A desclassificação do troço da Estrada Nacional 2, entre o acesso à A23 e a ponte rodoviária sobre o Tejo, em Barreiras do Tejo, o largo e zona envolvente da Estação Ferroviária de Abrantes, em Rossio ao Sul do Tejo, e a conclusão do IC9/Ligação ao Alto Alentejo, incluindo a construção de nova ponte sobre o Rio Tejo, foram os principais assuntos debatidos durante a visita a Abrantes do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, esta quarta-feira, 29 de abril.
Depois de passar pela EN2, estação ferroviária do Rossio e em Tramagal, o governante esteve ainda em Constância, junto à ponte sobre o Tejo, que liga Constância Sul e Praia do Ribatejo, em Vila Nova da Barquinha, onde ouviu as posições reivindicações dos autarcas.
Em Abrantes, onde o périplo iniciou, o presidente da Câmara Municipal, Manuel Jorge Valamatos, assumiu uma posição firme ao defender a necessidade de decisões concretas e rápidas, sobretudo no que diz respeito à requalificação da EN2.
“O senhor ministro tinha-se comprometido connosco em abordar três assuntos essenciais”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, referindo-se à situação da Estrada Nacional 2 (EN2) na zona da Avenida Farinha Pereira, às estações ferroviárias e à conclusão do IC9, ligações que classificou como estratégicas para o concelho e para a região.





A primeira paragem da visita decorreu na Avenida António Farinha Pereira, em Alferrarede, precisamente no troço da Estrada Nacional 2 que o município pretende ver desclassificado ou transferido para a sua gestão. No local, o ministro não prestou declarações aos jornalistas, tendo Manuel Jorge Valamatos dado conhecimento sobre os aspetos centrais da visita.
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O autarca sublinhou a urgência de intervenção naquela via, apontando falhas estruturais evidentes. “Precisamos desta desclassificação […] para que possamos requalificá-la com passeios, com iluminação pública, com o próprio piso”, afirmou, destacando ainda problemas de drenagem: “quando chove um pouco, fica a estrada toda inundada”.
Segundo Manuel Jorge Valamatos, estão a ser avaliadas diferentes soluções em articulação com a Infraestruturas de Portugal, incluindo a possibilidade de transferência de competências para o município, eventualmente acompanhada de um envelope financeiro.

O objetivo é claro: garantir condições para uma requalificação profunda da via, integrando também projetos municipais em curso, como a criação de ciclovias e ligações ao Aquapolis Norte, bem como uma futura ponte pedonal sobre o Tejo.
A requalificação dos acessos à estação ferroviária de Abrantes, em Rossio ao Sul do Tejo, foi outro dos temas centrais abordados com o ministro.
O presidente da Câmara destacou a importância das três infraestruturas ferroviárias existentes no concelho – em Alferrarede, no Tramagal e no Rossio ao Sul do Tejo -, com especial destaque para a Estação Ferroviária de Abrantes, que concentra o maior fluxo de passageiros.

“Com a utilização cada vez mais futura da ferrovia, precisamos de uma resposta concreta e rápida”, afirmou, lembrando que já existia um projeto da Infraestruturas de Portugal que nunca avançou, mas que estará agora em revisão.
A comitiva continuou a visita pela EN2, nomeadamente na zona no Espinhaço de Cão, onde a constante queda de barreiras tem provocado constrangimentos na circulação por esta estrada.
“Abordámos esta questão que é muito pontual e muito circunstancial e o Sr. ministro já está a tomar nota para tentar perceber o ponto de situação e seguramente também fazer força para que esta situação seja obviamente resolvida o quanto antes”, afirmou Valamatos.

A visita continuou em direção a Rossio ao Sul do Tejo e para a zona industrial do Tramagal, onde foram evidenciadas as dificuldades de mobilidade, nomeadamente na estrada que liga as duas localidades. O autarca descreveu o atual percurso como “uma estrada tão difícil e tão penosa para a nossa comunidade inteira”, reforçando a necessidade de soluções estruturais.
No que respeita à conclusão do IC9, ligação estratégica entre o Ribatejo e o Alto Alentejo, Manuel Jorge Valamatos indicou que o Governo demonstrou empenho em avançar com o processo.
“Há um concurso público que está a decorrer”, revelou, acrescentando que existe a intenção de resolver “de forma definitiva” esta ligação, considerada essencial para melhorar acessibilidades e potenciar a zona industrial do Tramagal.
O projeto inclui ainda a construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo, uma infraestrutura vista como determinante para o desenvolvimento económico local e regional.

“Queremos acreditar que é uma obra para se realizar nos próximos tempos […] que deixe de ser uma promessa e passe a ser uma coisa concreta”, afirmou, mostrando, ainda assim, confiança nas instituições e no compromisso governamental: “acredito nas pessoas, acredito nas instituições, particularmente no empenho do Senhor Ministro das Infraestruturas”.
Tramagal alerta para falhas nas acessibilidades e pede ligação eficaz ao IC9
Já o presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, António José Carvalho, aprofundou as preocupações ao nível das acessibilidades locais, sublinhando que o território enfrenta constrangimentos estruturais que vão além da travessia do Tejo.
“É preciso acautelar que se façam as ligações às redes principais, nomeadamente ao IC9, para melhorar as acessibilidades locais”, afirmou, alertando para o risco de grandes infraestruturas passarem “ao lado” das populações sem resolver os seus problemas concretos.

