Ponte de Sor, a terceira maior cidade do distrito de Portalegre, celebra esta segunda-feira, dia 8 de julho, 39 anos. Sede de município, numa região de transição entre o norte e o sul de Portugal, bem como entre o litoral e o interior, a cidade conta com 7.476 habitantes, num concelho com uma área de 839,71 km² e 15.248 habitantes. O Censos de 2021 revela que o concelho perdeu 8,8% da população em 10 anos (face a 2011).
Aumentou a percentagem da população idosa (em 2011 situava-se nos 23,7% e em 2021 aumentou para os 29,9%). Por outro lado, a população jovem (entre os 0 e os 14 anos) diminuiu de 14,2% para 11,3%. Num período de 20 anos, a população ativa também acompanhou o decréscimo, sendo 62,1% em 2001 e de 59,5% em 2021 . No entanto, a população estrangeira aumentou, passando de 260 indivíduos em 2011 para 440 cidadãos estrangeiros em 2022.
O município é subdividido em cinco freguesias: Foros de Arrão, Galveias, Longomel, Montargil e União das freguesias de Ponte de Sor, Tramaga e Vale de Açor, sendo limitado a nordeste pelos municípios de Gavião e Crato, a leste por Alter do Chão, a sueste por Avis, a sul por Mora, a sudoeste por Coruche e a noroeste por Chamusca e Abrantes.
Implantada num importante nó estratégico, no cruzamento rodoviário entre Lisboa, Beiras e Alentejo, a centralidade geográfica desta cidade alentejana permite uma grande proximidade com a capital do País mas também com a cidade espanhola de Badajoz.

Na realidade, Ponte de Sor desenvolveu-se precisamente como local de passagem, sendo que a abertura do caminho-de-ferro, em 1863, permitiu o crescimento industrial do concelho, com destaque para a transformação de cortiça.
Desta forma, ao longo dos últimos 150 anos, algumas das mais importantes multinacionais estabeleceram ali unidades de produção, salientando-se a Henry Bucknall & Sons, a Sociedade Nacional de Cortiças, a Mundet & C.ª e, atualmente, o Grupo Amorim e o JPSCorkGroup, entre outras empresas de menor dimensão.
Com um território dominado pelo sobreiro e marcado pela Albufeira de Montargil, a fileira da cortiça, à qual se acrescenta a exploração dos demais produtos do montado, é a principal atividade económica do concelho de Ponte de Sor, com gestão e extração florestal de cortiça, transformação industrial, produção agroalimentar.
Ponte de Sor é um território onde o setor aeronáutico já deu relevantes passos, tal como as atividades turísticas, e em torno do património natural e do montado de sobro. Curiosamente, é no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor que se pode encontrar o maior mosaico do mundo em rolhas de cortiça, com aproximadamente 400 mil rolhas.

Mas, de facto, em Ponte de Sor é o setor da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca que emprega mais pessoas, sendo 24,5% de trabalhadores ao serviço nas empresas do setor (dados de 2022). Logo seguido do comércio por grosso e a retalho com 21,5% de pessoas ao serviço. Depois o setor da construção com 12,5%, o setor das indústrias transformadoras com 9,6%, seguido do setor turístico do alojamento, restauração e similares com 7,2% e por último as atividades administrativas e dos serviços de apoio com 4,3%.
Dos municípios do distrito de Portalegre, Ponte de Sor é aquele que revela maior disparidade salarial entre homens e mulheres (dados de 2019), logo a seguir a Gavião. Por outro lado, Ponte de Sor é o penúltimo município, só à frente de Elvas, no que toca ao volume de negócios das suas quatro maiores empresas (dados de 2022), tendo também a segunda menor percentagem no que diz respeito ao pessoal ao serviço das quatro maiores empresas do município (igualmente dados de 2022).
No ano passado, segundo dados do Pordata, Ponte de Sor tinha 4,9% de desempregados inscritos no IEFP (média anual), da população residente com 15 a 64 anos.

O núcleo histórico da cidade situa-se junto à Ribeira e à Ponte, em torno do edifício dos antigos Paços do Concelho e da primitiva Igreja Matriz (ruiu no final do século XIX e localizava-se no largo em frente ao Mercado Municipal). Na Rua Grande (hoje Rua Vaz Monteiro), no seguimento da Ponte, situar-se-iam mais do que uma estalagem e o Hospital da Santa Casa da Misericórdia, destinados a acolher e a tratar os viajantes.
O nome de Ponte de Sor deriva do monumento de origem provavelmente romana construído sobre a Ribeira de Sor, em cuja margem direita a cidade se situa. É possível que essa primeira ponte, da qual atualmente não restam vestígios, tenha integrado uma das vias romanas que ligavam Mérida (Emerita Augusta), capital da província da Lusitânia, a Lisboa (Olissipo).

