Segundo o ACES Médio Tejo, atualmente estão 56.674 utentes sem médico de família atribuído na região. Créditos: Pixabay

A falta de médicos continua na ordem do dia, estando a atingir proporções críticas por todo o país, mas com a carência da especialidade de Medicina Geral e Familiar a agravar-se nos territórios de baixa densidade no Interior, dificultando o acesso a cuidados de saúde primários. No concelho de Abrantes, uma das médicas que prestava serviço nos polos de saúde de Bemposta e Tramagal acabou por pedir exoneração no final do ano, apanhando todos de surpresa e deixando para trás um ficheiro de 1.600 utentes que terão de procurar consultas de recurso e deslocar-se à USF Beira-Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo.

Segundo o ACES Médio Tejo, atualmente estão 56.674 utentes sem médico de família atribuído na região, faltando 32 médicos especialistas de Medicina Geral e Familiar para suplantar as necessidades, com os concelhos de Ourém, Abrantes, Alcanena, Mação e Entroncamento a serem os mais carenciados neste âmbito.

O tema foi tocado por Vasco Damas, vereador da Câmara Municipal de Abrantes, na reunião de 10 de janeiro. O vereador do movimento ALTERNATIVAcom questionou sobre a falta de médicos no concelho de Abrantes, mencionando ter tido conhecimento que “na segunda semana de dezembro uma médica deixou de prestar serviço nas extensões de saúde de Bemposta e de Tramagal”.

Pediu confirmação sobre a informação ao presidente de Câmara e à vereadora com o pelouro da saúde, Raquel Olhicas, enfermeira especialista de profissão. Na ocasião, perguntou ainda se a autarquia saberia se a médica “já foi ou quando irá ser substituída” e mencionou que o tema tem vindo a reunião de Câmara “de forma recorrente”, referindo saber que o presidente de Câmara “não se quer substituir ao Estado central, tem sido um argumento que tem repetido várias vezes”.

Reunião de Câmara de Abrantes, no dia 10 de janeiro, onde o tema da falta de médicos voltou a ser debatido. Foto: mediotejo.net

“Como sabemos, existem situações análogas de carência noutras freguesias, a bem do rigor, em cada vezes mais freguesias, e por isso volto a perguntar que soluções se perspectivam para garantir a atribuição de médico de família e a prestação de cuidados de saúde primários, para consultas médicas e serviços de enfermagem, a todos os cidadãos”, questionou.

A saída repentina da médica, que integrava o corpo de clínicos da USF Beira-Tejo no Rossio ao Sul do Tejo e que dava consultas na extensão de saúde de Bemposta e no centro de saúde de Tramagal, veio criar consternação e constrangimento aos 1.600 utentes que integravam o seu ficheiro, deixando as populações desconsoladas e as juntas de freguesia alerta e com maior preocupação com o tema.

No caso de Bemposta, a extensão de saúde serve também utentes da União de freguesias de São Facundo e Vale das Mós, ainda que muitos utentes tenham já a sua inscrição nas USF de Abrantes (D. Francisco de Almeida) e do Rossio ao Sul do Tejo (Beira-Tejo)

Em entrevista ao mediotejo.net, o presidente de junta de Bemposta, Manuel João Alves, manifestou preocupação, referindo a intenção de contactar as entidades competentes para tentar perceber o ponto de situação.

Assumiu ter sido contactado no final do ano, por altura do Natal, pela médica que pediu exoneração, e autarca confirmou que ainda não houve solução para fazer face à sua saída, com a população a ser encaminhada para consultas na USF Beira Tejo, no Rossio ao Sul do Tejo. “Já três ou quatro pessoas me deram conhecimento que isso aconteceu. Mas também vejo que tem havido um esforço para resposta por parte do único médico que aqui está, o Dr. Flávio”, contou.

Bemposta, presidente de junta Manuel João Alves (PS). Imagem: mediotejo.net

Manuel João Alves diz compreender que as coisas não se resolvem de um dia para o outro, mas que é importante perceber qual vai ser a resposta possível.

“Se com dois médicos a resposta não era suficiente para todas as pessoas que este posto médico abrange, desde Bemposta, São Facundo e Vale das Mós… com um [médico], pior estão as coisas”, notou, referindo que o médico continua com o seu horário, com consultas três dias na semana, duas manhãs e um dia completo, e sem mãos a medir para tentar apoiar todos os utentes necessitados.

