Portugal vive o ano mais seco desde que há registos, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Neste momento, todo o país está em estado de seca severa ou extrema e, “sendo o quinto ano com precipitação abaixo da média, esta situação de seca torna-se a mais grave deste século”, afirmou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, após a 10ª reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que se realizou esta sexta-feira, 22 de julho.
Ao lado da ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, anunciou que foi negociado com os empreendimentos turísticos do Algarve uma redução imediata do consumo de água, sobretudo na rega de campos de golfe e espaços verdes.
No contexto atual do país, que é “grave”, é urgente a poupança de água “por parte de todos”, frisou o ministro do Ambiente.
Mantêm-se as restrições na produção hidroelétrica e todas as 78 medidas já apresentadas pelo governo, desde fevereiro, entre condicionamentos ao uso de água e soluções para disponibilizá-la nos territórios mais afetados, nomeadamente com recurso a autotanques.
Foram também anunciadas obras para reforço de albufeiras de barragens em Trás-os-Montes.
A água para consumo humano “está assegurada”, garante o governo, apesar de todas as bacias hidrográficas estarem abaixo da capacidade média dos últimos 30 anos – algumas deles atingiram mesmo o chamado “nível morto”, como é o caso da barragem de Campilhas, em Santiago do Cacém, que está apenas com 3% da sua capacidade total, ou a barragem da Bravura (Lagos), com 12% da sua capacidade.
No caso das Albufeiras dos Aproveitamentos Hidroagrícolas, das 44 albufeiras monitorizadas, 37 asseguram campanha de rega para 2022 e 7 albufeiras apresentam limitações (Bravura, Santa Clara, Campilhas, Fonte Serne e Monte de Rocha, Arcossó e Vale Madeiro).
A ministra da Agricultura anunciou que hoje foi aberto um novo aviso (PDR2020) destinado a apoiar a agricultura de precisão e eficiência no uso de recursos, com uma dotação 24,5M€ (as candidaturas decorrem até 30 de setembro).
*C/Lusa
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