Os vestígios arqueológicos e as fontes documentais indicam que, após a queda do Império Romano, o território do atual concelho perdeu importância e, encontrando-se numa zona de conflitos constantes durante a Reconquista, só voltou a ser povoado no século XIV, sob o incentivo de D. Dinis. Nos séculos seguintes, o lugar e, depois, vila de Ponte de Sor recebeu privilégios de vários monarcas e foi-lhe outorgado o Foral Manuelino em 29 de agosto de 1514.
Ignora-se quando é que a primeira ponte construída sobre a Ribeira de Sor ruiu, mas é certo que no século XVIII não existiam mais do que vestígios dessa estrutura. A travessia da Ribeira era feita através de um caminho a jusante da Ponte hoje existente e de uma barca, cuja exploração era arrendada a terceiros pelo município.
A atual Ponte foi construída em 1822-1823, no reinado de D. João VI. Parte dela ruiu durante uma cheia poucas décadas depois e foi recuperada (1867), substituindo-se os arcos destruídos, no leito da Ribeira, por três grandes arcos de cantaria, que se mantêm até aos nossos dias.
O concelho de Ponte de Sor atingiu a sua extensão atual no século XIX, com a anexação dos de Galveias (1836) e Montargil (1871), e a vila conheceu uma expansão progressiva e quase constante desde o final de oitocentos. Para tal muito contribuíram a chegada do caminho-de-ferro, nos anos de 1860, sendo a Estação de Ponte de Sor uma das mais importantes da Linha do Leste, e a indústria, em especial a corticeira, que se instalou nos últimos anos do século XIX e nos primeiros do XX.
Resultado do desenvolvimento registado ao longo do século XX, a vila de Ponte de Sor foi elevada a cidade em 8 de julho de 1985. A partir desse ano celebra-se a data com as Festas da Cidade.

Em relação ao património arqueológico e arquitetónico do concelho, numerosos vestígios comprovam a presença humana nesta região desde a Pré-História, merecendo especial destaque o Núcleo Megalítico de Montargil, que inclui várias antas.
Da época romana, subsistem a Necrópole de Santo André (Montargil), de 50 a 120 d.C., os marcos miliários da via Lisboa/Mérida, para além de outros testemunhos epigráficos e ligados ao quotidiano (cerâmica comum, materiais de construção).
A quase ausência de vestígios do período medieval poderá explicar-se pela instabilidade a que estaria sujeita esta zona durante as lutas da Reconquista. Contudo, junto à Ribeira de Sor, podem ver-se os restos adulterados de uma cerca mandada construir por D. Duarte, que já estava começada em 1438 e nunca chegou a ser concluída.
Da época moderna, são de salientar os vários exemplares de arquitetura religiosa existentes nas três freguesias do concelho, sobretudo dos séculos XVII e XVIII e sob a forma de pequenas igrejas e capelas rurais, obedecendo a um modelo simples. As construções mais destacadas são a Igreja da Misericórdia de Montargil, que remonta a 1578, a Igreja Matriz da mesma vila, cuja sacristia ostenta uma janela gradeada no exterior em ferro forjado do século XVII, e o conjunto da Misericórdia de Galveias, com Igreja e Consistório, do século XVIII, classificado como Imóvel de Interesse Público, desde 1977.
Na cidade de Ponte de Sor, destaca-se a Capela de São Pedro, já existente no início de setecentos e que funcionou como Matriz no período entre a ruína da primitiva Igreja e a inauguração da atual (1887-1903). No plano da arquitetura civil, é de referir igualmente a Fonte da Vila, junto à Ponte, que data possivelmente de meados do século XVIII (reinado de D. João V).





Ao período contemporâneo, pertencem alguns exemplares de arquitetura religiosa, como a Capela do Senhor das Almas, em Ponte de Sor, que datará do século XIX, ou a Igreja Matriz da atual cidade, inaugurada em 1903. A nível civil, destaca-se a já referida Ponte sobre a Ribeira de Sor, construída em 1822-23 e alterada em 1867, depois de uma ruína parcial, e em 2004, para alargamento do tabuleiro.
Salientam-se do mesmo modo alguns prédios urbanos de dimensões consideráveis e arquitetura eminente no plano local, com funções públicas e privadas, nomeadamente, o antigo edifício dos Paços do Concelho de Ponte de Sor, construído em 1886 e aumentado em 1894, albergando a Câmara Municipal, o Tribunal da Comarca e a Cadeia Municipal; bem como as casas residenciais oitocentistas das famílias Góis, em Ponte de Sor (na Rua Vaz Monteiro), e Braga, em Galveias (em frente à Igreja Matriz).
Já do século XX, de referir, em Ponte de Sor, os edifícios do Teatro-Cinema e do Hospital Vaz Monteiro, pertencente à Misericórdia, inaugurados em 1936.


Conserva-se no Arquivo Histórico Municipal o processo que deu origem à alteração de categoria de vila para cidade, enviado pela Assembleia da República ao Município de Ponte de Sor em setembro do referido ano.
Do processo consta, entre outros documentos, cópia do Projeto de Lei N.º 222/III, para a ‘Elevação da vila de Ponte de Sor à categoria de cidade’, datado de 18 de outubro de 1983.
Considerava-se então ser tal mudança “imperativo local bem justificado, não só pelo já antigo anseio local expresso nesse sentido, mas também pelas caraterísticas de dinamismo e de trabalho que tornam esta localidade importante centro económico na região”.
Na verdade, eram sobretudo de caráter económico as razões apontadas em defesa da subida de categoria, destacando-se a “excelente localização da vila”, que a tornou “um centro de primeira importância nesta região, não só por ser local de passagem obrigatória para os que se deslocam no sentido Lisboa-Beira Baixa, mas também por ser um importante centro corticeiro, cerealífero e produtor de azeite”.
Eram igualmente referidas as diversas indústrias existentes na localidade, inclusivamente a turística, para a qual se previa então um grande desenvolvimento, potenciado pela Barragem de Montargil, bem como o papel comercial da vila, que ainda se aferia pelo impacto da Feira de Outubro, considerada “uma daquelas onde se faz maior volume de transações no Alentejo”.


Não conheço Ponte Sôr, mas pela descrição acima e não só 😊, despertou-me a grande curiosidade em conhecer a vossa cidade.
As maiores felicidades e parabéns pelo aniversário.