Em Tramagal, o panorama não é diferente, e não se avizinha animador. O presidente de Junta António José Carvalho comunga da mesma preocupação, afirmando que “há anos que a perda de serviços do centro de saúde” é debatido, principalmente após ter sido transformado “num polo de saúde da USF Beira-Tejo”, acrescentando que “para nós, vila de Tramagal, essa transformação não nos veio favorecer”, defendeu.

“Vemos sempre com muita preocupação estes problemas, não só de carência de médicos, mas também de serviço de enfermagem e até, às vezes, com dificuldades em garantir o serviço administrativo no centro de saúde”

António José Carvalho, presidente de junta de Tramagal

Com a saída da médica, a Junta de Freguesia contactou de imediato o Município de Abrantes e o ACES Médio Tejo, e aguarda reunião com a diretora-executiva deste ACES, Diana Leiria.

“Em Tramagal já havia muita gente sem médico de família, e agora as pessoas têm que ir às consultas de recurso até Rossio ao Sul do Tejo, porque a Dra. Marta que também presta serviço aqui não consegue assegurar mais, e já apoia em situações de urgência e de acompanhamento de grávidas. Não tem capacidade de atender mais gente”, explicou.

“Ficámos reduzidos a uma capacidade de serviço muito baixa, e agora as pessoas vão sendo encaminhadas para consultas de recurso na USF, o que é muito preocupante para a nossa população muito envelhecida, e muita dela a viver sozinha e sem mobilidade automóvel. Os próprios transportes públicos não servem devidamente a USF do Rossio. As pessoas vivem com reformas pequenas, e pagarem táxis para irem ao médico é uma despesa muitas vezes incomportável. É esta a nossa preocupação”, assumiu António José Carvalho.

António José Carvalho, presidente de junta de Tramagal, eleito pelo MIFT. Foto: mediotejo.net

A Junta de Freguesia diz que tem sido contactada pelos tramagalenses, ainda que reconheça não ter capacidade para resolver o assunto, apesar de já terem encetado os contactos com as entidades responsáveis.

“Apesar de nós, no pedido de reunião com o ACES Médio Tejo, termos indicado disponibilidade de cooperar no sentido de encontrar uma solução, e a Junta tudo fará no que estiver ao seu alcance para favorecer a melhoria dos serviços médicos no Tramagal”, argumentou o autarca.

Para já , “não há ainda alarme social demasiado, mas há pessoas que têm tido dificuldades, porque têm que fazer tratamentos de rotina”, alerta o presidente de Junta de Tramagal, mencionando que “a situação não se trata só de carência de médicos; só já temos uma enfermeira ao serviço, e quando tem que gozar as suas férias ou ausentar-se, ficamos sem serviço de enfermagem. É um acumular de situações. E no caso de Tramagal, sendo uma vila com bastante população, isto é crítico”, disse.

Questionado o presidente de Câmara Municipal de Abrantes sobre o tema, Manuel Jorge Valamatos falou sobre um flagelo que está a fazer soar os alarmes em todo o país, não apenas ao nível das pequenas comunidades rurais. Abrantes tem atualmente cerca de 8 mil utentes sem médico de família atribuído, sendo que em muitos casos os utentes estão a ser seguidos por médicos prestadores de serviços, ou seja, sem estarem a tempo inteiro e com horas semanais contadas.

“Infelizmente, de forma sistemática, há saída e entrada de médicos. Também entrou um novo médico para a USF D. Francisco de Almeida. É a vida a acontecer, vão saindo uns e entrando outros”, começou por comentar.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes.Foto: mediotejo.net

Ainda assim, reconheceu que existe “um número de médicos insuficiente no concelho de Abrantes, e em todo o Médio Tejo, para responder às necessidades. Este é um assunto de grande pertinência, e as notícias relevam que a escassez de médicos não atinge apenas os médicos de família, também se nota nos centros hospitalares com falta de médicos especialistas”.

“Estamos muito atentos, quer Abrantes, quer o Médio Tejo, a essa matéria. Tem que haver do ponto de vista governamental medidas capazes de mitigar e ultrapassar estas dificuldades. Mas medidas eficazes, para que se possa minimizar as necessidades sobre a falta de médicos de família em particular. É isso que estamos a trabalhar com as entidades oficiais”

Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

Ainda assim, o edil voltou a frisar que esta não é uma competência das autarquias locais, apesar do processo de transferência de competências, sublinhando uma vez mais que é responsabilidade da tutela governamental a contratação de recursos humanos, de médicos a enfermeiros.

