Na mesma altura que o Município Sardoal recebeu um agradecimento do Serviço Nacional de Saúde pelo apoio prestado durante a pandemia de covid-19, designadamente na campanha de vacinação, em reunião de executivo o PS pediu um ‘ponto de situação’ relativamente aos médicos de família. O presidente deu conta de que existe agora um único médico e que o executivo “gostaria que estivesse melhor”. Altamente crítico, Miguel Borges (PSD) voltou a referir que a falta de médicos “está a matar pessoas” e deu conta da criação de uma Unidade Local de Saúde (ULS) no Médio Tejo, situação que vai resultar da extinção do ACES e do CHMT, e deixar a cargo de uma única organização a gestão dos cuidados de saúde primários e os cuidados de saúde hospitalares na região, já a partir de janeiro de 2024.
“Estamos abertos à mudança”, começou por dizer Miguel Borges relativamente à decisão da criação da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, um sistema defendido pela Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) por ser um modelo que integra numa mesma organização órgãos de gestão e administração conjuntas.
Ou seja, “pode-se ganhar alguma escala” se “houver uma mudança de mentalidades” permitindo “uma articulação maior entre as duas partes”, afirmou Miguel Borges durante a reunião de Câmara, na segunda-feira, 24 de abril. Isto porque tal sistema promove um quebrar de barreira entre cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares, uma rentabilização de recursos”.
No entanto, as dúvidas do presidente subsistem uma vez que, segundo considera, “ninguém está a a mexer no problema de fundo: a falta de médicos”, disse em resposta a uma pergunta da vereadora socialista Patrícia Silva, que ficou a saber existir apenas um só médico em Sardoal.
Em relação aos médicos de família “continuamos como até aqui, infelizmente”, confirmou. “Gostaríamos de estar melhor, não estamos! Tive uma reunião na semana passada com a diretora do ACES e com o presidente do CHMT e vem aí, muito em breve, uma nova forma de gestão, uma ULS, que têm a abrangência da Comunidade Intermunicipal”, deu conta o edil.
Avançou que, na reunião que teve com Diana Leiria e Casimiro Ramos, questionou: “O problema que temos é organizacional? É um problema de gestão? Ou é um problema de falta de profissionais? Ou seja, o que vamos mudar é o sistema”.
Miguel Borges considera que “o problema subsiste e é muito mais profundo; é a falta de médicos”, uma vez que “os hospitais têm falta de profissionais e quase diariamente recebo informações que determinados serviços hospitalares estão encerrados, os centros de saúde estão como estão, a Páscoa já passou e não sei como vamos fazer o milagre da multiplicação dos pães” – isto é, dos profissionais de saúde.
“Preocupamo-nos com a covid-19, muito bem! Preocupamo-nos com a guerra na Ucrânia, muito bem! Mas acho que não nos estamos a preocupar devidamente com um problema que mata pessoas. Um diagnóstico ou um tratamento que não é feito atempadamente, mata! E é isto que se está a passar neste país.“
Miguel Borges
Em Sardoal “continuamos com uma médica de família que tem sido uma excelente profissional, que tem trabalhado bastante. Mas continuamos com uma coisa que me custa muito: às 7h00 é lamentável ver pessoas na fila no nosso Centro de Saúde à espera para consulta. […] Uma coisa é certa: temos um problema que mata pessoas. Preocupamo-nos com a covid-19, muito bem! Preocupamo-nos com a guerra na Ucrânia, muito bem! Mas acho que não nos estamos a preocupar devidamente com um problema que mata pessoas. Um diagnóstico ou um tratamento que não é feito atempadamente, mata! E é isto que se está a passar neste país. Devíamos ir muito mais longe”, afirma Miguel Borges, considerando ser caso de “emergência nacional” e lamentando “o retrocesso enorme do SNS, uma das maiores conquistas de Abril”, que celebrou 49 anos. Defendeu ainda a ideia da criação de um “pacto de regime” sobre este assunto.
Do lado da oposição, Pedro Duque (PS) concordou com as palavras do presidente dizendo que “o SNS é um dos maiores problemas que temos em mãos”. Referiu a existência de “lobby” relativamente à classe médica e aproveitou a oportunidade para lembrar que “o Governo aumentou a dotação orçamental para a Saúde” em 50% em termos de Orçamento de Estado. O vereador concordou ainda com a criação de um “pacto de regime” entre PS e PSD.
A criação da ULS do Médio Tejo vai obrigar à nomeação de um Conselho de Administração, com os atuais responsáveis do CHMT, Casimiro Ramos, e do ACES Médio Tejo, Diana Leiria, a cessarem funções por força da extinção daquele modelo organizacional, mas a poderem se reconduzidos para a nova Unidade. O atual Conselho de Administração do CHMT é composto por cinco elementos, passando a ULS a ser gerida por seis pessoas, sendo mais um indicado pela CIM Médio Tejo.
Em comunicado, Casimiro Ramos refere que a constituição de uma ULS “representa um enorme desafio para a instituição, para os seus profissionais e para a região, perspetivando-se uma lógica de cuidados de saúde efetivamente integrados e coordenados, centrados no utente, e com naturais ganhos ao nível da eficácia, eficiência e acesso”.
O calendário da criação da ULS Médio Tejo decorre durante as próximas dez semanas, conforme definido pela DE-SNS, cabendo ao CHMT e ao ACES dar-lhe cumprimento, em articulação e com o contributo de todos os intervenientes e parceiros.
Como deu conta Miguel Borges, têm sido realizadas reuniões com as autarquias da área de influência do CHMT e dos ACES, para comunicar esta decisão.
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Enquanto não quiserem perceber que não há falta de médicos ( somos o 2 o país da Europa com maior número de médicos por 100 mil habitantes) e o que falta são médicos de medicina geral e familiar, ( médico de família) não resolvem o problema.
Nos hospitais idêntico. Vão para os hospitais privados!!!
Neste ponto chegados a única solução é centrar nos doentes a escolha do médico e instituição, com com sistema tipo ADSE para todos os que quisessem!
Porque não o fazem?
Haveria médicos para todos e acabava se esta fantochada de “ não há médicos “ com que enganam o povo