Pincelar carne. Foto: DR

Se chapéus há muitos, lembrava o saudoso Vasco Santana, no tocante a pincéis acontece o mesmo. No caso em apreço – pincel na cozinha –, trata-se de um pincel com cabo, de seda ou nylon, cujo desempenho culinário se prende com a barragem de carnes com manteiga líquida ou óleo antes de irem grelhar, ficando a continuidade das pinceladas ao cuidado e talento de quem cozinha os produtos, sejam carnes, peixes, mariscos, ovas e legumes. Em pastelaria pincelam-se doces e confeitos antes de irem ao forno com ovos batidos.

O pincel também se usa a fim de pincelar tachos, formas, travessas e pratos destinados a cozinhados que necessitem de gorduras ou adereços ornamentais.

Como é sabido no tocante a embelezar comeres a nossa imaginação é versátil, pensemos na nossa doçaria conventual, monacal e popular. Existindo numerosos modelos, penso ser preferível deixar a experimentação/experimentar conforme o experimentador quiser!

Alguns Museus mostram preciosas obras artísticas, na Biblioteca Municipal de Santarém podemos observar e perscrutar várias, entre as quais da famosa Josefa de Óbidos. Na doçaria rural o arroz-doce é decorado com as mãos, ou seja, os dedos são pincéis.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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