“É importante que as pessoas percebam que, mesmo com a transferência de competências, do Estado para as autarquias locais, a responsabilidade de colocação de médicos, enfermeiros, assistentes técnicos e técnicos especialistas continua a ser do Governo. As autarquias ajudam, e temos procurado em Abrantes fazer parte da solução, mas não conseguimos resolver todos os problemas”, começou por dizer.

Por outro lado, defende de forma aguerrida que “o Governo precisa de tomar iniciativas capazes de mitigar estas situações e nós, dentro do que nos é possível, continuaremos atentos e a acompanhar todos os processos para tentar resolver estas situações. Aquilo que desejamos é que rapidamente possamos ter médicos capazes de responder às nossas necessidades”.

USF. D. Francisco de Almeida, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O autarca reconhece que as Unidades de Saúde Familiar (USF) precisam de mais médicos e que as extensões de saúde que precisam ter médicos colocados de forma diferente do que está a acontecer.
“Estão a ser comprados serviços a prestadores, em vez de serem colocados médicos de forma definitiva e estável”, demonstrou.

“Estamos a lutar muito pela criação da Unidade de Saúde Familiar Norte, no norte do concelho, para dar uma nova dinâmica a esta resposta tão necessária às nossas pessoas. Continuaremos a insistir na concretização deste grande objetivo, a exemplo do que acontece coma USF D. Francisco de Almeida na cidade e com a USF Beira Tejo em Rossio ao Sul do Tejo”, comprometeu-se o edil.

MOURISCAS E RIO DE MOINHOS AGUARDAM CHEGADA DE MÉDICOS

O jornal mediotejo.net pediu esclarecimentos à vereadora com o pelouro da Saúde, Raquel Olhicas, sobre a saída da médica da USF Beira-Tejo, e por seu turno, das extensões de saúde de Bemposta e Tramagal, aproveitando para um balanço da situação de prestação de cuidados de saúde primários no concelho.

A vereadora referiu que a Câmara Municipal de Abrantes “reagiu com surpresa à informação [da saída da médica], pois as USF como têm uma estrutura organizacional mais atrativa, normalmente, conseguem manter os clínicos. Desconhecemos os motivos pelos quais a médica terá saído”.

Os 1.600 utentes dos polos de Bemposta e Tramagal têm agora de procurar alternativas, tendo sido esclarecido à vereadora da CM Abrantes pelo ACES Médio Tejo que “os utentes inscritos na USF Beira Tejo que pertenciam ao ficheiro da médica que saiu e que estão neste momento sem médico de família, têm resposta na USF Beira Tejo (Rossio), uma vez que a equipa é solidariamente responsável por prestar cuidados a estes utentes em regime de intersubstituição”.

Raquel Olhicas, vereadora com os pelouros da Saúde e da Ação Social na Câmara Municipal de Abrantes. Foto: CMA

Questionada Raquel Olhicas sobre quantos utentes estão sem médico de família atribuído ao dia de hoje no concelho e em que freguesias o problema se tem agudizado, referiu que “os ficheiros de utentes sem médico de família inscritos na UCSP de Abrantes correspondem aos utentes das extensões de Alferrarede, Pego, Alvega, Carvalhal e São Miguel, mas têm prestação de serviços médicos nas respetivas extensões de saúde, com um número de horas de prestação de serviços médicos, proporcional ao número de utentes inscritos e sem médico. Os utentes de Rio de Moinhos e das Mouriscas podem recorrer à consulta de recurso da sede da UCSP de Abrantes, de segunda a sexta feira”.

Já quanto às extensões de saúde de Rio de Moinhos e Mouriscas – no primeiro caso há praticamente um ano sem médico a dar consultas na localidade, e no segundo sem médico desde final do ano – refere que “está em cima da mesa a contratação de médicos através da prestação de serviços, contratação essa da responsabilidade da ARSLVT”, mediante indicação dada pela diretora executiva do ACES MT.

