A afirmação feita pelo autarca vem no seguimento do chumbo, por parte da Assembleia Municipal de Tomar, da atualização do tarifário da empresa intermunicipal para o ano de 2025, o que levou o presidente de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, a anunciar que o concelho oureense pondera sair da Tejo Ambiente.
O autarca tomarense começou por recordar a abstenção por parte dos vereadores do PSD, quando o assunto foi votado em reunião do executivo municipal, atitude que considerou ser “responsável”. No entanto, Hugo Cristóvão afirma “não poder dizer o mesmo” sobre o sucedido na Assembleia Municipal.
“Estamos a falar de seis municípios e de impacto na vida dos cidadãos de seis municípios, ainda por cima com muita demagogia à mistura. Eu sei que estamos em ano de eleições, mas de facto não deveria valer tudo. Portanto eu não gosto muito de adjetivar, mas neste caso tenho que o fazer pelos mínimos, que é dizer que houve, no mínimo, grande irresponsabilidade, grande imaturidade na forma como a discussão foi feita”, afirmou.
Hugo Cristóvão afirma “não conseguir perceber” a decisão daquele que é o “maior partido da oposição”. O resultado da decisão irá agora “piorar aquilo que eram as condições que o Conselho de Administração, portanto os seis presidentes de Câmara, tentaram garantir para as suas populações, que era um acréscimo menor do que aquele que vai acontecer”.
Relativamente ao aumento, o responsável autárquico afirma que rondará cerca de 0,80 cêntimos a mais na fatura da água para os consumidores, valor que dependerá do escalão. Hugo Cristóvão recordou ainda que a decisão pode colocar em causa a “própria existência ou a permanência” na Tejo Ambiente, sublinhando o anúncio do presidente da Câmara Municipal de Ourém, segundo o qual o concelho oureense pondera sair da Tejo Ambiente (AQUI).
“É preciso que os responsáveis políticos em Tomar e a comunidade perceba isto… se a Tejo Ambiente amanhã terminasse, o maior prejudicado seria o concelho de Tomar, seria o município de Tomar, seriam os cidadãos de Tomar”, afirma Hugo Cristóvão.

“É aquele que fica em piores condições para no dia seguinte fazer aquilo que tem que ser feito, que é prestar um serviço às populações de água, saneamento e resíduos sólidos indiferenciados. Portanto, para continuar a prestar esse serviço, seria seguramente aquele que ficaria em piores condições, porque é preciso ter recursos, é preciso ter estrutura, é preciso ter financiamento, é preciso prestar esse serviço. Portanto, imagine-se e tenha-se esse exercício mínimo de reflexão, de perceber o que é que aconteceria se efetivamente amanhã a Tejo Ambiente se extinguisse”, explicou o socialista.
O vereador social-democrata, Tiago Carrão, afirmou que a “viabilidade da Tejo Ambiente” não foi tema da Assembleia Municipal, mas sim o aumento tarifário, tendo explicado o voto contra por parte da bancada do PSD.
“O próprio presidente da Assembleia Municipal (…) referiu claramente que não era obrigatório que aquele voto contra se traduzisse no aumento previsto pela ERSAR, até porque naquela que era a documentação da Assembleia Municipal e este é o ponto central, existia uma troca de e-mails, nomeadamente o diretor delegado da Tejo Ambiente, onde referia que as contas previstas (…) davam uma redução do tarifário”.

