Junta de Freguesia de Mouriscas. Foto: mediotejo.net

Os factos em causa “ocorreram entre novembro de 2017 e maio de 2023”, tendo consistido na “utilização abusiva de funcionários e materiais da junta em proveito próprio, mormente para construção de um canil na sua residência e utilização de serviços de jardinagem na mesma”, pode ler-se na nota do MP da Comarca de Santarém publicada esta quarta-feira.

Sobre a burla tributária, a nota do MP refere que, em 2020, o autarca terá solicitado um “subsídio por incapacidade, no âmbito de trabalho desempenhado em empresa privada”, ano em que “o arguido continuou a auferir remuneração pelas funções autárquicas que exercia”.

Pedro Matos, de 49 anos, presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas eleito pelo PS, foi detido no dia 13 de junho e ouvido durante dois dias, indiciado pelos crimes de peculato por titular de cargo político e de burla tributária.

Em sequência, a juíza de instrução criminal (JIC) do Tribunal Judicial de Santarém decretou como medidas de coação a “suspensão do exercício de funções, proibição de contacto com qualquer funcionário, eleito ou pessoa correlacionada com a junta de freguesia, e proibição de aceder às instalações, estaleiros ou oficinas da junta”.

Fonte judicial disse à Lusa que embora o Ministério Público tenha promovido o pagamento de caução, esta não foi aplicada pelo JIC. No dia 14 de junho, em comunicado, a PJ divulgou que tinha detido um homem de 49 anos, “fortemente indiciado pela prática do crime de peculato e peculato de uso”.

Segundo a PJ, a detenção ocorreu depois de terem sido realizadas “seis buscas na zona de Abrantes”, nomeadamente em Mouriscas,”tendo sido apreendidos diversos objetos e consistentes elementos de prova sobre os factos objeto da investigação”.

“O arguido, autarca local, terá utilizado abusivamente meios e funcionários da autarquia em seu proveito ou de terceiros, bem como também se apropriou de diversos bens, pertença da mesma autarquia”, referiu.

Atual executivo da Junta de Freguesia de Mouriscas. Carla Filipe deverá assumir as funções de presidente do executivo. Foto: JFM

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, o socialista Manuel Jorge Valamatos, defendeu na ocasião a presunção da inocência do presidente da junta, até julgamento em contrário, e afirmado “à política o que é da política e à justiça o que é da justiça”.

O presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Abrantes, Bruno Tomás, também reagiu na ocasião à notícia, após o conhecimento das medidas de coação, tendo afirmado que está a acompanhar o processo e feito notar, a exemplo de Manuel Jorge Valamatos, a presunção da inocência do arguido e separado as águas entre justiça e política: “à justiça o que é de justiça, à política o que é da política”.

E, nesse sentido, o também presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, declarou que o normal funcionamento da freguesia de Mouriscas será assegurado, com a nº 2 eleita, Carla Filipe, a assumir o cargo de presidente do executivo.

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1 Comment

  1. Acho estranho que esta notícia contenha as posições do PS (aliás repetidas), mas não as da oposição, designadamente as do Movimento ALTERNATIVAcom e do PSD, afirmadas na sessão de 23/06/2023 (passada sexta-feira) da Assembleia Municipal.
    A posição do Movimento ALTERNATIVAcom pode ser conhecida aqui: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=pfbid0283QJqX5H5wJsPaNPD1QLwyo6n6wB9DM1tHnXgW62UB4aUQciEjZx7dFrGXHqTnp5l&id=100068896702768

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