“Sabemos que o ACES Médio Tejo está a desenvolver todos os esforços junto das empresas de prestação de serviços médicos para conseguir um aumento do número de horas médicas, a fim de tentarmos fazer uma cobertura de proximidade nos vários polos da UCSP que se debatem com este problema. Infelizmente, tal ainda não foi possível. Muitas vezes não existem médicos interessados em preencher estas horas de prestação de serviços”, lamenta.

Exterior da Unidade de Saúde Familiar de Abrantes D. Francisco de Almeida. Foto: mediotejo.net

Da parte do Município de Abrantes mantém-se o programa de incentivos para atrair e fixar médicos para as Unidades de Saúde Familiar, cujo balanço é positivo.

“O Regulamento de Incentivos Financeiros a Médicos das USF, aprovado por deliberação da Assembleia Municipal de Abrantes em 27/09/2014, fundamentou-se na necessidade de fazer face à grave carência de médicos de família no município e consequente carência de cuidados de saúde”, contextualizou.

Segundo Raquel Olhicas o regulamento tem conseguido cumprir com o seu propósito de captar médicos para o concelho. “Sim, tem captado. Recentemente a USF D. Francisco de Almeida viu o seu quadro de pessoal reforçado com mais um médico, Dr. Luís Amaral, vindo de Ourém, em que este incentivo por parte da Câmara foi preponderante”, afirmou.

O regulamento de incentivos mantém-se em vigor desde a sua implementação inicial, e prevê-se a transição de uma das USF do concelho para modelo B, segundo indicou a Câmara Municipal.

Questionada sobre que expetativas tem para este ano no campo da Saúde, nomeadamente com a transferência de competências, Raquel Olhicas admitiu que “o ideal seria termos mais médicos no nosso concelho, mas volto a sublinhar que a contratação de médicos e de enfermeiros (o bem mais escasso e essencial) não depende da Câmara Municipal, mas sim do Ministério da Saúde e da ARSLVT, independentemente da transferência de competências”.

Unidade de Saúde Familiar de Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes. Foto: mediotejo.net

O objetivo primordial passa por “melhorar a acessibilidade aos cuidados médicos na zona Norte do Concelho, quer ao nível de um equipamento específico dotado de recursos humanos (USF Norte), quer ao nível de transportes”.

“Seremos sempre exigentes e atentos na procura incessante das melhores condições para os nossos munícipes e temos a plena convicção que este executivo vai continuar empenhado em colaborar com o Ministério da Saúde, com o ACES do Médio Tejo e com a ARSLVT na procura de outras soluções para a melhoria dos cuidados de saúde no seu território, tal como tem feito nos últimos anos”, notou.

Por outro lado, a vereadora frisou que “a falta de médicos com a especialidade de Medicina Geral e Familiar está a atingir um ponto crítico de âmbito nacional. Recentemente os concursos abertos no ACES do Médio Tejo ficaram com vagas por preencher o que traduz a grave carência de médicos e não de iniciativas de contratação”.

Falta de médicos no ACES Médio Tejo afeta cerca de 56 mil pessoas, dos quais oito mil em Abrantes. Foto: arquivo/CMA

O contacto com as entidades competentes tem permitido insistir no alcance de soluções. “Tendo em conta o permanente contacto com o ACES do Médio Tejo, conseguimos resolver a carência de médico na freguesia do Pego e de Alvega. Contamos com a vinda de médicos, em regime de prestação de serviços, para dar resposta às necessidades médicas da freguesia das Mouriscas e de Rio de Moinhos”, disse, expetante com esta solução.

“Temos a plena convicção que o executivo da Câmara continuará a reafirmar a sua disponibilidade para uma total colaboração quer com o Ministério da Saúde, quer com o ACES do Médio Tejo, com vista ao pleno desenvolvimento do potencial das diferentes unidades funcionais para a obtenção de ganhos em saúde dos nossos cidadãos”, concluiu Raquel Olhicas.

FALTAM 32 MÉDICOS DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR NO MÉDIO TEJO, MAIS 3 DO QUE EM OUTUBRO DE 2022

Foto: Freepik

Perante a situação debatida em Abrantes, contactámos o ACES Médio Tejo e a ARS LVT para um balanço no arranque do ano sobre os cuidados de saúde nos onze concelhos do universo deste agrupamento de centros de saúde.

