Tão empregue na cozinha de várias «castas», a salsa na Grécia tinha largo emprego na competição com o louro no honrar e elogiar os atletas olímpicos.

Nos banquetes festivos uma coroa de salsa na cabeça dos convivas significava arejar e perfumar o ambiente e estabelecer o bom humor entre todos.

Já em Roma os gladiadores comiam salsa em grandes quantidades, cozida ou crua porque existia a ideia de tonificar o corpo e aumentar a força e destreza física dos lutadores.

Na Idade Média a salsa é indicada nos tratados como unguento de boa estirpe para se combaterem doenças dos olhos, também está associada a práticas de bruxaria e reforço da virilidade dos homens.

O Imperador Carlos Magno era exemplo disso mesmo, para lá do bom número de esposas e amantes, ser pai de vinte filhos repelia qualquer dúvida sobre a eficácia da salsa.

O leitor se quiser aprofundar o tema vai a determinada altura do estudo ver quão ingente era o papel da salsa no domínio da sexualidade feminina, menstruação e alívio no respeitante a gravidezes indesejadas, isto porque as grávidas não a devem comer em grandes quantidades, e nos maus hálitos. Escrevi hálitos, não escrevi hábitos.

As senhoras e os senhores «bafo-de-onça» têm na salsa poderoso remédio contra a baforada que nos obriga a desviar o rosto na altura dos cumprimentos e conversas.

No que tange às artes culinárias a salsa entra em variados e numerosos pratos, desde guisados até assados, passando por saladas, fritos e cozidos. É saliente na decoração de inúmeras receitas, sopa de salsa ou salsa crua fazia e faz parte de muitos receituários do Ocidente. Salsa, tomilho, coentro, orégão e menta em infusão ajudava as digestões, cortadas e misturadas afinavam saladas primaveris e estivais.

A tradição aconselha a não se oferecer salsa, as razões fará o leitor o favor de as procurar, não chega ler crónicas deste género, todavia sempre escrevo que nos tempos idos um exuberante ramo de salsa nas casas indiciava poder da mulher sobre o marido. É, e agora? Façam o favor de responder!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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