Restaurante Laurentina - o Rei do Bacalhau, em Lisboa. Foto: DR

Volta que não volta, volto a este restaurante, também conhecido como o Rei do Bacalhau, que o saudoso senhor Pereira criou em Lisboa em 1976, na sequência da sua forçada retirada da então cidade de Lourenço Marques, onde regia a conhecida cervejaria e marisqueira Laurentina.

O sr. Fernando, o mais antigo profissional da casa, logo colocou na mesa pastéis de bacalhau de forma a suavizar o tempo de espera pelas especialidades bacalhoeiras, desta feita bacalhau com natas, bacalhau à Brás e a opulenta couvada com batatas e robusta posta do gadídeo preparada de forma a soltar sem quebras lascas do mesmo.

Demoro-me sempre na apreciação da couvada porque o bacalhau tem de ser objecto de cuidados, dada a espessura da posta, a fim de não chegar à mesa encruada ou desfeita. Tem de arribar no ponto e assim, para meu gáudio, voltou a acontecer. Bem como o bacalhau com natas, responsáveis por acelerado aumento de peso, e do mesmo modo o conhecido bacalhau à Brás.

Das especialidades doceiras saliento o leite-creme queimado. O queijo picante de Castelo Branco é importante parceiro a fim de bebermos o sobrante copo de vinho tinto. Serviço atento.

Mais um tempo e voltarei ao reino do bacalhau cuja lista incorpora pratos de frutos vermelhos e carnes cujo expoente é o cabrito assado com arroz dos miúdos.

Avenida Conde Valbom, 71 A, Lisboa. Tel. 217 960 260

Quinta de Vale Fornos, branco

Uvas das bem conhecidas casta Arinto, Fernão Pires e Verdelho estão na origem deste branco pleno de frescura cítrica cujos aromas penetrantes lembram as laranjas, as tangerinas, os limões e a flor de laranjeira. Além das benquistas fragrâncias, no copo revelou-se brilhante em tons amarelos palha e violáceos. No palato evidenciou vigor, boa estrutura, densidade e guloso e final prolongado.

Acompanha bem saladas, peixes brancos e fumados, frutos do mar frios e quentes, ainda frutos secos. Degustei-o em duas refeições e ao modo de aperitivo. Provocou-me satisfação!

Origem – TEJO. Produzido e engarrafado por Encostas do Alqueva. Colheita seleccionada de 2017. Graduação: 13,5º.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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