“Havendo essa possibilidade, é legítimo questionarmo-nos a nós, tendo em conta que ao longo dos últimos anos tem sido sempre exigido mais aumentos, inclusivamente um aumento muito significativo, (…) se realmente aquele aumento era necessário e pôr essa situação em cima da mesa”, afirma.
Tiago Carrão garante que não se trata de “demagogia”, mas sim de “defender os interesses dos tomarenses”. “Demagogia seria vir aqui com outro tipo de conversas ou outro tipo de populismos, um pouco também à semelhança do que tentou aqui fazer”, acrescentou.
Relativamente à troca de emails que suscitou dúvidas na Assembleia Municipal, Hugo Cristóvão afirma que “é totalmente descontextualizada, vir retirar uma frase de que na verdade vem do parecer da ERSAR, por causa de uma parcela na fórmula de cálculo e com isso poder vir falar em números negativos e em contas negativas, como se isso fosse, de facto, possível”.
“Aquilo que eu disse em reunião de Câmara e em reunião de Assembleia e repito, foi que legal e formalmente sim, é possível tomar outra decisão. Mas na prática e sim para a questão da viabilidade, não é. Primeiro porque essa decisão ia demorar mais dois ou três meses, era preciso os órgãos da Tejo Ambiente voltarem a deliberar, voltar a enviar parecer para a ERSAR, voltar a esperar a resposta, voltar a vir ao aos órgãos…. Portanto, passavam-se mais 2 ou 3 meses”.
“Depois a questão da viabilidade… mas alguém que pense um segundo sobre o assunto acha que uma empresa, volto a referir totalmente intermunicipal, (…) na qual obviamente todos os custos de operação aumentaram, dos recursos humanos aos energéticos, tudo aumenta, mas era possível baixar aquilo que é a receita?”, acrescentou o socialista.
“Todos gostávamos, obviamente, de pagar menos… pela água, pelos resíduos, pelo saneamento… Mas a verdade é que a empresa (…) tem que ter a capacidade de sustentar das suas receitas aquilo que são as suas despesas e pelo meio ainda poder fazer os tais investimentos para renovar condutas, para o que seja”, concluiu o edil.

Recorde-se que a atualização do tarifário da empresa intermunicipal Tejo Ambiente para o ano de 2025 foi chumbada pelo PSD, Chega, CDU, CDS e BE, tendo contado apenas com os votos favoráveis do PS e dos Independentes do Nordeste (ver AQUI). Em causa estava uma alteração ao tarifário com aumentos de 2,1% na água e saneamento e 2,92% para os resíduos sendo que, o chumbo afeta todos os municípios envolvidos na Tejo Ambiente.
O PSD de Tomar promoveu uma conferência de imprensa para vincar a sua posição e o chumbo na Assembleia Municipal à proposta de atualização do tarifário, tecendo críticas ao executivo PS.
“É inadmissível que, apesar dos sucessivos aumentos tarifários, continuemos a assistir a falhas recorrentes no fornecimento de água em várias ruas da cidade e na maioria das freguesias. Não podemos continuar a assistir a novos aumentos do tarifário, quando não se conhecem investimentos de relevo para Tomar, nem os projetos necessários para a substituição de condutas degradadas e melhoria dos serviços”, afirma o PSD, em comunicado.
“Seja por uma questão de sustentabilidade ambiental, seja pelo equilíbrio económico-financeira da Tejo Ambiente, é urgente tratar das perdas de água que se traduzem em centenas de milhares de euros de prejuízo em água perdida todos os anos no nosso território e que resultam em novos aumentos para os cidadãos”, pode ler-se na mesma nota.
“Face às falhas recorrentes no fornecimento de água recorrentes e à ausência de projetos e investimentos programados para o nosso concelho, é caso para perguntarmos: o que anda o Presidente da Câmara Municipal de Tomar a fazer? Não deixamos de reconhecer os desafios financeiros que a Tejo Ambiente enfrenta desde a sua criação, desde logo pelo Estudo de Viabilidade Económica e Financeira assente em pressupostos errados. No entanto, não podemos permitir que continuem a ser os consumidores os principais penalizados com sucessivos aumentos de tarifários”, salienta.
“Para que não restem dúvidas”, conclui, “para o Partido Social Democrata, em primeiro lugar estará sempre Tomar e os interesses dos tomarenses. E se o Presidente da Câmara não tem condições nem capacidade para os defender, cá estaremos nós para o fazer e lutar por tarifários justos, investimentos essenciais para o nosso concelho e um serviço de qualidade”.
A Tejo Ambiente é a Empresa Intermunicipal de Ambiente do Médio Tejo. Tem como objetivos garantir o abastecimento da água, o saneamento de águas residuais e a recolha de resíduos urbanos, sendo esta empresa composta pelos municípios de Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha.
