Casa Grande em Sardoal. Foto: Joana Santos/mediotejo.net

O lançamento da terceira fase do programa, anunciado na quarta-feira e aguardado desde 2021, no caso de Sardoal, prevê a requalificação das Termas das Caldas de Moledo (Peso da Régua e Mesão Frio); Casa do Brasileiro (São João da Pesqueira); Quinta do Mosteiro de São Pedro de Folques (Arganil); antigo Sanatório Infantil do Caramulo (Tondela); Casa dos Almeidas (Sardoal); Castelo e Casa Portilheiro (Crato) e Convento de Nossa Senhora do Desterro (Monchique).

Miguel Borges, presidente da Câmara de Sardoal, confirmou ao mediotejo.net que o palacete conhecido como Casa Grande, ou dos Almeidas, integra esta terceira fase do Programa Revive, que visa a reabilitação e valorização de património, podendo aquele imóvel ser adequado para um hotel. Os potenciais interessados terão direito a um período de concessão por 50 anos e acesso a fundos específicos de apoio ao investimento.

ÁUDIO | MIGUEL BORGES, PRESIDENTE CM SARDOAL:

Trata-se de uma iniciativa conjunta dos ministérios da Economia, Cultura e Finanças, com a colaboração das autarquias locais e a coordenação do Turismo de Portugal. Em forma de concursos públicos internacionais, o programa tem em vista a recuperação de vários imóveis de reconhecido interesse através do modelo de concessão por 50 anos.

A Casa Grande “passa a fazer parte deste grupo de imóveis do programa Revive coordenado pelo Turismo de Portugal e os potenciais interessados poderão candidatar-se através do Turismo de Portugal para terem acesso à concessão deste imóvel”, disse Miguel Borges.

A este património, que já tinha sido referenciado no âmbito da Agenda do Turismo para o Interior, o governo junta ainda o antigo Hospital da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande (Açores); o antigo Sanatório de Portalegre, a Quinta e Palacete da Ponte da Pedra (Matosinhos); a antiga Colónia de Férias da Torreira (Murtosa); o antigo Convento da Senhora da Alegria e os antigos Quartéis do Burgo Medieval (Castelo de Vide); o antigo Matadouro de Barcelos; o antigo Centro Psiquiátrico de Arnes (Soure) e o Palace Hotel do Buçaco (Mealhada).

Citado numa nota à imprensa, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, considerou o lançamento da terceira fase do Programa Revive um “sinal da vitalidade e importância deste programa na requalificação e aproveitamento económico do património imobiliário público com valor arquitetónico, patrimonial, histórico e cultural, concedendo uma nova oportunidade a imóveis em adiantado estado de degradação”.

Nas duas primeiras fases do programa foram listados para recuperação um total de 49 imóveis, dos quais 23 inseridos em territórios de baixa densidade.

Segundo o Ministério da Economia e do Mar, estão atualmente em vigor 18 contratos que representam um investimento de cerca de 142,5 milhões de euros, a que correspondem rendas anuais de cerca de 2,5 milhões.

O Revive é um programa conjunto das áreas governativas da Economia, da Cultura, das Finanças e da Defesa, desenvolvido em estreita articulação com as autarquias locais e que tem por principal objetivo recuperar e valorizar património público devoluto e reforçar a atratividade dos destinos regionais.

A secular Casa Grande, ou Casa dos Almeidas

A conhecida Casa Grande ou dos Almeidas, situada na Avenida Luís de Camões n.º 9, 11, 13 e 15 na vila de Sardoal. Trata-se de um edifício classificado pelo IPPAR como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 135/74 de 21 de agosto de 1974. A sua construção remonta aos finais do século XVII, princípios do século XVIII, tendo sofrido posteriormente alterações e até reedificação, sendo uma das grandes referências do Património arquitetónico da vila de Sardoal.

Tendo sido residência da família Moura Mendonça, da principal nobreza do Sardoal, foi edificada a pedido de D. Gaspar Barata de Mendonça, Primeiro Arcebispo da Baía e Primaz do Brasil, o qual terá falecido em 1686, não devendo, por isso, ter assistido à sua conclusão.

É de referir ainda que a génese da designação “dos Almeidas” advém dos Condes de Abrantes e senhores de Sardoal durante cerca de dois séculos; D. João de Almeida, pai de D. Lopo de Almeida, designação que perdura até à atualidade.

Nos anos 70 do século passado, a Câmara Municipal adquiriu parte do imóvel, do lado da Capela de Nossa Senhora do Carmo. Em meados da década de 80, adquiriu as cavalariças; na década de 90 a parte da Biblioteca e, em 2000 adquiriu o corpo central, sendo agora proprietária da totalidade do edifício.

De referir também que a Casa Grande ou dos Almeidas é um solar urbano de arquitetura barroca, seguindo por isso uma tipologia de “casa comprida”, com extenso alçado principal alinhado, tendo no extremo norte uma capela, de Nossa Senhora do Carmo. É constituída por planta longitudinal, estando enquadrada de forma harmoniosa mesmo na rua principal da vila, ao lado do edifício da Câmara Municipal, acompanhando o declive da via de circulação.

Casa Grande, Sardoal. Créditos: mediotejo.net

A haver manifestação de interessados, o imóvel será concessionado por 50 anos com vista à realização de obras, incluindo de infraestruturas, e posterior exploração para fins turísticos como um estabelecimento hoteleiro, estabelecimento de alojamento local na modalidade de estabelecimento de hospedagem, ou outro projeto com vocação turística, tendo como contrapartida uma renda anual que Miguel Borges disse ao nosso jornal ser “simbólica”.

c/Lusa e Paula Mourato

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *