Atual mesa administrativa. Na foto, da esq para a dtª:: Ricardo Aires, Ana Cadete, Antonio Barreiros, Rosa Martins (tesoureira) e Augusto Dias (vice provedor). Foto: SCMVR

Com mais de 400 utentes e cerca de 250 funcionários, a Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei é o maior empregador do concelho, tendo o atual provedor, eleito em 2024, afirmado ao mediotejo.net que o foco da mesa adminstrativa tem sido reduzir despesas, mantendo a qualidade de serviços, para assegurar a sustentabilidade financeira da instituição. Ricardo Aires disse que herdou da anterior administração um passivo de 4.7 milhões de euros, colocando em causa a sobrevivência e sustentabilidade da instituição.

“O que posso dizer é que encontramos aquela Casa, como comprova o relatório de contas de 31 de dezembro de 2024, com um passivo de 4 milhões e 700 mil euros, em números redondos. e que desde 11 de maio de 2024 somos nós que estamos a gerir, antes era a anterior direção. Aquilo que nós começámos a verificar foi que havia ali certas despesas que tinham que ser reduzidas”, disse Ricardo Aires, no âmbito da aprovação de contas e onde foi dada a conhecer a situação financeira da Santa Casa da Misericórdia.

“Neste momento, conforme disse anteriormente, estamos a reduzir despesa, que é significativa, e pensamos que iremos melhorar a qualidade dos serviços da Santa Casa, visto que havendo um melhoramento do índice de despesa, quer dizer que a receita fica maior e nós iremos conseguir dar melhores contributos para que haja uma melhor qualidade de vida para os nossos utentes e também para os nossos colaboradores”, declarou o provedor, eleito em maio de 2024 para o quadriénio 2024/2027.

Com a saída anunciada de Irene Barata, provedora da Santa Casa de Vila de Rei durante 26 anos, duas listas apresentaram-se a votos para os orgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei, tendo o anterior presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Ricardo Aires (hoje deputado), candidato a provedor pela lista 2, obtido 66 votos dos irmãos com direito a participar no ato eleitoral, com João Campino, que presidia ao anterior Conselho Fiscal e era o candidato da lista 1, a obter 31 votos expressos.

Na hora da vitória, Ricardo Aires não escondeu ao mediotejo.net o desafio que representava liderar os destinos da centenária instituição, que entende como uma “missão”, tendo afirmado na ocasião que “97 pessoas votantes era “ótimo” e um “sinal que a Santa Casa está viva e que os irmãos estão atentos”, tendo feito notar que a instituição é “a maior do concelho”, em termos de funcionários e no âmbito das valências e de utentes que serve, não conhecendo a fundo, na ocasião da eleição, a situação financeira da instituição.

Agora, nas conclusões do relatório apresentadas pela anterior anterior gestão ao Fundo de Socorro Social em 2023 para aprovação de um apoio de meio milhão de euros, foi revelado um “desequilíbrio financeiro significativo e um endividamento bastante elevado que ameaçava a sobrevivência e a sustentabilidade da instituição”, situação que a atual mesa administrativa só conheceu após ter entrado dentro da instituição.

Atual mesa administrativa. Na foto, da esq para a dtª:: Ricardo Aires, Ana Cadete, Antonio Barreiros, Rosa Martins (tesoureira) e Augusto Dias (vice provedor). Foto: SCMVR

“Aquilo que eu quero dizer é que sabíamos que tinha havido um apoio do Fundo de Socorro Social, mas não sabíamos as condições nem as premissas do Fundo de Socorro Social. O pedido está no site da Santa Casa de Vila do Rei e as pessoas poderão verificar o que a mesa administrativa anterior, não é a nossa, pediu, ao solicitar ajuda ao Fundo de Socorro Social porque a gestão não estava a ser bem feita”.

“Estamos a fazer tudo por tudo para que certas despesas da Santa Casa sejam diminuídas, que tenham uma gestão melhor e é aquilo que nós vamos tentar fazer para que a instituição continue com a qualidade dos seus serviços e para que os nossos utentes e cobradores tenham o melhor da instituição”, declarou.

ÁUDIO | RICARDO AIRES, PROVEDOR DA SANTA CASA DE VILA DE REI:

As conclusões do relatório apresentado à Segurança Social pela anterior mesa da Santa Casa (SCMVR), que tinha como provedora Irene Barata, eram claras sobre a difícil situação financeira da instituição, como um desequilíbrio financeiro, o endividamento e sustentabilidade, a par de medidas de redução de custos e aumento de receitas, relatório apresentado para assegugar o Apoio do Fundo de Socorro Social.