Quanto a Abrantes, Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo, “está, neste momento, a decorrer um concurso nacional de recrutamento de médicos especialistas de Medicina Geral e Familiar, no qual o concelho de Abrantes é contemplado. É expectável que até ao final deste semestre, coincidindo com a finalização dos exames finais da formação específica em Medicina Geral e Familiar venha a ser aberto novo concurso de acesso à carreira médica”.

No universo de 225 mil utentes frequentadores do ACES Médio Tejo registam-se atualmente 56.674 utentes sem médico de família atribuído, sendo necessários “mais 32 médicos especialistas de Medicina Geral e Familiar” para dar cobertura necessária a todos os utentes.

Os concelhos mais carenciados são Ourém, Abrantes, Alcanena, Sardoal, Mação e Entroncamento.

Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

Questionada a direção do ACES MT sobre contratações previstas/programadas para este ano, Diana Leiria respondeu que “decorre atualmente concurso de ingresso na carreira especial médica – Medicina Geral e Familiar, no qual temos 4 vagas a concurso. Contamos que no final deste semestre sejam abertas mais vagas no âmbito de um novo concurso”.

Quanto aos gabinetes de saúde oral, Diana Leiria confirmou que existem gabinetes de saúde oral em todos os centros de saúde do ACES Médio Tejo. “Nestes gabinetes funcionam as consultas de Medicina Dentária e as consultas de Higiene Oral, integradas no programa de Saúde Oral da DGS. Temos consultas de Higiene Oral em Alcanena, Torres Novas, Entroncamento, Tomar, Ferreira do Zêzere, Sardoal, Mação, Constância e Abrantes. Atualmente existem ainda consultas de Medicina Dentária em Ourém, Entroncamento, Barquinha, Abrantes, Sardoal e Tomar”.

No início de um novo ano, o nosso jornal quis saber quais as expetativas para 2023 dado o plano traçado para o ACES Médio Tejo e quais as principais preocupações e medidas a tomar.

“A nossa prioridade será naturalmente a melhoria do acesso. Neste sentido, é urgente reforçar o mapa de médicos especialistas de Medicina Geral e Familiar”

Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo

Acrescentou que o ACES Médio Tejo “tem vindo a apostar na sua capacidade formativa, pois temos consciência que a formação dos jovens médicos é uma das estratégias mais eficazes para garantir a continuidade a médio prazo. Também temos apostado no modelo organizacional das Unidades de Saúde Familiar (USF). Neste momento o ACES conta com 5 USF modelo B e 6 USF modelo A, estando já formalizada a candidatura para a criação de mais uma USF”.

Também estão a ser reforçadas “candidaturas ao modelo organizativo B, já com 4 candidaturas apresentadas, sendo que uma já tem o parecer técnico homologado”.

Foto: Pixabay

“Juntamente com as autarquias e com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo estão a ser desenvolvidos vários projetos de construção e/ou requalificação de vários edifícios, de forma a melhorar as condições para utentes e profissionais. Do mesmo modo, foram introduzidas várias melhorias ao nível dos sistemas informáticos, das quais destacamos a consolidação das bases de dados pré-existentes, entre muitos outros projetos que visam modernizar as unidades funcionais e, deste modo, criar condições para a captação e fixação de recursos humanos”, concluiu.

Refira-se que o ACES Médio Tejo abrange uma área de 2.706 quilómetros quadrados, incluindo 11 municípios da região e contando com um universo de cerca de 225 mil utentes/frequentadores, sendo composto pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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2 Comentários

  1. Da noticia: “No universo de 225 mil utentes frequentadores do ACES Médio Tejo registam-se atualmente 56.674 utentes sem médico de família atribuído, sendo necessários “mais 32 médicos especialistas de Medicina Geral e Familiar” para dar cobertura necessária a todos os utentes.” São só 25% da população do Médio tejo que não tem médico de familia apesar de mesmo assim ainda haver alguns médicos tarefeeiros a trabalhar no sistema. Penso que pior é dificil, mas não é impossivel. O tempo o dirá., mas as pessoas também têm uma palavra a dizer e a maifestar-se.Esperemos que não sejam necessárias manifestações mais ou menos ruidosas. mas a paciência pode esgotar-se.

  2. Não sei se as manifestações ajudarão. O Estado não tem poder suficiente para resolver o problema, portanto pressões acima de determinado nível não surtem efeito.
    O facto é que os médicos de família se sentem desprestigiados. As razões deste desprestigio deveriam merecer mais atenção.

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