Está marcada para sexta-feira, dia 16 de setembro, às 14h30, no tribunal de Castelo Branco, mais uma audiência do julgamento de Nelson Afonso, o engenheiro eletrotécnico que assumiu a autoria de 15 crimes de incêndio florestal registados entre 2017 e 2020 na zona da Sertã e concelhos limítrofes.
O arguido de 39 anos começou a ser julgado no dia 29 de abril de 2021, mas dada a complexidade do processo e o número de testemunhas, terá de haver mais algumas audiências antes das alegações finais e da leitura do acórdão.
No processo há 12 assistentes e dois demandantes, entre os quais estão proprietários das florestas que arderam. O advogado de defesa é Jacob Simões, de Coimbra.
Logo na primeira sessão de julgamento, o arguido manifestou a intenção de prestar declarações e assumiu a autoria de 15 dos 16 incêndios de que era acusado pelo Ministério Público.
Nelson Afonso está preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco desde o dia em que foi detido pela Polícia Judiciária em julho de 2021.
Foi o culminar de uma exaustiva e complexa investigação da PJ cuja principal pista eram os engenhos incendiários com temporizadores que foram encontrados na área dos incêndios.
No início do julgamento, Nelson Afonso manifestou arrependimento pelos atos que praticou: “Estou arrependido pelos danos materiais e pessoais que fiz”. Para justificar os seus atos, afirmou que sentia “inquietude, ansiedade, insónias e vontade de ver fumo”.
Por isso, o advogado de defesa solicitou uma perícia médica ao arguido que pode resultar na sua inimputabilidade.
Segundo o Ministério Público, o engenheiro eletrotécnico está acusado de ter ateado 16 fogos florestais na Sertã e concelhos vizinhos com recurso a engenhos incendiários com temporizadores, durante quatro anos. Pelas contas do MP, terá provocado a destruição de 63.914 hectares de floresta, que representam prejuízos diretos a ascender os 196 milhões de euros. O Estado exige uma indemnização superior a 4 milhões e 400 mil de euros.
NOTÍCIA RELACIONADA
Estado exige mais de 4 milhões de euros a “engenheiro incendiário”
