Tal como o guerreiro necessita de repouso entre batalhas, também certas massas necessitam de repousar, em lugar fresco, para levedarem convenientemente. Não por acaso existem na poesia popular dezenas e dezenas (cada terra com seu uso…) de orações a solicitarem ajuda ao Criador para as massas destinadas ao fabrico do pão (nosso de cada dia) levedarem conforme os desejos de quem as amassou.
Lembro-me de a minha avó materna embrulhar a massa num cobertor do mesmo modo como embrulhava amorosamente os netos mais novos do que eu. Depois da massa repousar, cortava com as mãos um pedaço para obter fermento destinado a uma nova fornada de centeio para os dias correntes e fornadas de trigo a ilustrarem as épocas festivas e dias nomeados do calendário religioso.
Agora, nesta época trepidante da globalização, os pães surgem nas aldeias ao som de uma buzina com música de elevador e, no que tange a pão dito caseiro ou à antiga, só quando ocorre festim caça votos. Mesmo assim, quantas vezes pão «zorro», pois legítimo-legítimo, só em casas de robusta confiança.