Nas conclusões, pode ler-se que a SCMVR enfrenta um desequilíbrio financeiro significativo, especialmente no curto prazo, com dívidas a fornecedores em mora há mais de seis meses (320.000 €) e um financiamento bancário de 300.000 € totalmente utilizado. No documento, pode ler-se ainda que o elevado nível de endividamento ameaça a sobrevivência e sustentabilidade da instituição. ​Apesar de os investimentos realizados estarem financiados por empréstimos de longo prazo, os prejuízos acumulados nos últimos anos geraram atrasos nos pagamentos e agravaram a situação financeira. ​

Para obviar a situação, a anterior mesa apontou a medidas de redução de custos: “A instituição planeia reduzir custos, incluindo a diminuição de 17 postos de trabalho, sem comprometer a qualidade dos serviços. Isso inclui a saída de dois membros da direção, 12 operacionais e um técnico devido ao encerramento do jardim de infância”. ​ Por outro lado, indica, “haverá aumento nos preços praticados para melhorar os rendimentos e contribuir para o equilíbrio financeiro”, segundo o pedido de apoio ao Fundo de Socorro Social, na ordem do meio milhão de euros, e que acabou por ser concedido.

“O incentivo solicitado ao Fundo de Socorro Social será usado para liquidar dívidas correntes e implementar medidas de redução de custos e aumento de rendimentos, garantindo sustentabilidade económica e financeira no médio prazo. ​Essas ações visam reposicionar a SCMVR em uma trajetória de equilíbrio financeiro e assegurar sua continuidade”, pode ainda ler-se no documento. O apoio, após a sua aprovação, levou pouco tempo depois ao anúncio da demissão da provedora Irene Barata e a eleições antecipadas .​

“Com cerca de 250 funcionários e para cima de 400 utentes, está ali uma grande responsabilidade, mas como a mesa [anterior] se demitiu não poderíamos ficar alheios ao que estava a acontecer e por isso candidatámo-nos e tenho a certeza que vamos fazer um bom trabalho”, afirmou Ricardo Aires.

“A forte resiliência que temos e penso que todos sabem que eu e a minha equipa seremos capazes de ultrapassar. É uma dívida grande, mas estamos cá para trabalhar, estamos cá para continuar o serviço da Santa Casa e continuar para melhorar e estamos para fazer uma gestão rigorosa, diminuir despesas e ultrapassar situações que, se calhar, não foram as melhores decisões na altura, e penso que nós iremos fazer”.

“Aquilo que posso dizer aos nossos utentes, aos nossos colaboradores, aos nossos parceiros, é que iremos fazer tudo para que a instituição seja melhor, que seja uma referência a nível municipal como regional. Estamos cá para melhorar a instituição e fazer novas valências quando a viabilidade financeira for possível, mas sem pôr em causa a qualidade dos serviços e também dos nossos colaboradores”, com a Santa Cassa a ter hoje todas as valências ocupadas a 100 % e com listas de espera.

“Neste momento, aquilo que posso dizer é que o objetivo é diminuirmos o passivo nesta casa, continuar a melhorar os serviços e também dar ótimas condições aos nossos colaboradores. Estamos a trabalhar e, se Deus quiser, iremos conseguir”, concluiu.

A Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei é uma “associação de fiéis instituída no ano de 1581 cujo fim é a prática das 14 obras da Misericórdia, visando o apoio aos que mais necessitam, nomeadamente através da prestação de serviços aos mais idosos e às crianças”, pode ler-se na apresentação online da instituição.

“Atualmente, a ação da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei é desenvolvida principalmente nas áreas sociais, de saúde e educação, através das suas valências de ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas), Apoio Domiciliário, Cuidados Continuados, Creche e Jardim de Infância, regendo-se sempre pelos princípios da solidariedade e do bem-estar do próximo”, indica a mesma informação online.

Irene Barata, aos 80 anos, deixou oficialmente no 21 de abril de 2024, o cargo de provedora da Santa Casa de Vila de Rei, 26 anos depois de ter assumido a função e de ter transformado a Misericórdia no maior empregador do concelho.

Com cerca de 250 funcionários e mais de 400 utentes, a Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei tem hoje em funcionamento diversas valências, nomeadamente de Creche (34 lugares), Serviço de Apoio Domiciliário (36 utentes),  Unidade de Cuidados Continuados (68 utentes, 38 dos quais de longa duração), e três lares (ERPI), nomeadamente a de Santo António (60 utentes), Casa do Idoso (49 utentes) e Nossa Senhora da Esperança (Centro Geriátrico) com 117 utentes.

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A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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