O palacete conhecido como Casa Grande ou dos Almeidas, em Sardoal, foi integrado há três anos no programa Revive, que visa a reabilitação e valorização de património do Estado. Os interessados na exploração turística do palacete terão direito a um período de concessão por 50 anos mas, até agora, nenhum processo foi iniciado.
“Foi-nos dito haver ainda uma ‘confusão’ de atribuições, que não se percebia bem, mas que brevemente iríamos ter novidades em relação à Casa Grande”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges, em reunião de executivo, a 2 de julho, após uma pergunta do vereador da oposição, Pedro Duque (PS).
O programa Revive é uma iniciativa conjunta dos ministérios da Economia, Cultura e Finanças, com a colaboração das autarquias locais e a coordenação do Turismo de Portugal. Em forma de concursos públicos internacionais, o programa tem em vista a recuperação de vários imóveis de reconhecido interesse através do modelo de concessão por 50 anos.
Em 2021, a Casa Grande passou “a fazer parte deste grupo de imóveis do programa Revive e os potenciais interessados podem candidatar-se através do Turismo de Portugal, para terem acesso à concessão deste imóvel”, disse na época Miguel Borges.
A vereadora Patrícia Rei acrescentou à explicação do presidente que “neste momento o processo está do lado da Cultura, para revisão dos termos de referência, e não há interlocutor no Ministério da Cultura nomeado para o programa Revive, para com o Turismo de Portugal. Acreditavam que até final de junho iriam ter essa nomeação”.
A conhecida Casa Grande ou dos Almeidas, situada na Avenida Luís de Camões n.º 9, 11, 13 e 15, é um edifício classificado pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público. A sua construção remonta aos finais do século XVII, princípios do século XVIII, tendo sofrido posteriormente alterações, e é uma das grandes referências do património arquitetónico de Sardoal.
Tendo sido residência da família Moura Mendonça, da principal nobreza do Sardoal, foi edificada a pedido de D. Gaspar Barata de Mendonça, Primeiro Arcebispo da Baía e Primaz do Brasil, o qual terá falecido em 1686, não devendo, por isso, ter assistido à sua conclusão.
É de referir ainda que a génese da designação “dos Almeidas” advém dos Condes de Abrantes e senhores de Sardoal durante cerca de dois séculos; D. João de Almeida, pai de D. Lopo de Almeida, designação que perdura até à atualidade.
Nos anos 70 do século passado, a Câmara Municipal adquiriu parte do imóvel, do lado da Capela de Nossa Senhora do Carmo. Em meados da década de 80, adquiriu as cavalariças; na década de 90 a parte da Biblioteca e, em 2000, adquiriu o corpo central, sendo agora proprietária da totalidade do edifício.
De referir também que a Casa Grande ou dos Almeidas é um solar urbano de arquitetura barroca, seguindo por isso uma tipologia de “casa comprida”, com extenso alçado principal alinhado, tendo no extremo norte uma capela, de Nossa Senhora do Carmo. É constituída por planta longitudinal, estando enquadrada de forma harmoniosa mesmo na rua principal da vila, ao lado do edifício da Câmara Municipal, acompanhando o declive da via de circulação.
A haver manifestação de interessados, o imóvel será concessionado por 50 anos com vista à realização de obras, incluindo de infraestruturas, e posterior exploração para fins turísticos como um estabelecimento hoteleiro, estabelecimento de alojamento local na modalidade de estabelecimento de hospedagem, ou outro projeto com vocação turística, tendo como contrapartida uma renda anual, que Miguel Borges disse ao nosso jornal ser “simbólica”.