O autarca destacou a importância de uma abordagem técnica e integrada, defendendo que as decisões devem ter por base estudos que identifiquem os fluxos reais de tráfego, as necessidades das empresas, das unidades militares e dos equipamentos existentes. “É necessário perceber onde estão os pontos de origem e destino do tráfego, onde estão as empresas, os centros de resíduos e as unidades militares”, referiu.
Entre as prioridades, António José Carvalho apontou a intervenção na Estrada Nacional 118 como essencial para a resiliência do território. “A retificação das curvas do Tramagal e a melhoria da EN118 são pontos essenciais”, afirmou, considerando que estas obras permitiriam ganhos imediatos na mobilidade e segurança rodoviária.

ÁUDIO | ANTÓNIO JOSÉ CARVALHO, PRESIDENTE JF TRAMAGAL:
O autarca alertou ainda para o impacto da atual rede viária na atividade económica, recordando episódios recentes em que empresas foram afetadas por dificuldades de circulação. “Já tivemos situações em que infraestruturas e empresas viram a sua atividade condicionada por falta de acessibilidades operacionais”, disse, referindo-se, por exemplo, a constrangimentos causados por cheias.
Sobre a solução para a travessia do Tejo, António José Carvalho mostrou abertura a diferentes cenários, defendendo que a decisão deve resultar de critérios técnicos e económicos. “Não temos uma posição definida sobre a localização da ponte. Essa decisão deve ser deixada aos estudos”, afirmou.
Apesar do caráter breve do contacto com o ministro, o presidente da Junta considerou positiva a visita, valorizando o contacto direto com o território. “Sentimos vontade de compreender os problemas no terreno e de os resolver”, afirmou, manifestando expectativa de que o processo possa ganhar celeridade.
O autarca sublinhou ainda a relevância estratégica da região a nível nacional. “Temos aqui infraestruturas e atividades com grande importância económica e social, desde o campo militar às indústrias e centros de tratamento de resíduos”, disse, defendendo maior atenção política para o território.

Ainda assim, deixou um alerta sobre os atrasos acumulados ao longo dos anos. “O que tem dificultado estes investimentos são, muitas vezes, as mudanças políticas e a falta de continuidade nas decisões”, concluiu, mostrando esperança de que o atual processo possa conduzir a soluções concretas.
A visita de Miguel Pinto Luz procurou reforçar o diálogo entre o Governo e o município, ficando marcada pela insistência da autarquia de Abrantes em ver avançar intervenções há muito reivindicadas para o concelho.
Miguel Pinto Luz não prestou declarações aos jornalistas no final da visita à região, tendo optado por divulgar uma nota na sua página pessoal onde fez o balanço dos encontros realizados em Abrantes, Tramagal e Constância.
Na publicação, Miguel Pinto Luz escreveu: “Estamos a trabalhar para melhorar a vida dos Portugueses. Hoje, a dos munícipes de Abrantes, Vila Nova da Barquinha e Constância, sempre em estreita colaboração com autarcas e entidades locais.” O governante destacou ainda que estiveram em análise “projetos rodoviários prioritários como o IC9, a EN2, novas travessias do Tejo na zona do Tramagal e entre Golegã e Chamusca ou a Ponte entre Constância e a Praia do Ribatejo”.
O ministro referiu também que a área da Habitação foi abordada durante a visita, sublinhando que “os desafios são transversais ao território”, concluindo a publicação com a mensagem: “Não paramos. Não podemos parar”.
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O PSD, sempre demonstrou interesse em analisar o problema da actual ponte rodoviária de Praia do Ribatejo, e a prova, é que foram revelados e publicados no seu último governo, estudos prévios e tracados alternativos projectados no concelho de Constância. O IC 9 que ligará Nazaré à Ponte de Sôr prevê a construção de uma ponte na região. Racionalmente e em nome da tão propalada coesão e inclusão territorial, considero que esta nova ponte deverá ser construída na zona do chamado ” Almegue ” em direcção à A 23 na saída de (Constância nascente). Qualquer nova ponte rodoviária a construir entre margens, deverá ainda obedecer e considerar factores como sejam, as pontes já existentes na região, pelo que, uma nova ponte a construir na região, deverá ficar a meio caminho entre as actuais ponte da Chamusca e a do Rossio ao Sul do Tejo, e o local mais indicado é aquele que identifiquei. Em alternativa ao constrangimento da EN 118 o que fará sentido, é uma redução significativa das suas curvas e contra-curvas entre o Tramagal e o Rossio ao Sul do Tejo, aliás esta proposta foi defendida pela última ministra da agricultura do governo de AntónioCosta. Obrigar a percorrer maiores deslocações e tempo de máquinas e trabalhadores
do próprio municipio é prejudicar o desenvolvimento e a celeridade na rápida resolução de problemas e trabalhos de manutenção de infraestruturas ou equipamentos pertenças do municipio de Constância. Espero que haja a lucidez suficiente para considerar como a melhor solução aquela que eu e muitos outros defendem.