Já neste jornal dei conta de quão me agrada visitar e refeiçoar neste restaurante bragançano situado na periferia, melhor dito na estrada que leva os viajeiros, os caminhantes e demais trota mundos de cem metros ou de milhares de quilómetros, até para lá da vizinha fronteira do Portelo com terras de Espanha, tal qual como o gajeiro da Nau Catrineta.
Naquelas bandas corre o rio ainda selvagem Sabor, não tem naus, possui águas límpidas e puras que refrescam corpos feios e bem moldados durante a canícula do inferno de três meses, os restantes nove meses são de Inverno.
Amesendado à volta de uma mesa ataviada canonicamente, sem pressas, iniciei a degustação alegrando o palato com finas e saborosas fatias de presunto, pão centeio a lembrar o da ancestralidade e demais entreténs de boca do costume, os quais podem significar refeição completa caso não exista contenção adequada.
O javali jovem primorosamente cozinhado com castanhas, tenro a desfazer-se num ápice no decurso da mastigação, demonstrou, mais uma vez, a segura e cuidada técnica da cozedura da cozinheira que, não ostentando estrelas, é uma estrela maior no firmamento culinário de Bragança.
O guloso pudim de castanhas e fatias de queijo de cunho local coroaram da melhor forma o festim. Serviço amável e expedito. Bebeu-se um auspicioso tinto duriense.
Aceita cartões de crédito. Estacionamento privativo. Rua Quinta do Rei, 7. Telefone: 962 309 029. Bragança.
Poeta Velha
Na periferia de Macedo de Cavaleiros, nos terrenos adjacentes à pitoresca aldeia de Vale de Pradinhos, a família de Pinto de Pinto de Azevedo, que fora importante industrial no Porto, mantém e aprimora as vinhas velhas, de entre outras castas a Tinta Amarela, a Tinta Roriz e a Trincadeira que deram origem ao vinho que hoje dá corpo a esta crónica.
Brilhante, sem mácula, num tom entre a cor de cereja e ginja, no tocante a aromas exalou-os profundo a frutos vermelhos e negros bem maduros de origem silvestre, e o palato exultou dada a sua frescura, elegância e sabor a convidar à repetição em virtude de ser guloso, tentador. Deguste o leitor e diga de sua justiça!
No meu entender é vinho adequado para acompanhar peixes gordos assados no forno, caça de pena, carnes mimosas sem serem grelhadas, fumadas, além de queijos de várias estirpes e composições. Um tinto dito duriense de certidão de nascimento transmontana a beber, a desfrutar cem peias caso não conduza.
Produzido e engarrafado em Vale de Pradinhos. Ano de colheita: 2015. Graduação: 13,5.

Subscrevo a escolha do restaurante, uma delicia não mencionada no seu artigo a Canja de Prediz, imperdível!