O Cais do Bonito foi assaltado pela segunda vez em duas semanas. Foto: Facebook Cais do Bonito

A (in)segurança na cidade do Entroncamento voltou a ser tema na reunião de executivo de terça-feira, dia 21 de junho, após o recente assalto sofrido pelo Cais do Bonito, o segundo no espaço de uma semana. A vereação PSD voltou a pressionar quanto à questão da instalação de videovigilância e Jorge Faria (PS), presidente da autarquia, afirmou que o município está a procurar, juntamente com as forças de autoridade, corrigir estas situações.

O assunto foi levado à reunião por Rui Gonçalves, vereador do PSD, o qual lamentou o segundo assalto ao Cais do Bonito – uma esplanada no interior do Parque Verde do Bonito – “o segundo em muito pouco tempo que pelos vistos vai provocar a desistência do locatário que lá está de manter o espaço”, disse Rui Gonçalves.

Na sua página de Facebook, o Cais do Bonito escreveu que iria encerrar temporariamente: “Após um segundo assalto num espaço de 15 dias, achamos que não existem condições de segurança no parque para continuar com o nosso trabalho. Infelizmente neste momento não temos outra solução. Esperamos voltar brevemente com mais força para vos receber!”, lê-se numa publicação datada do dia 18 de junho.

“Mas este assalto, além disto tudo, teve contornos verdadeiramente macabros”, referiu ainda Rui Gonçalves, que afirmou que uma das tartarugas que habitavam aquele local foi “brutalmente assassinada”.

“Romperam a carapaça da tartaruga e mataram a tartaruga e só não mataram a segunda porque entretanto vinha alguém e as pessoas fugiram. Efetivamente temos de ver o que se pode fazer neste espaço um bocado isolado da vista normal. Se calhar este seria um bom sítio para instalar a videovigilância”, apontou.

O PSD voltou a questionar sobre a implementação de videovigilância. Foto ilustrativa: Pixabay

O líder do município entroncamentense, Jorge Faria (PS), considerou que o assalto é “obviamente lamentável”, sublinhando depois que o município dá conta de todas essas situações à polícia e que se está a procurar juntamente com as forças de autoridade corrigir as mesmas.

Por sua vez, Rui Madeira (PSD) abordou também a questão, considerando que a decisão dos responsáveis em abandonar a exploração comercial daquele espaço é “uma pena”, uma vez que a zona onde o espaço comercial está inserido (Parque Verde do Bonito) “necessita de um apoio dentro deste género”, e que o mesmo valoriza e leva pessoas ao parque.

O “cancelamento” destes investimentos e destas atividades “para nós é preocupante”, declarou ainda o vereador, referindo que tais situações levam “inclusivamente a pensar que deveremos ter aqui assim alguma preocupação sobre a cultura de cancelamento deste tipo de atividades que eventualmente poderá vir a surgir no futuro se não se tomarem medidas adequadas para prevenir esta situação”.

O vereador afeto ao PSD relatou ainda que vários moradores da rua da Barroca lhe fizeram chegar um conjunto de observações sobre incidentes relacionados com ralis, até porque “situações anteriores levaram a acontecimentos dramáticos que ainda estão bem presentes na nossa memória, e portanto nós gostávamos de dar aqui eco das preocupações dessas pessoas que eu penso que são nossas preocupações, são preocupações de todos nós e portanto fazer chegar aqui esses aspetos”, afirmou, referindo-se ao fatídico acidente de 28 de janeiro no cruzamento entre a Rua da Barroca e a Rua da Maruja, que vitimou uma menina de 4 anos.

“Também há relatos de algumas pessoas que são assaltadas, junto às caixas multibanco, e que sofreram extorsão em parques de estacionamento dos supermercados. São situações preocupantes que nós também não podemos deixar de referir aqui, fizemos bem há pouco tempo uma reunião de Assembleia Municipal sobre as questões da segurança, foram colocados aqui em cima da mesa alguns aspetos, algumas preocupações, mas a verdade é que nós temos que ser mais incisivos nestes aspetos, nestas situações”, defendeu Rui Madeira.

