Sal na comida. Foto: DR

O Bispo de Viseu, maçom e liberal, dizia que a religião se queria como o sal na comida, nem demais, nem de menos. As doutas palavras do príncipe da Igreja, nos dias de hoje, sofrem tratos de polé, pois aquela substância cristalizada, constituída por cloreto de sódio puro, de gosto picante, sendo condimento de comeres e conservante de toda a casta de produtos, que abunda na natureza, é objecto de canónica excomunhão dos médicos por atentar contra o pudor dos corpos, enquanto a religião – as religiões – são fautoras de guerras fraticidas, conflitos de interesses, dogmatismos, horrendas perseguições, torturas e mortes.

O sal entra em mais de 6.000 fórmulas de invenções de benefício para a Humanidade, na alimentação humana impõe-se a moderação pois um pãozinho sem sal não tem graça nenhuma…

Os estetas asseguram o acima referido, mas em matéria de gostos cada qual toma a gota que quer, também o preceito – amai-vos uns aos outros –, tem regras muitas das quais insensatas, aberrantes, abjectas.

O clarividente Dom António continua a ter carradas de razão.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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