O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS), afirmou que a casa onde nasceu Maria de Lourdes Pintasilgo deverá ser requalificada e devolvida à comunidade com uma função social ou comunitária, esclarecendo que nunca esteve em causa a criação de um museu, na sequência de uma questão colocada pelo vereador do PSD, João Morgado, em reunião de executivo.
Na sua intervenção, João Morgado recordou que se assinalou recentemente o aniversário de nascimento de Maria de Lourdes Pintasilgo e sublinhou a importância daquela personalidade para Abrantes e para o país, destacando o seu papel enquanto mulher e na emancipação feminina, particularmente no mundo da política.
O eleito lembrou ainda que o município já lhe prestou homenagem ao atribuir o seu nome a um centro escolar.
O vereador do PSD referiu que foram indicados, ao longo do tempo, vários projetos para a casa natal de Maria de Lourdes Pintasilgo, imóvel adquirido pelo município e situado na rua que tem o nome da antiga primeira-ministra.
João Morgado acrescentou que a Fundação Cuidar o Futuro, ligada a Maria de Lourdes Pintasilgo, desafiou o município a instalar um espaço memória na habitação. O social-democrata questionou o autarca abrantino sobre o destino dado ao edifício, que se encontra atualmente degradado.

Em resposta, Manuel Jorge Valamatos esclareceu que, nas conversas mantidas com a associação ligada a Maria de Lourdes Pintasilgo, nunca foi equacionada a criação de um museu. Segundo o presidente da Câmara, a intenção sempre passou por recuperar o imóvel e devolvê-lo ao domínio da comunidade, numa lógica social ou comunitária.
O autarca reconheceu que a casa está sinalizada, mas admitiu que o município tem tido outras prioridades. Ainda assim, reafirmou a vontade do executivo em avançar com a requalificação do edifício, com vista à sua utilização pela comunidade.
Recorde-se que passaram 10 anos desde que a Câmara Municipal de Abrantes comprou a casa onde nasceu Maria de Lourdes Pintassilgo, em 1930. O imóvel, situado no centro histórico da cidade, na antiga Rua dos Oleiros e do Brasil – hoje, Rua Maria de Lourdes Pintasilgo – continua por requalificar.

Quando foi aprovada a compra do edifício por 23 mil euros, e tal como o mediotejo.net noticiou, havia a intenção de criar um projeto de apoio a vítimas de violência doméstica, dentro do trabalho desenvolvido pela Rede Especializada de Intervenção na Violência do município, e perpetuando também o legado de Maria de Lourdes Pintassilgo, que tanto se bateu pelas causas sociais e pelo respeito pelos direitos das mulheres. Contudo, essa ideia terá sido posta de parte.
Por ocasião da inauguração do centro escolar que recebeu o seu nome, na sequência da compra do antigo Colégio de Fátima pela autarquia, Paula Barros, responsável pela Fundação Cuidar o Futuro (idealizada por Pintasilgo) deixou o desafio para que aquela casa pudesse tornar-se num “Museu Cuidar o Futuro”, promovendo diálogos e abrindo espaço para pensar o mundo.
