A visita do ministro das Infraestruturas e Habitação à ligação entre Constância e Vila Nova da Barquinha, depois de ter passado por Abrantes e Tramagal, voltou a colocar em cima da mesa a necessidade de uma solução para a ponte sobre o Tejo, há décadas apontada como um dos principais constrangimentos da região.
No local, junto à travessia, os presidentes das duas autarquias apresentaram ao governante os problemas estruturais da travessia, que continua a funcionar com circulação alternada e limitações a veículos, condicionando a mobilidade de populações, empresas e forças militares.
O presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, sublinhou que a reunião permitiu clarificar a dimensão do problema junto do ministro. “O senhor ministro saiu daqui com uma visão completamente diferente daquilo que tinha antes de chegar”, afirmou, destacando a centralidade do território e a sua relevância estratégica.
O autarca explicou que foi apresentada uma abordagem integrada, envolvendo não só a travessia, mas também toda a rede viária e os principais polos da região, incluindo infraestruturas militares, industriais e acessibilidades locais. “Estamos em busca de uma solução própria, que sirva militares, empresas, pessoas e instituições”, disse.

Sérgio Oliveira reforçou que os municípios não defendem uma solução fechada, mostrando abertura a diferentes cenários. “Se a solução passar por construir uma nova ponte ou por reabilitar a atual, desde que permita resolver os constrangimentos, estamos disponíveis para isso”, afirmou, sublinhando que o essencial é garantir fluidez no tráfego, incluindo veículos pesados e circulação militar.
O autarca destacou ainda que qualquer solução terá de ter uma lógica regional e não pode deixar territórios de fora, referindo diretamente a freguesia de Tramagal.
“Constância nunca esteve, nem deixará de estar, solidária com o Tramagal. Qualquer solução que defendemos não deixa o Tramagal de fora”, garantiu.
Nesse sentido, alertou para a necessidade de evitar respostas parciais que resolvam apenas um problema localizado. “Não podemos aceitar uma solução que sirva apenas uma parte do território”, afirmou, defendendo uma abordagem que responda também aos constrangimentos existentes naquela freguesia, nomeadamente ao nível das acessibilidades e ligações rodoviárias.
Segundo Sérgio Oliveira, a proposta apresentada ao ministro procurou precisamente integrar todas estas dimensões, incluindo a ligação à Estrada Nacional 118, ao Campo Militar de Santa Margarida e às principais unidades industriais da região.
“Aquilo que fizemos foi apresentar uma solução aglutinadora, com base na realidade do território”, referiu.

O autarca revelou ainda que o ministro admitiu enquadrar a questão no estudo prévio do IC9, atualmente em desenvolvimento, podendo daí resultar uma solução que responda simultaneamente à travessia do Tejo e aos restantes constrangimentos. Ainda assim, não foram assumidos compromissos. “Não houve qualquer promessa, mas ficou a garantia de que seremos envolvidos nesses trabalhos”, disse.







Também o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato, destacou a importância de sensibilizar o Governo para o impacto da infraestrutura.
“Aquilo que pretendemos foi mostrar ao senhor ministro a importância desta travessia enquanto centralidade não só para estes dois concelhos, mas para toda uma região”, afirmou.
O autarca reforçou a relevância da ponte, sobretudo pela sua utilização em contexto civil e militar. “A dupla valência, civil e militar, é um argumento muito forte”, disse, considerando que foi possível transmitir uma visão “muito prática e realista do problema”.

ÁUDIO | AUTARCAS DE CONSTÂNCIA E DE VILA NOVA DA BARQUINHA:
Apesar da abertura demonstrada pelo ministro, Manuel Mourato mostrou cautela quanto aos próximos passos. “Ficámos convencidos de que levámos a mensagem, se isso passará da esperança, o futuro dirá”, afirmou, lembrando que o processo ainda se encontra numa fase preliminar.
A atual ponte continua a ser apontada como um estrangulamento local, regional e até nacional, devido às suas limitações de circulação, obrigando a trânsito alternado e impedindo a passagem de veículos pesados, numa zona com forte presença militar e industrial.
O ministro das Infraestruturas e Habitação esteve durante a tarde num périplo que começou em Abrantes, passou pelo Tramagal e terminou em Constância.
Miguel Pinto Luz não prestou declarações aos jornalistas no final da visita à região, tendo optado por divulgar uma nota na sua página pessoal onde fez o balanço dos encontros realizados em Abrantes, Tramagal e Constância.

Na publicação, Miguel Pinto Luz escreveu: “Estamos a trabalhar para melhorar a vida dos Portugueses. Hoje, a dos munícipes de Abrantes, Vila Nova da Barquinha e Constância, sempre em estreita colaboração com autarcas e entidades locais.” O governante destacou ainda que estiveram em análise “projetos rodoviários prioritários como o IC9, a EN2, novas travessias do Tejo na zona do Tramagal e entre Golegã e Chamusca ou a Ponte entre Constância e a Praia do Ribatejo”.

O ministro referiu também que a área da Habitação foi abordada durante a visita, sublinhando que “os desafios são transversais ao território”, concluindo a publicação com a mensagem: “Não paramos. Não podemos parar”.
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