar entre Vale dos Ovos ou pela Freixianda”, opta pela que tem um espaço de tempo previsível (Freixianda) ao invés de uma que é de uma “imprevisibilidade brutal” (Vale dos Ovos), defendeu o edil.

Sobre esta questão, o vereador social democrata Luís Francisco lamentou igualmente que não se avance mais rápido, lembrando que está em risco a viabilidade de um projeto onde se tem vindo a gastar recursos e dinheiro dos contribuintes.

O vice-presidente da autarquia defendeu que não se está na estaca zero mas sim “muito para além disso”, e que “as coisas têm o seu devido timing, quer técnico, quer político”, explicando Hugo Cristóvão que o que condicionou todos os outros planos foi a aprovação do PDM (Plano Diretor Municipal).

O ponto acabou por ser aprovado por maioria (PS), com os votos contra da vereação do Partido Social Democrata.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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