Picles de pepino. Foto: DR

A pouco e pouco, foi-se integrando na cozinha portuguesa este condimento vindo da Inglaterra, concebido à base de legumes, ou frutos, podendo ser uma mistura dos dois elementos. Conservado em vinagre aromatizado, cuja génese é na picante e suada Índia, Madrasta e Bombaim, os colonialistas da Velha Albion amaciaram os picles espevitadores de gins tónicos bebidos quando lhes dava na «imperial» gana.

Os picles, como muitos leitores sabem podem ser elaborados nas nossas casas e, são, muitos dos quais bem mais saborosos acidulamente dos adquiridos nos supermercados. Os picles apresentam-se em frascos de todos os feitios, os caseiros no aproveitamento de recipientes vidrados que tiveram outras utilizações.

O seu emprego em cozinha é múltiplo indo do solitário a dar voz a bebidas falantes, até à cozinha sofisticada e/ou de autor, passando pela cozinha popular (mais de semblante urbano), burguesa e nobilitada. Dito de outro modo; a acompanhar carnes frias, charcutaria e queijos gordos. Também aparecem a guarnecer peixes e empadões.

No meu entender os picles suscitam imediatas reacções das papilas gustativas, se assim não acontecer, manda a prudência consultar-se o nosso facultativo familiar.

Armando Fernandes

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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