Em Sardoal, para um consumidor doméstico que consuma 10 metros cúbicos de água – valor normal da Tejo Ambiente – vai haver um aumento mensal de 4,81 euros na fatura, sendo “90% este tipo de consumidor”. Ou seja, para o serviço público de abastecimento de água um aumento de 23%, para o serviço de saneamento de águas residuais um aumento de 20% e para o serviço de resíduos urbanos um aumento de 7%, representando um aumento médio do tarifário de 22%, explica ao nosso jornal o presidente da Câmara Municipal de Sardoal.
Miguel Borges apontou falhas ao EVEF até agora utilizado, nomeadamente “tendo em conta o preços dos combustíveis e na questão do IVA”, disse, explicando que, sendo uma associação de municípios, a entidade responsável pelo EVEF apontou para um IVA aplicado de 6%, quando na realidade o IVA é de 23%.
Além disso, garante o autarca, “se não estivéssemos num sistema agregado, o aumento seria muito superior”.
De acordo com o presidente, isolado Sardoal “não tem escala. A UE só financia infraestruturas para sistemas agrupados”, justifica apontando como exemplo a empreitada para beneficiação do sistema de Saneamento de águas residuais de Cabeça das Mós, um investimento no valor 900 mil euros.
A legislação obriga ainda que “gastos com sistemas, água e resíduos têm de ser imputados ao consumidor final”, acrescentou falando numa “responsabilidade ambiental e ecológica. As pessoas têm de ter a água como um bem escasso. Há que poupar e racionalizar”, sublinha Miguel Borges.
Certo é que com gestão da empresa intermunicipal Tejo Ambiente a fatura da água não parou de aumentar. Recorda-se que a iniciar atividade a 1 de janeiro de 2020, o preço da água sofreu de imediato oscilações nos seis concelhos aderentes, devido à uniformização dos tarifários. Em Sardoal o preço da água aumentou 13% e existia um compromisso por 15 anos de manter o valor, só oscilando mediante a taxa de inflação, o que não se veio a verificar.
No entanto, o presidente Miguel Borges esclarece que a revisão do EVEF, com o consequente aumento do tarifário apresenta-se “necessário” para que “a empresa seja sustentável”.
Desde janeiro de 2020 que a Tejo Ambiente gere os sistemas de água e saneamento básico dos concelhos de Sardoal, Mação, Ourém, Tomar, Ferreira do Zêzere e Vila Nova da Barquinha. A Tejo Ambiente tem um capital social de 600 mil euros e os municípios de Tomar e de Ourém detêm as maiores participações (com 35,63% e 32,37%, respetivamente), seguido de Mação (10,85%), Ferreira do Zêzere (7,94%), Vila Nova da Barquinha (7,63%) e Sardoal (5,58%).
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