O vereador social democrata questionou ainda em que pé se encontrava a situação do sistema de videovigilância, e se o conselho municipal de segurança já reuniu para analisar estas questões relacionadas com a (in)segurança na cidade, referindo que ainda não deu conta da atividade deste conselho, a qual “parece-nos importante para identificar os problemas, equacionar as soluções (…) e achamos que tem um papel importante, um papel decisivo, em tudo aquilo que é a parte de diagnóstico e de solução para os problemas da (in)segurança”, defendeu.

Jorge Faria respondeu depois que caso os vereadores tomem conhecimento de alguma situação concreta, devem comunicar por escrito e fazê-lo também para a PSP.

“Ora estes arautos da desgraça com ‘há relatos’, e depois referem sempre a mesma situação que infelizmente aconteceu no bar do Bonito, penso que é um pouco não querer dar contributos sérios para um problema que nós tratamos com toda a seriedade e desde sempre procuramos desenvolver medidas preventivas e de intervenção para que não ocorram na nossa cidade”, apontou o autarca socialista.

Quanto ao conselho municipal de segurança, Jorge Faria referiu que o processo se encontra atrasado, embora o regulamento já esteja para publicação. “Lamentavelmente, todo aquele processo que decorreu ao nível de procurar uma redação diferente para a composição do conselho municipal de segurança – em que o PSD foi protagonista ativo nesse processo – está a atrasar o início dos trabalhos do conselho municipal de segurança, e portanto é bom que tenhamos a memória das realidades”, declarou Jorge Faria. 

Relativamente ao sistema de videovigilância, o presidente do município referiu que já foi enviado um ofício para o comando distrital da PSP manifestando o interesse da autarquia em iniciar o processo, pelo que está a ser agendada uma reunião para breve.

Questão da segurança na cidade foi tema em recente debate na Assembleia Municipal do Entroncamento

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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1 Comentário

  1. Quanto à vídeo-vigilância não fará diferença na prática, porque não será, aparentemente, monitorizada em tempo real, ou seja: os estragos vão se dar na mesma, e não vai aparecer ninguém para os interromper e assim reduzir os danos & reduzir a quantidade de objectos furtados.
    Dizem que deverá ajudar nas investigações posteriores, mas tendo em conta o quanto os tribunais gostam de deixar a malandragem à solta mesmo com as provas todas, é só dinheiro deitado para o lixo.

    Aprendam comigo: para maior protecção contra furtos e vandalismo precisam de humanos, que se preocupem de facto, e que no mínimo chamem a polícia se outro tipo de intervenção de cidadania individual não for possível com os meios à disposição no momento.

    Quanto ao Parque Verde do Bonito, é simples: pelo menos uns 3 vigilantes em simultâneo 24h/ 365d a circular no espaço (para terem capacidade de se defenderem e ser uma presença mais “musculada”, mesmo que a sua função seja chamar a polícia, mas se decidirem atacar o vigilante, já não é só 1, são 3, já fará o(s) atacante(s) pensar(em) melhor, e o vigilante tem mais possibilidades de sobreviver), eventualmente com cães de guarda, e gás pimenta & tasers (que são as armas que a lei portuguesa permite de momento para os vigilantes se tentarem protegerem), para o caso de aparecer pessoal mais atrevido. Disse que era simples, não disse que era barato! E claro que a ideia não é só protegerem o dito bar, o dinheiro gasto nos vigilantes não é de forma alguma compensado pelo lucro do mesmo, mas para passar maior tranquilidade nesse espaço inteiro.
    Se tiver vídeo-vigilância vou-me sentir observado, mesmo que ninguém esteja de facto a ver, e tal não me vai dar mais segurança, pois se algo acontecer, não vai aparecer ninguém de imediato para socorrer: alguém tem de lá estar, não basta ver à distância. E se alguém for atacado e ninguém estiver lá, pode até morrer e depois ora bolas para a vídeo-vigilância que para a pessoa atacada foi inútil.

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