O GETAS celebrou 40 anos de atividade com uma homenagem aos fundadores e membros da Associação. Foto: mediotejo.net

Foi com muita animação que se celebraram no domingo os 40 anos de atividade do GETAS – Grupo Experimental de Teatro Amador de Sardoal. As celebrações tiveram lugar no Centro Cultural Gil Vicente, inaugurado em 2004 e atual espaço de trabalho deste grupo de teatro. A viagem pela história dos 40 anos da associação iniciou-se ao som da “Dona Passareta” que subiu ao palco, cantou e encantou os presentes com o tema “Cheira a Lisboa”, de Amália.

Ao longo da sessão foram revisitadas as memórias dos espetáculos que levaram a palco. Do “Auto da Barca do Inferno” a “A Casa de Albas”, diversos foram os pontos de paragem desta viagem no tempo, que permitiu aos presentes recordar os mais emblemáticos momentos do grupo teatral. “O Tio Simplício”, “A boda”, “A Severa” e “Uns Comem Figos”, várias foram as peças que o GETAS levou aos palcos do país. De Lisboa ao Porto, passando também pela Madeira, o grupo teatral levou a cultura e o que de melhor se faz de teatro com a marca do Sardoal.

Sendo um dos principais dinamizadores da cultura sardoalense, o GETAS é responsável por um grande número de atividades que preenchem a agenda cultural do município, ano após ano. Os Cantares dos Reis, as Marchas Populares, o Carnaval e as celebrações da Semana Santa, nomeadamente a “Paixão de Cristo”, que retrata os paços de Cristo a caminho do calvário, diversos foram os momentos vividos e recordados na cerimónia que encheu a plateia do “Gil Vicente”.

O programa integrou a apresentação de diapositivos que permitiram recordar o percurso da associação desde o início dos anos 80. O ponto alto da sessão ocorreu com uma homenagem aos fundadores e a alguns membros do GETAS. Antigos presidentes, encenadores e maestros, vários foram aqueles que subiram ao palco para a atribuição de uma pequena mas simbólica lembrança.

Miguel Borges, atual Presidente da Câmara Municipal e ex-maestro do Grupo Coral do GETAS, marcou presença na cerimónia e destacou a importância do grupo para o desenvolvimento cultural do Sardoal. “São 40 anos de coisas muito boas, de coisas muito bonitas, de muito suor, algumas lágrimas, mas de muito bom trabalho. São 40 anos em que o GETAS teve e tem uma importância fundamental no desenvolvimento de uma comunidade. Normalmente a cultura é sempre o parente pobre das políticas públicas. No Sardoal assim não é, nunca foi, nem nunca será. A política cultural do Sardoal tem de estar (…) ao nível das outras políticas públicas, isso fará toda a diferença”, afirmou.

Miguel Borges, atual Presidente da CMS integrou foi maestro no Grupo Coral do GETAS.

O GETAS – Grupo Experimental de Teatro Amador de Sardoal foi criado em 16 de novembro de 1982 e ainda é, 40 anos depois, o principal dinamizador de teatro do concelho e uma referência cultural na região. Segundo disse Paulo Rosa, presidente da direção do GETAS, ao nosso jornal, a associação “tem cumprido a missão que lhe compete de proporcionar entretenimento às pessoas que querem trabalhar connosco e depois para o público de um modo geral”.

O GETAS teve origem num grupo cénico criado em 1981 por Victor Águas e Júlio Moleirinho que conseguiram convencer 30 jovens, sem qualquer experiência de palco, a entrar em cena. Mas apenas no ano seguinte foram eleitos os primeiros corpos sociais, escolhido um nome, e oficializado o Grupo de Teatro por escritura notarial a 16 de novembro.

Em 1985, o GETAS passou a designar-se Centro Cultural de Sardoal mantendo o teatro como principal atividade mas introduzindo novas vertentes, como a música, pintura, fotografia, fado, oficinas de fantoches, dança, costura, marchas populares, desfiles alegóricos de Carnaval e até a projeção de filmes comerciais com o apoio da INATEL.

Paulo Rosa, responsável pela direção do grupo de teatro sardoalense esteve à conversa com o mediotejo.net e fez um balanço destes 40 anos de atividade. “Hoje estivemos no Centro Cultural numa ação de reconhecimento e de homenagem a fundadores, ex-presidentes, encenadores e maestros. Portanto, a direção atual fez questão de prestar uma homenagem a quem produziu e ajudou a produzir de forma a que esta associação tivesse a longevidade dos referidos 40 anos”.

Paulo Rosa é o atual Presidente da Direção do GETAS. Foto: mediotejo.net

“Não tem sido fácil, estamos na ressaca do covid-19, é transversal a todas as associações. Portanto temos que ser criativos, persistentes e resilientes para que possamos levar avante esta missão tão importante de entreter quem quer produzir cultura e também entreter, com essas produções, a população de um modo geral”. Agradeceu, ainda, os apoios que têm permitido a continuidade do projeto. “Agradecemos também os apoios provenientes das entidades habituais, das Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, mas também do simples contributo do comércio local empresarial da nossa região”.

No final deixou um apelo a todos aqueles que queiram juntar-se a um dos mais reconhecidos grupos de teatro amador da região. “As portas do GETAS estão abertas para todos os que queiram produzir cultura (…). Portanto, o que proponho é que se mantenham atentos aos canais de comunicação habituais”, concluiu.

No final do evento, e depois da “Dona Passareta” regressar ao palco para dar início ao tradicional cantar de parabéns, teve lugar o corte do bolo no espaço “Cá da Terra”, contíguo ao Centro Cultural Gil Vicente. Entre bolo e champanhe, os convidados encerraram a viagem que recordou os momentos altos dos 40 anos da história do GETAS, brindando a que venham muitos mais.

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

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